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A verdade é que estamos todos cansados e ansiosos. Ligamos a televisão e somos bombardeados todos os dias com novos casos desta doença que avassalou o Mundo, que fez parar as nossas vidas, terminar com os contactos físicos e adormecer sonhos.

De um minuto para o outro tudo mudou, ouvimos por parte dos nossos orientadores/ supervisores de Estágio que tínhamos de abandonar a Instituição, que o nosso Estágio tinha sido suspenso por tempo indeterminado. Com o coração meio que a bater rápido, saímos das Instituições, sem tempo para dar um “até já” ou um “eu volto”, na esperança de que dali a duas semanas estivéssemos de volta. A verdade, é que já estamos em casa há um mês, sem esperança de voltar.



O que estava tão perto, tornou-se tão longe… O que era um sonho quase realizado, agora não tem data! Mostramos o nosso lado forte, sorrimos e dizemos que a família está bem, nós estamos bem e usamos isso todos os dias para nos mantermos positivos. A realidade é que por dentro estamos cheios de questões, estamos até que revoltados. Somos finalistas, finalistas de Licenciatura, que tiveram dois anos e meio de curso a prepararem-se para o esperado Estágio. Escolhemos o nosso caminho, escolhemos aprender na prática com aqueles que para nós são “os melhores profissionais” e agora vimo-nos sem respostas, não sabemos se voltaremos a Estágio, não sabemos se os métodos avaliativos vão ser reorganizados, não sabemos como será o nosso “amanhã”.

Abandonámos as nossas cidades de estudantes e voltámos para casa dos pais, mais cedo do que esperávamos. Arrumámos os trajes nos roupeiros e tirámos das gavetas as memórias dos amigos. Aos poucos vão chegando as prometidas fitas escritas, para as quais olhamos e pensamos, é mais um momento adiado.

Em nós habita a saudade, da nossa cidade de estudante, das viagens, de fazer as malas todos os fins de semana, dos tupperwares da mãe cheios de comida, das noites académicas, do barulho dos sapatos do traje na calçada, dos cafés na Praça, de ouvir as tunas, até da simples ida independente ao minimercado da esquina e é aí que pensamos, será que voltaremos?

Tudo mudou…

Artigo escrito a 15 de abril, antes do Governo ter pedido às universidades que preparassem o regresso às aulas em maio.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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