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Já faz alguns anos desde que atravessei aquele arco pela primeira vez. Ao início pareceu-me tudo estranho e tinha uma vontade enorme de não ficar ali. Não sabia o que me esperava e o medo de subir aquelas encostas atormentava-me. Dali para a frente, sabia que iam ser três anos, a conhecer as pessoas, as ruas e o coração da cidade.

Não me lembro exatamente do dia em que me apaixonei por ti, Covilhã. Sei que aconteceu e não tardou muito a estar rendida aos teus pés. Teria deixado tudo por ti, se fosse preciso. Sei que tive sonhos que falaram mais alto, os mesmos que hoje me impedem de ver o teu mar ao acordar. Mas sou tão feliz pelas memórias que juntas criámos. São essas que me fazem escrever-te com o mesmo coração apertadinho de quando te deixei. Não imaginas o que me custou, ter de te dizer adeus. Soubesses tu, a falta que as tuas madrugadas me fazem. Porque o céu não é igual em todo o lado. O teu brilhava mais. As tuas ruas são diferentes. Têm história e segredos de amores eternos. E só quem passa por elas, é que entende, um bocadinho, do que estou a dizer. Porque é preciso viver-te de verdade. Para nos apaixonarmos por ti, ao ponto de não querer que chegue o fim. Mas sempre chega. A diferença está em ti. Em ti, Covilhã, que nos marcas de uma maneira tão única e tão especial que desejamos, mal partimos, que o regresso seja breve. Que possamos voltar aos teus braços da mesma forma de quando chegamos pela primeira vez. Assustados, mas com a certeza de que estamos no sítio certo.



É a tua vez, caloiro. De te apaixonares por esta cidade e por esta academia como eu. No fim, perceberás que todas estas linhas fazem sentido. Mas não estejas já preocupado com o final, estás só agora a começar e vais muito a tempo de viver. Faz as tuas memórias e sê feliz nesta tua nova casa, que será a mesma das pessoas que te irão acompanhar a partir daqui. Criem juntos as vossas histórias, seja nas madrugadas de regresso a casa ou nas tardes sentados numa mesa de café. Hoje, é o primeiro dia do resto da tua vida e tenho a certeza, que um dia também irás estar sentado, como eu, a escrever sobre esta aventura. Aproveita e começa hoje a tua história.

A ti, finalista. Ainda que as palavras te possam confortar sei bem que por esta altura nada é suficiente. Ainda não terminaste, mas já sentes saudades. Vais viver este teu último ano, numa ansiedade tal, que a certa altura, já não vais saber se choras ou ris. E o teu coração vai estar a mil até ao fim. Está a acabar, mas ainda vais a tempo. De terminares bem a tua história. De trazeres contigo, as tuas melhores memórias. Sabes bem, finalista, que aqui, na Covilhã, estás sempre a tempo de ser feliz.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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