Hoje sinto que devo partilhar convosco a minha experiência: uma possibilidade que assusta, mas da qual é importante falar nesta altura de decisões.

Há dois anos atrás, concluí o 12º ano de Ciências e Tecnologias com uma boa média interna. A maioria dos cursos que realmente me despertavam interesse tinham como provas de ingresso, os exames de Biologia e Geologia e Física e Química A. Não tendo obtido grandes resultados no 11º, repeti-os no 12º ano. A questão complicou-se quando, pela segunda vez, não consegui obter resultados que acompanhassem minimamente a minha média interna. Após a análise das opções que me restavam, acabou por surgir a possibilidade de adiar a universidade por um ano para me dedicar integralmente ao estudo dos exames nacionais. É uma espécie de assunto tabu, muitos se apressam a dizer “prefiro ir para um curso qualquer do que adiar a entrada na universidade!”.



Eu tomei essa decisão porque, ao ver-me privada de ir para as minhas duas e únicas opções não queria simplesmente lançar-me no escuro noutro curso qualquer que nunca ponderei, apenas por precipitação e medo de perder um ano. Contudo, acredito que uma pessoa que tenha possibilidades de entrar no seu segundo (ou terceiro, ou quarto…) curso de opção, o deve fazer. Afinal de contas pode ter uma surpresa.

Apesar de ser uma pessoa bastante conformada com aquela decisão, não pensem que não me senti desiludida em setembro. Mas mais do que desiludida, senti-me, injustiçada. Tinha-me esforçado durante três anos, atingido os meus objetivos e tinha o meu futuro incerto devido a umas horas de exames, que por muito que compreenda que tenham que ter algum peso na nota final, não estão feitos de forma a avaliar os nossos conhecimentos mas sim a nossa capacidade de lidar com a pressão.

A minha vida estava em stand by enquanto que a maioria das pessoas que conhecia estavam em novos locais a viver novas experiências. Mas todo esse sentimento acaba por desvanecer com o tempo. O primeiro passo é definir um plano. É muito importante sabermos que não estamos de férias. Há quem vá trabalhar, quem vá assistir a aulas, quem faça um desporto qualquer – é essencial criar uma rotina. No meu caso, tirei a carta de condução, o que me ajudava a sair um pouco de casa e a esquecer um pouco aquela pressão.

Durante aquele ano procurei compreender a essência daqueles exames, ir além do simples estudo da matéria (que todos percebemos que não resulta). Fiz todos os exames, procurei saber quais as questões típicas e estudei muito bem os critérios de correção. E nos dias em que fui fazer aqueles exames fui muito mais calma do que alguma vez pensava ir: tinha feito tudo durante aquele ano e sabia disso.

Agora, acabo de concluir o meu primeiro ano de faculdade e sabem que mais? Não sinto que perdi nada. Até sinto que ganhei algo. É importante dizer isto e é esta a principal mensagem que quero passar. A maior dificuldade foi voltar a ter uma rotina escolar mas pude perceber que, tal como eu, muitas pessoas tomam a mesma decisão. Nunca me senti diminuída e o meu ano de pausa foi um ano crucial para eu perceber aquilo que queria, até porque o curso no qual acabei por ingressar não era aquele que originalmente me levou a fazer aquele ano de pausa.

Compreendo que esta decisão seja um risco, não vos aconselho a tomá-la se souberem que provavelmente não são o tipo de pessoa que mantém o foco. Porque é preciso tê-lo. Eu podia ficar conformada e decidir ingressar noutra área qualquer, podia ficar a pensar que efetivamente o problema era meu e aceitar aquelas notas dos exames mas sabem qual foi a verdadeira motivação? Foi acreditar com todas as minhas forças que eu era melhor que aquilo, e sabia. E que se o segredo não era primeiramente ter conhecimentos, mas sim compreender a metodologia dos exames, então eu ia fazê-los dessa forma.

Não sejam precipitados ou tenham medo, esta é uma hipótese válida e na maioria dos casos, positiva. Que o mundo não seja feito de pessoas conformadas e com medo de arriscar.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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