Para alguns de nós a universidade é apenas um meio para atingir um fim, um momento que se quer breve, estruturado e executado de forma eficiente. É uma pequena engrenagem que constitui a arquitetura da vida que imaginamos para o nosso futuro. Para outros, a universidade é uma experiência, uma viagem que embora permita a entrada num mundo de novas possibilidades, um certo caminho quase garantido de sucesso e felicidade, preenche-se também de caras novas, memórias para a vida, loucuras e futilidades que por alguma razão suplantam com demasiada frequência o dever do estudo.

Para todos nós, quer aqueles que encaram esta fase da vida com maior ou menor melancolia, representa acima de tudo o último suspiro antes do grande mergulho, a calma antes da tempestade do mundo real, adulto e do trabalho. Além de todas as aventuras, responsabilidades ou irresponsabilidades, chegamos todos ao mesmo sítio, mais depressa ou mais devagar. Todos atingimos aquele ponto final paragrafo que fecha um capítulo na história das nossas vidas. O problema desta história? Está ainda por escrever. Por muito que se imagine um futuro, por muito que se ambicionem cargos e carreiras, por muito que se deseje manter aqueles amigos tão especiais, não há ninguém à face desta terra e que passe pelo percurso académico que saiba onde vai parar.



Certamente a humanidade terá enfrentado problemas maiores ao longo da sua existência, muitos deles questões de vida ou de morte, mas os problemas são relativos. Este é o nosso. Viver uma época dourada da vida vendo o seu fim tão perto. Sentir este medo que embora não seja avassalador, está connosco todos os dias. Perguntarmos as mesmas questões constantemente: Será que vou ter sucesso? Será que vou gostar do que vou fazer? Será que vou ser feliz? Talvez algum monge no meio dos Himalaias saiba a resposta, mas aqui na realidade a dúvida é tudo o que temos.

Podemos apenas convencer-nos que vai correr tudo bem. Porque, afinal de contas, provavelmente será essa a verdade. Basta olhar com atenção. Não se trata de discutir definições de felicidade e de significado da vida, basta olhar para os que pelo mesmo passaram geração atrás de geração e perceber que não foi um cataclismo. Duvidas teremos sempre, não é esse o problema que se resolve. É uma questão de controlar a nostalgia em antecipação, silenciar sentimentalismo por algo que ainda não acabou. É compreender que a dúvida não representa necessariamente medo, representa apenas uma nova aventura diferente da atual, uma história com novas personagens. Trata-se de perceber que o último suspiro antes do mergulho não é porque nos vamos afogar, mas porque decidimos respirar bem fundo antes de abrir a porta a um novo mundo.

Para aqueles que sentem o medo desta fase e do futuro, sintam a leveza e insignificância desta fase meio ridícula e a palermice que é a vida. É uma brincadeira elaborada para meninos crescidos. Para aqueles que não se sentem bem onde estão. Há um sítio onde se sentirão em casa, dentro ou fora da universidade. Vão para lá. Para os que querem despachar isto o mais depressa possível, garantam que o fazem porque sabem com certeza que no futuro não se vão arrepender de ter vivido mais a aventura. Para os que andam somente a brincar, coloquem-se na perspetiva de quem vos paga tudo isso e de quem poderão ser no futuro se brincarem demasiado. Levem isto a sério, mas não sejam assim tão sérios. Agora, respirem fundo.

Colabora!

Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

Gostavas de publicar um texto? Colabora connosco.