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Ao iniciar de outro ano académico, com o stress das colocações já por detrás das costas, muitos alunos do 1o ano do ensino superior do nosso país começam agora a chegar às faculdades onde ficaram colocados, para gosto ou desgosto de cada um. Se nos últimos anos a crescente competição entre as maiores faculdades do país deu aso a uma maior aposta na comunicação tanto externa como interna das mesmas, esta mesma comunicação caí algumas vezes no que são algumas falhas aparentemente inocentes mas que para alguns caloiros pode ser prejudicial ao seu futuro académico.

É geralmente nos dias a seguir às inscrições que os novos alunos são bombardeados com palestras e workshops sobre como podem aproveitar o que as faculdades tanto gostam de chamar “os melhores anos das suas vidas”. Fala-se sobretudo numa mistura de um português-inglês pseudo-intelectual onde caloiros, ainda a recuperar da vitória que foi conseguir um quarto para dormir a uma quantia pouco abaixo do salário mínimo nacional, são expostos aos testemunhos de antigos ou atuais alunos da instituição: Abundam as fotografias de universitários em caminhadas por algum país exótico ou em Erasmus numa capital europeia, ao lado de testemunhos de como adoraram todo e cada momento da dita aventura. Segue-se o exército de ditos “entrepreneurs” que vêm pregar as suas condições excecionais de “global shapper’s”, “go-getter’s”, “doer’s”, “co-founder’s”, “green-guy/girl”, “dreamer’s”, “self-lerner’s” e outros termos que até já em 2019 são demasiado clichés para se meterem nas descrições das redes sociais mas que quem ouve o Fred Canto e Castro deve saber de cor.



Mesmo que ignoremos o evidente ridículo a que muitos destes “speakers” por vezes vão, o que não podemos ignorar é muitas vezes o efeito que estas conversas têm num aluno acabado de chegar ao ensino superior, com todos os pesos que isso só por si já acarreta. Talvez as faculdades devessem começar a pensar em incutir a estes mesmos alunos algumas práticas de uma boa saúde mental para aguentar de forma saudável o que muitas vezes se torna os anos mais difíceis das suas vidas. Sim, porque melhores e mais difíceis não são mutuamente exclusivos.

Por isso, caro caloiro, como alguém que já passou pelo que estás a passar, queria dizer-te algumas coisas que não tens que fazer: Não tens que participar em tudo nem estar em todo o lado, não tens que gostar de tudo nem de todos, não tens que ter já grandes planos ou alguns planos sequer, não tens que entrar em clubes nem ires à praxe para te sentires integrado, não tens que ter um “pitbull mindset”, não tens que acreditar em tudo o que te dizem, não tens que ser “geração Erasmus”, não tens que ser o melhor, nem dos melhores, tens simplesmente que ser o teu melhor.

Lembra-te apenas de ser tu próprio, de não deixares cair os teus valores e princípios, e de dormir as horas certas.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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