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A Associação de Estudantes da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (AEFBAUP) denunciou esta quarta-feira, 15 de Janeiro, a “falta de condições” dos espaços de trabalho, adiantando que “os estudantes estão há mais de um ano submetidos a infiltrações” nos pavilhões.

Em declarações à Lusa, Francisca Moura, representante da associação de estudantes, afirmou que os alunos têm feito vários “esforços” para expor os “problemas” das instalações à direcção e à reitoria da Universidade do Porto (UP), mas que, até ao momento, “não houve qualquer resultado visível”. “Os alunos estão há mais de um ano submetidos a infiltrações nos espaços de trabalho”, disse.



De acordo com Francisca Moura, neste momento são “várias as salas sem extracção de ar”, mas os “espaços mais críticos continuam a ser” o pavilhão de escultura, local onde os alunos trabalham o mármore, e o pavilhão de pintura, de onde “cai água do tecto”.

“O mais crítico é o pavilhão de pedra, que é mais um barraco, onde os alunos trabalham o mármore. