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Digo adeus ao secundário, à família, aos amigos, ao meu lar. Deixo para trás o meu mundo, a minha vida. Neste momento parece tudo tão confuso, tudo tão doloroso e difícil de assimilar. É uma nova cidade, centenas de caras e nomes para decorar, uma casa à qual não me habituei, uma vida que fui obrigada a escolher à pressa. Entre todas as dúvidas e imprevistos, existe, pelo menos a felicidade de estar na faculdade que realmente queria, no curso que realmente queria. Falta-me é o tempo! O tempo para ser eu, o tempo para fazer as coisas que mais gosto, comunicar pouco que seja com as pessoas que “deixei para trás”, mas que, como é óbvio me fazem uma falta descomunal.

O primeiro dia é o pior. Sente-se a solidão e as saudades apertam. Não nos sentimos em casa. Queremos ir embora, sentir o aconchego dos pais, daquilo a que estávamos habituados. Sente-se a desmotivação, uma vontade incrível de chorar por dentro. E choramos, por dentro, pensamos, repensamos.

O segundo dia acalma os ânimos, mentalizamo-nos. É o nosso futuro, o nosso esforço do passado. Agora não vale a pena desistir. Siga!



Praxe, a dolorosa, a temida, o grande pesadelo dos caloiros! Mas porquê o medo? Se me perguntarem se já tive vontade de desistir? Sim, tive. Se tive vontade de gritar, de mandar alguém para o caralho? Tive.

Mas sei lá, estou aqui há menos de meia dúzia de dias, e, mesmo cansada, estourada por todos os cantos, mesmo sentindo o meu corpo morto, aprendi uma coisa com a praxe, a dar valor à união. Os grupos do secundário? Acabaram. “O caloiro é um!”, “O caloiro é solidário!”. A praxe não é tão má quanto já li, quanto já ouvi. É verdade que pode ser dura, é verdade que depende, depende da instituição, do curso, depende de nós… mas tem-me enchido de alegrias quando percebo o que é ter orgulho no caminho que escolhi. Cada grito pelo curso, cada hino cantado, cada palavra que preenche o cancioneiro, enche-me a alma. O meu curso, enche-me a alma, o coração. Grito com vontade. Já perdi a voz, sinto a minha garganta mais dorida do que nunca, mas sinto, pela primeira vez em muito tempo… que finalmente fiz uma escolha acertada, que finalmente sei o que quero para a minha vida!

Se ainda estão a caminho desta etapa das vossas vidas, deixo-vos um conselho, o conselho de uma caloirinha que acabou de chegar: experimentem, não perdem nada. Ninguém vai magoar-vos, ninguém vai obrigar-vos a fazer algo que possa pôr em risco a vossa saúde. É tudo uma questão mental. Pensem que vão divertir-se, porque também vão. A praxe é dura quando é, mas não é um bicho de sete cabeças. A qualquer momento podem abandonar o barco, dizer que não. É o vosso direito, e dever conhecer os vossos limites. Não se deixem intimidar. Se não querem, não façam porque alguém vos disse que deviam. Sejam vocês, pensem.

Outro conselho, é não terem medo. Não terem medo de partir à aventura ou do desconhecido. Não tenham medo de estarem sozinhos, porque não vão estar. Como vocês, está imensa gente e vão conhecer pessoas fantásticas numa questão de horas. Vão perder-se com os nomes, com as caras, mas vão esquecer-se que estavam sozinhos quando chegaram.

Por outro lado, se já passaram por esta fase, sabem do que falo e sabem que não minto. Ou, pelo menos, é como eu me sinto.

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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