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Estamos em Março. Faltam 2 meses para a semana da queima. A melhor semana da academia em que abraçamos os nossos doutores e veteranos, brindamos com a nossa manada, fazemos coisas que prometemos a nós mesmos não repetir enquanto sóbrios, choramos, rimos… O problema é o que se segue: remorsos.

O meu ano de caloira já passou e não há nada de que eu tenha mais saudades do que as festas a que nunca fui, das atividades com outros caloiros em que saí mais cedo, dos festivais de tunas a que me esquivei e acima de tudo de vestir aquela t-shirt toda suja que nunca na vida viu água nem sabão à frente. Tenho saudades do que poderia ter vivido e do que vivi. Tantas oportunidades tive de aproveitar no meu ano… Tantas vezes os meus doutores me disseram para aproveita-lo… Tantas vezes eu não quis saber do que eles estavam a dizer… Depois, quando dás conta, já estás no teu kit de cortejo, a descer os Aliados agarrado àqueles que tal como tu, cantam as músicas da casa a plenos pulmões e esperam ansiosamente pela tribuna. A minutos de a passares choras como uma alma desalmada enquanto a tua colher diz: “acabou caloirada. Acabou. Daqui a menos de 5 minutos já não serão mais caloiros. Aproveitaram bem o vosso ano?” Que impacto que estas palavras têm… Finalmente apercebes-te de que eles tinham razão…



A t-shirt do caloiro já não vai sair mais do armário. Muitas mais vivências poderiam ter sido acumuladas na t-shirt… Por incrível que pareça, ainda me lembro de como fiz aquelas nódoas todas. Nódoas que marcaram o meu ano. Nódoas de que ao contrário da maioria, eu não quero que saiam. Elas lembram-me de todos os momentos em praxe com a minha manada e os meus doutores. Ninguém deveria lavar a t-shirt não importa o quão suja está. As memórias que ela representa são insubstituíveis.

Posto tudo isto caloirada, espero que tenham um cortejo em grande, que cantem o mais alto que puderem, que olhem para trás e digam: “não me arrependo de nada. Fiz tudo o que queria, dei o meu máximo e curti milhões+1.” Aposto que a maioria de vocês tal como eu quando era caloira, não vão ligar ao que acabei de dizer e vão continuar a baldar-se a todas as atividades quando não vos apetecer ir. A questão é que no final, quando estiverem a conviver com os vossos académicos e se tornarem um deles, vão dar-me razão. Vão dar-me razão, vão dizer exatamente o mesmo aos vossos caloiros e vão-se sentir mal por eles quando os virem a lamentar o que não viveram. Só se é caloiro uma vez e a sensação quando se está no preto é completamente diferente de quando se é caloiro. Aproveitem o vosso ano enquanto ainda há tempo. Não deitem tudo a perder porque não vos apetece.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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