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Seja negativa, como alguns insistem, seja positiva, como outros fazem por acreditar, vivemos em tempos de mudança, de rutura de sistemas, de busca imediata e indesejada por novos hábitos, em tudo diferentes daqueles a que nos vínhamos acostumando. Ainda assim, a instituição escola insiste em conservar velhos costumes, estes que já pareciam desatualizados antes, mas que hoje são simplesmente obsoletos.

Quer seja negativa, quer seja positiva, a mudança é sempre um processo desgastante para um animal que precisa tomar por infalíveis certas rotinas. Vivemos uma situação única, como nunca antes vista, que se por si só é altamente cansativa, por se apresentar como transformadora de todas as normas e confortos do dia a dia, ainda se revela extremamente entorpecedora, precisamente por nos ensinar que não podemos ter controlo sobre tudo (como queremos pensar que temos), mas também por significar um corte radical de todo e qualquer mecanismo de socialização de que necessitamos, incitando fortemente ao isolamento e à solidão.



Apesar de tudo, quis-se trazer de volta o ensino, tal como o conhecemos no século XXI, autêntica fábrica de robôs, profundamente desumanizador, e, por isso, por nos dizer «faz exatamente como eu faço, esquece os teus instintos, paixões e desejos, capacidades», também ele extraordinariamente exaustivo para as crianças e adolescentes a ele sujeitos. Por um lado, parecemos poder retirar o lado positivo das mudanças a que foi exposta a educação, de um dia para outro mais tecnológica e moderna, finalmente com um toque de inovação, que não se via há demasiados anos. Por outro lado, quem está por trás dela são: os mesmos professores, também eles cansados da súbita mudança de rotinas na sua vida pessoal, agora obrigados a mais uma metamorfose mágica e instantânea na sua vida profissional; os mesmos alunos, incapazes de revolta, ora por ser este um traço distintivo da sua geração, ora porque este sistema de que falo nunca lhes permitiu tal.

Por tudo isto, nas últimas semanas abafam-se, cada vez mais, quaisquer «lufadas» de ar fresco e esperança. Parecemos ainda não ter aprendido com a situação atual a estimar o tempo que aqui temos, a dar valor à vida. Porque as preocupações do agora são rigorosamente as mesmas que há uns tempos: programas extensos e pouco tempo para debitar a matéria; exames nacionais aproximam-se e estamos muito atrasados nas metas curriculares; é preciso fazer testes, mesmo que pelo computador, porque é impreterível lançar notas no final do período, para que possamos classificar cada aluno através de números.

Basta de fichas e tarefas, de matérias e programas, chega de testes e de notas! Vamos antes aprender através da história, da filosofia, da biologia, de tantas outras «disciplinas» como aproveitar o lado positivo, que certamente existe, da difícil situação que vivemos. Vamos antes aproveitar as novas tecnologias para que possamos efetivamente estar próximos uns dos outros de forma autêntica, compreensiva, humana, numa altura em que parecemos estar tão afastados. Deixemos de ser cegos, foquemo-nos no que verdadeiramente interessa!

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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