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Maria (M.): Fala-nos um pouco do teu curso, em que consiste e quais são as suas saídas profissionais.

Catarina Castro (C. C.): Quando se aborda Antropologia, surgem muitas dúvidas – principalmente naquilo que diz respeito à empregabilidade – e há a tendência para achar que não há muitas saídas profissionais. Contudo, um antropólogo pode trabalhar em investigação ou em organizações não-governamentais e humanitárias, instituições públicas e privadas, instituições internacionais de ajuda ao desenvolvimento, museus e parques naturais, turismo e património, consultoria, entre outros.

Catarina Mendes (C. M.): Antropologia, de uma maneira muito simples e sem complicações científicas, é o estudo do Homem nas suas componentes social, cultural e biológica. As saídas profissionais dependem da direção que quisermos seguir, devido ao facto de ser um curso que nos dá bases para seguir vários caminhos. Há, claro, os óbvios: investigação em universidades, trabalho em museus e em instituições nacionais.

Mas não é só! Podemos trabalhar em monumentos, receção de hotéis, empresas de viagem…! Não estamos alocados a uma só saída profissional.

Sofia Rocha (S. R.): O meu curso tem duas vertentes: a social e a biológica. Ambas integram a licenciatura sendo que, no fim desta, cada aluno tem um vasto conhecimento em diferentes áreas. As suas áreas de estudo percorrem várias vertentes como: a antropologia visual, a antropologia biológica, a forense, a social, entre outras. As saídas profissionais englobam: museus, autarquias, assessoria, consultoria saúde etc.



M.: O que te levou a escolher o teu curso e que factores tiveste em conta? Foi a tua primeira escolha?

C. C.: No final do Ensino Secundário, sentia-me muito perdida porque não tinha a  certeza absoluta daquilo que queria seguir. Então, passei muitas horas no site da DGES à procura do curso ideal. Lá, encontrei Antropologia mas, como não sabia bem em que consistia, decidi pesquisar mais e fiquei encantada com aquilo que descobri: pareceu-me um curso tão diferente e interessante, aquilo que queria e, quando vi as saídas profissionais, pensei que eram atraentes. Antropologia, no ISCSP, foi a minha primeira escolha.

C. M.: Sim, foi a minha primeira escolha. Não sei bem que fatores tive em consideração ou se tive alguns que não o facto de sentir que era este curso que mais me cativava.

S. R. Sim, foi a minha primeira escolha. Durante o Ensino Secundário, pesquisei vários cursos que enquadrassem tanto a área social como a área biológica, pois interessam-me, até que encontrei Antropologia. Na altura, constituía uma área completamente desconhecida para mim mas, com várias leituras e diálogos com colegas que já frequentavam o curso, começou a crescer em mim uma certa paixão pela área. Depois de ver vários cursos e compará-los, não havia escolha possível: era Antropologia que queria!

M.: O que é que te surpreendeu pela positiva e pela negativa no curso?

C. C.: Pela positiva acho que destaco tudo porque estou a adorar o curso. Claro que há cadeiras com as quais me identifico menos mas creio que isso acontece em praticamente todos os cursos. Pela negativa, a única coisa que consigo apontar, é a falta de conhecimento e um pouco de julgamento quando se fala neste curso, pois oiço frases como “Isso não presta” ou “Tens desemprego garantido”, algo que se torna cansativo. No entanto, quem está a tirar esta licenciatura percebe que as coisas não funcionam assim. Em Antropologia conhecemos muito do mundo onde vivemos através de um olhar completamente diferente daquele a que estávamos habituados.

C. M.: Pela positiva, a matéria do curso surpreendeu-me, não por ir com expectativas baixas, mas por sair tantas vezes das aulas satisfeita com aquilo que aprendi e interessada. Não querendo dizer que adoro tudo. O que seria um ano de escola sem uma ou duas cadeiras péssimas? Relativamente à vertente negativa, acho que é a exigência teórica inicial: ou seja, assume-se que temos mais conhecimentos científicos do que realmente possuímos mas isso pode ser atribuído à transição para o Ensino Superior.

S. R.: Aquilo que me surpreendeu pela positiva foi a dinâmica deste: há uma grande interação entre professores e alunos e uma interligação excelente entre as áreas biológica e social, algo que é extraordinário porque é possível estudar todos os aspetos da Antropologia.

