(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Olá, caloirinha ou caloirinho.

Sei exatamente quem és, neste momento. Tu és eu há um ano atrás. Sabes que estás prestes a entrar numa nova fase da tua vida, uma fase de mudança, uma revolução, chamemos-lhe assim. E mal imaginas o que te espera.

Os termos caloira/o e praxe começam a ecoar no teu pensamento. Não sei exatamente que ideia tens sobre a praxe, mas é provável que não estejas certa/o. Só conhecemos algo se o vivenciarmos. Podes identificar-te ou não com a praxe e é preciso que saibas que ninguém te vai obrigar a nada. A maior parte dos medos que tens neste momento irá esvair-se logo na tua primeira semana académica.



Vais (provavelmente) chegar a uma cidade nova – desconhecida ou não – e ver-te longe da família e dos amigos. A ideia parece assustadora, eu sei. E se não conseguires fazer amigos? E se não encontrares pessoas com as quais te identifiques? E se te sentires só? Eu, por exemplo, achava que a meio da primeira semana ia ligar à minha mãe a implorar que me viesse buscar.

Tive a sorte de ir estudar para Coimbra. Sim, considero-me uma privilegiada, é um facto. Fui extremamente bem recebida pelos meus colegas mais velhos e, desde o primeiro dia, que me senti acolhida pela cidade. Acredito que isso dependeu muito também do meu espírito: pisei a cidade e jurei entregar-me plenamente. Afastei todos os receios, a aventura estava a começar. Recetiva a todas as descobertas, claro que experimentei a praxe. O espírito de cooperação, diversão e os valores apresentados pela mesma fizeram-me ficar até ao fim. Conheci pessoas novas, e dei-me a conhecer sem medos, no final do ano, chamava amigos a algumas dessas pessoas.

Tu és eu há um ano atrás. Estás a ler artigos de estudantes do ensino superior, na expetativa de conheceres mais do mundo académico e de ficares menos preocupada/o. Há um ano atrás, eu era tu.

Quando chegares à instituição de ensino superior onde foste colocada/o vais encontrar pessoas mais velhas, que já conhecem de cor cada rua da cidade e o andamento académico. Todos eles já estiveram no teu lugar. Todos eles já se sentiram perdidos como tu te vais sentir – ou te estás já a sentir. É normal.

Independentemente das tuas escolhas e ideologias, permite-me aconselhar-te a abrires-te à cidade para onde vais estudar e às pessoas com quem te vais cruzar. Vive cada dia intensamente e desfruta de tudo aquilo que tens ao teu alcance. A tua vida não pode nem deve ser apenas estudar, nem apenas sair à noite. Há tempo para tudo. E mesmo que não te identifiques com a praxe, não te isoles, não deixes de participar noutras atividades académicas nem de te relacionares com as pessoas do teu curso. Se quiseres, estes serão os melhores anos da tua vida. E vais ouvir “Segredos desta cidade levo comigo prá vida”. E vais sentir cada palavra desta balada. Vais construir histórias para contares aos teus netos, um dia. Vais conhecer pessoas que jamais irás esquecer. Vais – se assim o desejares – vestir-te de preto e honrar o teu traje. Vais beber (demasiado, por/muitas vezes), vais faltar a uma ou outra aula (ou muitas), mas vais acabar por fazer as cadeiras todas (ainda que com um ou outro recurso). Acima de tudo, vais ser feliz. Não te prives de nada. Deixa-te ser feliz. Tu és eu há um ano atrás. Hoje, eu sou feliz. Se queres ser “eu há um ano atrás” daqui a um ano, aventura-te.

Colabora!

Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

Gostavas de publicar um texto? Colabora connosco.