E pronto… este provavelmente será mais um dos textos que consideras maçudo, repetitivo, que conta a história de alguém que não entrou no tão desejado curso e que pensa fazer impossíveis para tal. Não desistas, lê! Acredita que a minha história é diferente.

Falando um pouco de mim, desde cedo, o meu interesse se prendeu com áreas ligadas à saúde, à investigação do corpo humano, gostava de tentar perceber como é que o meu cérebro controlava tudo e mais alguma coisa, passando horas infinitas a ler um manual que o meu pai tinha guardado sigilosamente no armário da sala.

Este meu gosto pelas ciências da saúde não morreu, continua presente, mas a verdade é que neste momento sou uma triste caloira da Universidade de Coimbra.



Por ironia e contradição do destino, por medo e mil e um receios pessoais, a minha primeira opção foi uma engenharia. Pois…. Nada a ver com os meus interesses! Entrei nessa mesma escolha, ainda hoje não percebendo porquê (talvez empregabilidade, talvez porque engenharias estão na “moda”, talvez por motivos estúpidos e irracionais) e, no dia 12 de Setembro, fiz a matrícula numa das melhores Universidades do país. O entusiasmo foi imenso, mas quando “caí” em mim mesma, questionei inúmeras vezes “o que estou a fazer à minha vida?”. Ponderei, vezes sem conta, candidatar-me a enfermagem durante a segunda fase, mas o medo impediu-me de avançar, pensando “ e se eu não sei lidar com um doente? E se eu não consigo lidar com o stress? E se…? E se isto? E se aquilo?”. Perante tantas interrogações, nem me candidatei. Partindo, então, no dia 19 de Setembro para a bela cidade dos estudantes.

Fui imensamente bem recebida, Coimbra deu-me uma família. Mas bem… não vou criar o cenário mais bonito e irreal, vou dizer-vos aquilo que foi. No primeiro dia de praxe perguntaram quem bebia e quem não o fazia, informaram-nos acerca do código de praxe, deram-nos conselhos, sendo todos os doutores e semelhantes um enorme conjunto de pessoas agradáveis. O tempo foi passando e eu, que não sou parva nenhuma, fui-me apercebendo que há quase como uma máxima, do género: “se bebes és fixe. Se não bebes, és uma porcaria.”, reparando sempre que as pessoas que têm mais atenção são as que bebem, quase como se todas as outras fossem marginalizadas. Isso para mim não é problema algum, aliás, não iria mudar os meus ideais por mero capricho da praxe mas, honestamente, deixa-me triste sentir que, na minha faculdade, no meu departamento, as pessoas são avaliadas pela quantidade de álcool que bebem e não por aquilo que são. Não quero, com isto, dizer que não tenha tido perspetivas diferentes de Coimbra (conheci pessoas de outros cursos, onde tudo funcionava de maneira distinta e onde se mostrava o verdadeiro espírito da cidade: a entreajuda, a união, a aceitação, …), estes são apenas factos que se passaram comigo.

Relativamente ao curso, identifiquei-me com matemáticas, tudo que seja fora disso, não me identifico (o que seria de esperar) e reconheço que tenho e tive professores de excelência, mas se o curso não é este, o entusiasmo não existe.

Assim sendo, partindo destes dois fatores mencionados, posso dizer-vos que a minha estadia em Coimbra está a ser má, está a destruir-me aos poucos. Se no inicio me identifiquei com as pessoas, agora sinto-me marginalizada e sinto que aquela família inicial que criei me abandonou. Se no inicio tive expectativas sobre o curso, hoje só quero desistir. Mas…. Desistir? O que vão dizer os pais, que tanto investiram para eu estar aqui? Mudar para enfermagem, mesmo sabendo que as perspetivas de futuro são menores que as de engenharia? Voltar a ser caloira? Voltar a preencher a ficha de candidatura? Voltar a ter a sensação de ser ou não colocada?

SIM! Vou desistir de tudo, recomeçar do zero e abandonar Coimbra. Levo comigo uma bagagem enorme, cheia de momentos bons e menos bons que esta cidade me proporcionou, levo um ritmo de estudo diferente e levo, acima de tudo, um conselho para a vida: não desistir por medo e ter sempre um coração repleto de coragem louca! Como vêem, nem tudo foi perda de tempo, mas sim um processo de autoconhecimento.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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