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A descida dos paraquedistas – o que muda quando se corta o paraquedas?

Não, a notificação não te enganou (esperemos!). Foste mesmo colocado numa das seis opções que escolheste e estás no ensino superior. Quando os foguetes de entusiasmo inicial se esgotarem já vais estar a pensar em matrícula, casa, cadeiras e documentos, neste frenesim de mercado onde os vendedores ainda não sabem, mas vão passar a ver-te muitas vezes neste que é o teu primeiro ano de universidade. Por isso deixa-me saudar-te e aclimatizar-te a esta transição.

O termo “paraquedista” não se usa por acaso, por sinal, considero até uma boa maneira de descrever a forma como somos, quase literalmente, “largados” por entre os ventos cruzados (este ano dignos de furacão) que guiam o tecido de emoções e expectativas retardante da queda. É uma viagem repleta de penumbra até lá. “Lá”, onde farás a matrícula, online ou presencial, “Lá”, onde terás as primeiras interações com o formalismo da instituição e o acolhimento dos núcleos, “Lá”, o sítio ao qual chamarás casa e às pessoas de família. Família e casa esta como todas as outras. Natais onde estão todos reunidos, aniversários de bolo e contentamento, festas onde terminam ciclos, e o que não se quer, mas se sabe que existe: discussões com o familiar rabugento ao jantar, conhecer um lado da família que não nos agrada tanto, ou ir em viagens que sabemos que vão acabar em ostentações de quem sabe escolher o melhor restaurante, o melhor vinho, ou o melhor carro. Estereótipos, que aqui servem de metáfora às dificuldades e desafios deste novo meio.

Permitam-me que estique a minha barba, gigantescamente pequena e cinzenta, de duas matrículas, e faça duas dobras na capa aos ombros com os dois anos que lhes correspondem, porque, não há tanto tempo, pelo menos, à data de escrita, estava eu também com as incertezas de, diria, 90% dos caloiros. Estava eu com os medos, válidos e não fictícios, de desbravar este desconhecido mundo novo, admirável, até (fazendo aqui a menção a Alex Huxley), e, como está agora na moda, entrar nesta mini Odisseia pelos mares não tão desconhecidos, e navegar evitando “Cilas” amigáveis, os doutores. Mas esta barba que estiquei não cresceu sozinha. Esta barba até só cresceu porque a minha viagem não foi feita sozinha (ênfase, caramba!!). Foi propelida por aqueles que fui conhecendo e os que ainda vou conhecer. Não fugindo ao título, esta barba não espicaçou mal foi cortado o paraquedas, pois no mercado onde, este ano, pousaram, também outros pousaram convosco, e também outros já pousaram antes, prontos a voltar “Lá” para vos ajudar e guiar naquilo que precisam.

De paraquedista a caloiro é uma inscrição, mas de caloiro a doutor, é um ano, uma matrícula, uma imensidão de memórias e “traumas”, descobertas e esquecimentos feitos sempre aliados àqueles que, como vós, se juntam na comunidade que torna as coisas um pouco mais calmas. Que vos mostra as experiências da cronologia destes meses onde se descobre não só o curso e o que vocês vão fazer nele, mas também que vocês não são o curso, são muito mais do que cadeiras e exames, projetos e avaliações. São o estudante, precursor do futuro a haver.

 

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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