Encontrava-me eu no 9° ano no mês de junho a pensar no que ia fazer durante as férias. Bem, trabalho não arranjava (para além de, legalmente, não ter idade para tal), estava fora de questão passar as férias todas a jogar ou mesmo a fazer nada, e depois, frustrado por não saber o que fazer, fui pesquisar pela internet qualquer atividade de verão, voluntariado por exemplo, que envolvesse a minha vontade de ajudar, o meu tempo livre e, se fosse possível, o gosto pela ciência, biologia particularmente.

Depois de alguma pesquisa deparo-me com o site da Ciência Viva, que, a meu ver, é talvez das instituições mais ativas e úteis na área científica em Portugal, desenvolvendo inúmeras atividades que envolvem desde os mais jovens aos nomes mais prestigiados por entre os cientistas. Entre essas atividades uma delas chamou-me a atenção, era ela “Ciência Viva no Laboratório” com o objetivo de ocupar as férias de jovens com a ciência. À primeira vista veio-me logo à cabeça o facto de como eram estágios tinha que pagar (e bem!); mas não! Enquanto mergulhava entre os regulamentos e todas informações dessas atividades vi que era aquilo mesmo que queria fazer no verão, nessa altura apanhei um desgosto porque só era para alunos do secundário tive que esperar para, no meu 10° ano, concorrer aos estágios (passou rápido felizmente!).



Passo a explicar como é que tudo funciona: a Ciência Viva apresenta uma vasta, bastante vasta aliás, lista de estágios nas mais variadas áreas (Biologia, Matemática, Química, Física, Saúde, entre outras) em entidades espalhadas pelo Portugal inteiro, principalmente Universidades, e onde o alojamento e refeições não serve como desculpa para lá não participar, pelo menos numa parte deles, uma vez que alguns, mais de metade arriscaria a dizer, oferece pelo menos a um dos vários participantes o alojamento e refeições (o almoço e jantar apenas, pequeno-almoço e lanches não). Normalmente estes estágios seriam apenas para alunos de secundário, no entanto, na edição de 2018 abriram para alunos de 9°, o que, a meu ver, só aumenta o leque de oportunidades. Em relação à inscrição é muito fácil, temos que ceder os nossos dados pessoais, dar uma folha assinada sobre a aceitação do tratamento desses mesmo dados e podemos ainda enriquecer a inscrição com uma espécie de carta de recomendação por um professor. Após inscrição feita começa a parte mais difícil, é ela escolher, de todos os estágios, apenas 4 para os quais nos candidatamos mas só para sermos aceites em um. À candidatura a cada estágio podemos deixar, por escrito, a razão pela qual escolhemos aquele estágio. A partir daí é esperar, ansiosamente, pelo estágio que nos aceitar primeiro (que podemos recusar mas poderemos estar a arriscar a não participar em nenhum pois não há garantias de sermos aceites noutro). Isto tudo sem termos de pagar qualquer coisa á Ciência Viva. Acabo ainda por dizer que a inscrição é muito intuitiva e simples e que o suporte por email é respondido rapidamente.

Antes de se abrirem as candidaturas foi fornecida a lista de estágios disponíveis, e, juntamente com o meu professor de Biologia, tratámos da minha inscrição e eu tratei de escolher os estágios. Eram dois na área de Microbiologia e os outros dois na área da Botânica todos eles fora da minha zona de habitação (Lisboa) já com o intuito de conhecer outras zonas juntando assim o aprender com o visitar. Estava já de férias quando recebi um email a dizer que tinha entrado num estágio na UTAD (Vila Real), sobre a cultura in-vitro de plantas, com o alojamento e refeições gratuitas, estava muito ansioso!

Lá fui eu sozinho (mas com o fantástico apoio dos meus pais) com uma mala para os cinco dias do estágio de autocarro durante cinco horas de viagem desde o Oriente até Vila Real onde depois conheci duas colegas e a pessoa responsável por aquele estágio (uma professora da universidade) que rapidamente me deu a conhecer todo o campus e acomodou-me muito bem com a cidade ajudando-me em tudo o que fosse necessário fora e dentro da universidade.

Todos os dias tinhamos atividades durante, ao todo, seis horas, como qualquer aluno daquela universidade, com total autonomia, ou melhor, quase total.

No que toca às impressões que tive durante aqueles dias: o campus é uma grande área maioritariamente verde, para onde quer que olhamos vemos um enorme pedaço de verde (para quem está habituado à cidade aquela universidade é impressionante e totalmente diferente), as pessoas lá eram impecáveis esforçando-se ao máximo para nos mostrar toda a universidade cujas instalações, embora um pouco velhas, eram muito interessantes e cheias de material muito diferente do que vemos nas nossas escolas. Admiro a capacidade de conseguirem explicar coisas tão complexas como o DNA a moços que ainda nada tinham falado sobre tal, quem fala de DNA fala de outras coisas também; no fim do “trabalho” ainda tínhamos tempo para fazermos o que quisermos, e assim foi, lá ia eu para a cidade passear por entre a belíssima catedral com um um órgão de tubos espetacular que tive a oportunidade de ouvir (infelizmente não consegui tocar), enquanto passeava ouviam-se os ensaios de uma orquestra local, as casas velhas e acabando no que ocupava a grande maioria daquela cidade, os espaços verdes. Era uma cidade espetacular, um bom sítio para se viver.

Para concluir esta partilha de experiências convosco gostaria de dizer mais algumas coisas. Esta a atividade deu-me a noção do que é viver sozinho a 400 km do que nos é familiar e ainda mostrou-me que gosto de viajar sozinho, deu-me diversos conhecimentos maioritariamente práticos (mas também teóricos) no que toca ao trabalho em laboratório. Abriu-me, como o meu professor dizia inicialmente, os meus horizontes pois de certo que será uma universidade que não esquecerei no momento da candidatura a um curso superior.

Aconselho, todos os que puderem, a participar nestas atividades que nos enriquecem de variadas formas.

Deixem a desculpa que, felizmente, hoje em dia já não é válida, a desculpa de não termos oportunidade. Temos de ser nós próprios a lutar pelo que queremos, estas instituições são a maneira de o fazermos.

Site da edição de 2018: www.cienciaviva.pt/estagios/jovens/ocjf2018/

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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