Pela negativa, realço a reestruturação do curso – não que esta tenha sido má, no entanto, não concordo a 100% com as alterações – pois ter passado por todas as mudanças enquanto estava no 2º ano da licenciatura não foi, de todo,  algo que me auxiliou. Mas, com o passar do tempo, os estudantes foram-se habituando e já não é algo tão negativo para todos: a criação de cadeiras como Antropologia Médica foi deveras importante mas, por exemplo, Biologia deixou de ser lecionada.

M.: Como tem sido a experiência de estudar nesse curso? O que é que te marcou mais?

C. C.: A minha experiência tem sido fantástica. Aquilo que me tem marcado mais é o quanto o curso contribui para o meu crescimento, pois deparo-me com realidades muito diferente da minha, acho que deixei de viver numa “caixinha” e num mundo “cor-de-rosa” e passei a olhar para aquilo e aqueles que me rodeiam de uma maneira muito diferente.

C. M.: Acho que o que tem tornado a experiência muito boa e nova são as coisas que me marcaram: os amigos que fiz, o que aprendi no curso, o tempo passado na esplanada da minha faculdade e a praxe (apesar de saber que é algo controverso, sinto que me deu tempo para me divertir bastante e conhecer novas pessoas!).

S. R.: Estou a adorar frequentar este curso, quer pela experiência que estou a ganhar e pelos conhecimentos, quer pelas oportunidades que este me proporciona. Aquilo que mais me marcou, até agora, foi o bom ambiente vivido e a oportunidade de estagiar na faculdade, no laboratório de Antropologia Forense.



M.: Como descreverias a tua adaptação ao ensino superior? Quais foram os teus principais desafios?

C. C.: A adaptação foi muito mais fácil do que esperava porque criei um bom grupo de amigos. O maior desafio é gerir o tempo de forma adequada.

O facto de ter ido para uma cidade que não conhecia, interagir com pessoas que nunca tinha visto e até mesmo o facto de “abandonar” a minha casa foram os maiores problemas.

C. M.: Há sempre um choque relativamente à adaptação, principalmente naquilo que concerne à quantidade de horas de estudo e de trabalho. Para mim, o mais difícil foi passar de um ensino onde tínhamos manuais e a matéria toda preparada para um ensino onde é necessário conjugar vários materiais (sendo que, no nosso curso, não temos sebentas) e onde temos que saber interpretar e saber quando ser objetivos e subjetivos. O principal desafio, creio eu, é abandonar a formatação que o Secundário muitas vezes “impinge em nós” para nos adaptarmos àquilo que nos é pedido.

S. R.: Acho que o meu maior desafio foi a mudança de cidade: sou de Viana do Castelo e vim estudar para Coimbra, sem conhecer nada, sem conhecer ninguém, pelo que foi uma alteração complicada. Morar sozinha, conhecer a cidade e novas pessoas…. Mas no fim do primeiro mês, já estava habituada à cidade e a todas as mudanças. Outro grande desafio foi a passagem para o Ensino Superior: o modo como as aulas eram dadas e como os professores nos tratavam alteraram drasticamente. E passar de uma sala com 20 pessoas,  onde o professor sabia quem cada um era, para uma sala com 60 pessoas onde ninguém se conhecia, foi estranho.

M.: Achas que o teu curso te prepara para o exercício da profissão, isto é, que adquires as principais competências que um profissional dessa área deve ter?

C. C.: Embora esteja no primeiro ano de licenciatura é fácil perceber que o curso abrange as diversas áreas da profissão, algo que acaba por tornar mais fácil  adquirir todas as competências necessárias ao desenvolvimento da mesma.

C. M.: Acho importante realçar que ser antropólogo é uma profissão muito específica que envolve ter competências em trabalho teórico e trabalho de terreno e que, tendo em conta as cadeiras que tive até agora e algumas que tenho noção de que vou ter no futuro, adquirimos variadas competências. O que posso dizer é que o meu curso, na FCSH, nos prepara melhor para uma vertente social e cultural do que uma vertente biológica.

S. R.: O meu curso, até certo ponto, prepara os alunos para o exercício da profissão. Na minha opinião, devíamos ter mais unidades curriculares práticas pois, tendo em conta que o curso se baseia muito em trabalho de campo, seria mais rentável ter experiência nessa área.

M.: Consideras o teu curso difícil? Porquê?

C. C.: Julgo que todos os cursos têm a sua dificuldade.

C. M.: Acho que o ser ou não um curso difícil é um pouco subjetivo mas,  pessoalmente, considero o curso mais desafiante que difícil. Exige muita leitura e capacidade de enquadrar e adaptar o conhecimento pois, muitas das vezes, as nossas frequências consistem só numa pergunta a que temos de responder baseando-nos em elementos aprendidos em meio semestre.

