Com a saída das colocações e inscrição na universidade, a procura por uma habitação pelos próximos anos, torna-se uma das prioridades para os novos estudantes. Existem duas principais opções, alugar um quarto e partilhar casa/apartamento com outros estudantes, ou, ficar num dos quartos disponibilizados pela residência associada à instituição de ensino.

Quando iniciei o meu período de estudos, optei por ficar na residência. Foi a minha primeira opção por uma série de fatores, nomeadamente o custo mensal (valor fixo mensal que inclui luz, internet, água e serviços), a proximidade da universidade e os meios de transporte existentes nos arredores das instalações, todos fatores de peso em qualquer decisão. Contudo, um dos principais motivos que influenciaram a minha escolha foi o receio de isolamento, dificuldades de integração, entre outros medos e receios sempre presentes nestes momentos.

O que é necessário fazer para a inscrição? Como será a experiência? Será que me vou integrar?



A minha inscrição foi realizada presencialmente na residência no dia em em que fiz a matrícula na universidade. Fiz uma pequena entrevista com as responsáveis do local, marcada por telefone previamente. Como vinha de longe, cerca de 340 km, fiquei temporariamente na residência durante os primeiros dias, até que recebi a confirmação final.

Passada uma semana é hora de começar a fazer as malas, arrumar, fazer a lista com o que é necessário levar, entre outras tarefas. Procurar informações sobre transportes para Lisboa, custo dos bilhetes e tipos de passes para estudantes tornou-se uma das tarefas a fazer antes de partir para a nova cidade.

Viver numa residência certamente será diferente de viver num apartamento com três/ quatro estudantes. Numa residência temos colega de quarto, uma série de corredores com várias portas, uma cozinha em comum, uma sala de estudos, uma sala de convívio e espaços partilhados. Numa residência vivem dezenas de estudantes, de diferentes universidades, cursos e áreas de formação, muitas vezes completamente opostas à nossa.

Todos os dias durante quatro anos, conhecia e via pessoas diferentes. Nunca sabemos o nome de todas as pessoas, nem conhecemos todos os estudantes do nosso piso e corredor, por muito estranho que pareça. Há sempre quem prefira ficar no seu quarto durante os tempos livres e há quem prefira aproveitar esses momentos na sala de convívio. Isto para dizer que vivemos num lugar multicultural, com estudantes de outros países, com pronúncias e expressões diferentes às que conhecemos.

Foram estas diferenças que mais me marcaram em quatro anos. Entre muitas horas de estudo e de aulas, são as horas de refeição e as horas passadas nos espaços comuns, que nos animam e aliviam o stress de horas de dificuldades. Rimos de coisas banais e simples, comentamos as noticías do dia, falamos de mil e um assuntos distintos, no final arrumamos e voltamos a estudar.

Encontramos sempre alguém da nossa área que nos fala das aulas, das disciplinas, das matérias, dos professores e do que podemos contar durante os próximos tempos. É na diferença e partilha de diferentes conhecimentos, que muitas vezes encontramos ajuda e resposta a dúvidas e problemas que nos acompanham num certo trabalho e disciplina. Os nossos vizinhos de quarto tornam-se mais do que apenas estudantes numa residência, tornam-se amigos com os quais partilhamos a vida académica e as frustações do dia.

Contudo, existem sempre alguns aspetos menos positivos que posso recordar. O barulho, que muitas vezes pode dificultar a concentração no estudo/trabalhos, o que na época de exames e alturas de maior trabalho, não ajuda muito; o movimento nos corredores durante o dia e noite; a desarrumação nas cozinhas e espaços comuns (nem todos os estudantes acham importante a arrumação após as refeições e limpeza dos espaços) e falta de privacidade, são alguns dos fatores que podem ter impacto durante a integração e estadia numa residência. Por vezes geram-se confusões, por motivos estranhos, rivalidades ou por desacordo entre os colegas, o que cria um ambiente pesado durante as refeições e espaços de convívio.

Existem alturas em que é preciso mesmo fechar os olhos a determinadas situações e levar a coisa de forma descontraída, sem pensar muito no assunto. Contudo, penso que todos estes aspetos podem também ser associados a partilha de apartamentos. Perante diferentes formas de estar, gera-se sempre confusões e mal entendidos. No fundo o importante é sentirmo-nos bem onde ficamos a viver e tentar aproveitar as oportunidades que nos rodeiam e aprender sempre alguma coisa com as diferentes situações.

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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