A vida académica não é, pura e simplesmente, fácil. Sou estudante, finalista, e desde cedo fui aprendendo o mais importante quando se é estudante: gestão de tempo. No primeiro ano da faculdade, entrei à rasquinha, num curso que tinha a certeza que me iria encher as medidas – Psicologia. Praticamente contra tudo e contra todos, fui andando, com um pé à frente do outro, mesmo quando o discurso que ouvia se baseava em “nesse curso as coisas não estão fáceis” e “Psicologia? Isso dá para quê?”. O que essas pessoas não sabiam, ou não queriam lembrar, era que, por circunstâncias da vida, fui ensinada a caminhar para a frente, fosse por onde fosse. E lá fui. Debati-me muitas vezes, mas percebi que o que fica da faculdade não é, e nunca será, uma média. É, entre outros aspetos a competência prática e o saber. Isso, e todo um outro leque de competências que fui buscar a outro lugar, que acabou por se tornar parte crucial da minha vida académica: o Orfeão Universitário do Porto (OUP).

Aos poucos, fui descobrindo as tradições, as histórias e peripércias. Fui enfrentando desafios. Fui ensaiando e participando com afinco. Encontrei, neste “mundo novo”, que na verdade conta com 104 anos de história, amigos que ficarão para sempre. Que me ensinaram o valor da amizade, da lealdade e da coragem, e que me fizeram gostar (ainda) mais do que é tão nosso: a nossa cultura e o nosso património. Enganei-me redondamente ao achar que iria pertencer “apenas” à primeira tuna feminina do país, a Tuna Feminina do Orfeão Universitário do Porto. Aí, foi vivi os meus primeiros passos dentro do OUP, dizendo inúmeras vezes “não tenho tempo para ir a ensaios de outros grupos”.



O ERASMUS em Itália chegou e trouxe mais surpresas do que algumas vez poderia imaginar (isso são outros 500 e outros textos virão), e o tão querido OUP acolheu-me depois novamente de braços abertos.

As saudades foram tantas que, não fui apenas aos ensaios da Tuna Feminina do OUP. A esses juntaram-se os das Danças e Cantares Etnográficos. Numa ginástica impensável, além do curso da faculdade, juntei-me à organização do OUP, à malta que trabalhava horas a fio a organizar eventos, gerir as tropas e criar novos projetos. Foi um ano em formato de montanha russa, com desavenças à mistura, muitas horas sem dormir e muitas lutas constantes, onde a gestão de tempo foi fulcral. O desafio foi aceite, e aos ensaios da Tuna Feminina do OUP e das Danças e Cantares Etnográficos do OUP juntaram-se os ensaios do Coro Clássico e do Coro Popular e das Pauliteiras de Miranda do OUP. A minha agenda deixou de estar preenchida, para passar a estar a transbordar. E a faculdade apertava com os prazos, as datas de entrega, os testes, os trabalhos e os primórdios da tese de mestrado que agora ainda me dá dores de cabeça. O cansaço foi mais do que muito, mas na hora de atuar a adrenalina e entusiasmo sacudiam qualquer sono que pudesse haver. Chegou agora o ano final, do estágio, da tese de mestrado, das decisões e de…. preencher mais a agenda com os ensaios do Grupo de Cantares de Maçadeiras! E como?

Foi no OUP que encontrei um porto de abrigo quando os problemas surgiam. Aprendi que o mais importante é termos à nossa volta pessoas que nos apoiem a cada passo que damos, mesmo quando as coisas parecem desabar. Todo e qualquer contributo tinha, para mim, um fim muito claro: dar o meu melhor para o melhor do OUP. Errei muitas vezes, passei muitas horas em branco, tal como muitos outros que se deram ao trabalho de investir e tentar. Mas, no Orfeão Universitário do Porto, aprendi que a criatividade nos permite levar a vida com mais leveza e que sonhar alto é condição para que os sonhos se realizem. Em quatro anos, fui a várias Digressões Nacionais e a outras duas Internacionais. Pisei dos mais belos palcos nacionais aos mais belos palcos em terras de Espanha, França, Suíça e Luxemburgo. Experienciei na pele o quão elástico o tempo pode ser se o aproveitarmos ao máximo e quisermos, de facto, viver completamente! Agora, olho para trás. Arrependo-me de ter entrado no OUP apenas no meu segundo ano da faculdade. Mas as portas, essas continuam abertas a todo e qualquer estudante da Universidade do Porto que queira, passo a passo, escrever a sua história e, com brio, escrever em conjunto a história de quem fica para sempre estudante.

Colabora!

Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

Gostavas de publicar um texto? Colabora connosco.