S. R.: Considero o meu curso difícil pois acho que o nível exigido é elevado, não só pelo trabalho que temos de realizar como pela matéria ensinada. Primeiramente temos que conseguir dominar duas áreas diferentes – social e biológica – e, depois, ser capazes de nos organizar em termos do material a conhecer para cada aula (o que acaba por ser bastante extenso), conhecer vários autores e ler variados textos.



M.: Quais são as tuas expectativas no que toca à entrada no mercado de trabalho? Que perspectivas tens?

C. C.: Ainda não optei por uma área em específico no seio da Antropologia, portanto, torna-se difícil fazer uma previsão.

C. M.: Não consigo mesmo responder a esta pergunta. Acho que ainda não tenho expectativas e não é algo que me ocupe o pensamento por enquanto.

S. R.: Gostaria de trabalhar na área da Antropologia Forense, no entanto, sei que o mercado de trabalho para esta área é um pouco “fechado”.

M.: Pensas em continuar a estudar para um mestrados/doutoramentos ou pós-graduações?

C. C.: Sim, penso frequentar uma pós-graduação mas ainda estou muito indecisa. De qualquer modo, tenho dois anos para refletir e chegar a uma conclusão.

C. M.: Sim, estou a pensar fazer um mestrado no estrangeiro. Entretanto, enquanto tiro a licenciatura, vou também usufruindo da possibilidade que a FCSH nos dá, em fazer um Minor num curso existente na faculdade. Estou a tirar um Minor em Relações internacionais.

S. R.: Gostaria de prosseguir os meus estudos, fazendo a pós-graduação em Antropologia Forense e o mestrado em Medicina Legal e Ciências Forenses.

M.: Se soubesses o que sabes hoje, candidatavas-te para o mesmo curso novamente? Porque?

C. C.: Completamente! A licenciatura em Antropologia só me tem surpreendido pela positiva e estou muito feliz com a decisão que tomei.

C. M.: Sim, sem dúvida. Foi um ótimo ano e é bom poder dizer às pessoas que estou a estudar algo que me dá prazer!

S. R.: Sim, faria a mesma escolha. Adoro o meu curso e estou realmente a gostar daquilo que faço. Não me arrependo de ter entrado num curso pequeno que quase ninguém conhece: sou grata por tudo aquilo que me é ensinado e por todas as oportunidades que vou tendo!



M.: Que recomendações deixas aos futuros candidatos ao ensino superior?

C. C.: Não tenham medo de arriscar, não se guiem apenas por aqueles cursos que todos dizem ser os melhores: sigam aquilo de que realmente gostam! É sempre mais fácil quando gostamos daquilo que estudamos, do que estar três ou quatro anos num curso com o qual não nos identificamos e, quem sabe,  trabalhar o resto da vida numa área que não nos diz nada.

C. M.: Para tentarem fazer aquilo de que gostam, têm de estar sempre conscientes que há cursos onde há mais saídas e cursos onde há menos, mas que isso é o normal e varia sempre. Não tenham pressa para chegar ao Ensino Superior: se não sabem aquilo que querem e não desejam frequentar a faculdade, acho ótimo que tirem um ano sabático! Tenho muitos amigos que não o fizeram e se arrependem porque só agora descobriram o que queriam e, por outro lado, amigos que o fizeram e os ajudou muito a encontrar o seu caminho!

S. R.: Que sigam aquilo de que gostam, que não “vão” por aquilo que os pais, amigos, família, etc. querem. Que não tenham medo de uma nova experiência e, sobretudo, que aproveitem a vida académica.

M.: O que dizem… as tuas notas?

C. C.: Dizem que posso melhorar! Tenho que aprender a gerir o meu tempo e a maneira como o aproveito mas, no geral, melhoraram bastante em relação ao Ensino Secundário.

C. M.: As minhas notas dizem que me esforço e que gosto daquilo que aprendo. Não dizem que sou mais ou menos inteligente que ninguém porque não é isso que as notas e as médias refletem.

S. R.: As minhas notas dizem que, no primeiro ano, devia ter estudado um pouco mais e ter aproveitado um pouco menos as noites académicas. Este ano, as notas já começaram a aumentar demonstrando que, apesar de tudo, com muito esforço e dedicação todos os objetivos serão alcançados!

Catarina Castro é aluna do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, Catarina Mendes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e Sofia Rocha da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.