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A escola e a gestão de conflitos: precisamos de valorizar mais o poder mediador


A mediação tem vindo, ao longo dos tempos, a conquistar terreno e a afirmar-se no mundo educativo, estando associada ao sucesso escolar das crianças e jovens considerados problemáticos, isto é, desviantes do processo educacional estandardizado. Para compreender a sua importância e a sua complexidade num espaço que, sendo arquitetónico, tem também um cunho social – a escola – precisamos de atender ao caráter relacional deste processo. Se pensarmos a mediação escolar como uma nova forma de ação nas relações dos agentes entre si, caracterizada pela convivência saudável e pelo desenvolvimento humano entre pares, seremos capazes de a reconhecer enquanto estratégia preventiva, e não somente como uma estratégia de gestão de conflitos.

O processo mediativo, em educação, tem, pois, revelado uma grande relevância por se poder afirmar na qualidade de pilar pedagógico que auxilia os profissionais a lidar com o conflito, contribuindo para uma positiva relação de socialização entre os alunos. No entanto, é preciso que o espaço escolar esteja aberto à criação de estruturas didáticas e espaços físicos que tenham como base o diálogo, nos quais, através da comunicação, se consiga dar resposta às disputas e realizar a sua prevenção construtiva.

Note-se que é possível observar que os jovens com comportamentos desafiadores das normas podem muitas vezes ser menos aceites pelos outros – professores e mesmo colegas – dando origem a um estigma que pode resultar numa rotura com a escola e com o meio social mais abrangente em que o mesmo se encontra envolvido. Os rótulos pejorativos que são, com frequência, atribuídos a estes alunos não se coadunam com um olhar mais global, atento e crítico das suas estruturas familiares, não raras vezes permeáveis a dificuldades financeiras, tradicionalismos que chocam com as novas expressões de sexualidade e transtornos ao nível da saúde psíquica. Logo, em vez dos métodos tradicionais “gabinete do aluno”, onde as crianças são simplesmente repreendidas e punidas e onde não existe lugar para o diálogo e compreensão, a educação deve ter inerente uma vertente mediadora através da qual as crianças aprendem a relacionar-se com os outros e a resolver os seus conflitos interiores, capacitando-os no enfrentamento das adversidades do dia a dia e contribuindo para a prevenção do insucesso e do abandono escolar.

Com a globalização assistimos, no espaço escolar, à entrada de uma grande diversidade de alunos que fomenta um número cada vez maior de interações sociais e de dinâmicas que obrigam a um maior entendimento e a uma melhor gestão. Então, podemos questionar-nos: serão a escola e os seus docentes e funcionários não docentes capazes de, cabalmente, atender à diversidade de alunos que existe sem reforçar processos e mecanismos de exclusão social? A mediação pode dar uma base para uma resposta de sucesso a esta interrogação, já que tem o potencial de tornar as salas de aulas, os recreios e outros lugares da escola mais inclusivos.

Se desejamos que as crianças de hoje, e futuros homens e mulheres do amanhã, sejam capazes de controlar e de aprender com os seus conflitos, não podemos abdicar do reconhecimento da existência social dos alunos. Por outras palavras, trata-se de valorizar as suas particularidades cognitivas e culturais, os contextos em que ocorrem as suas socializações e todo o património científico e humano que a educação e a mediação nos podem oferecer. Tal será decisivo na estruturação dos modos de pensar e de agir no mundo das crianças e dos jovens.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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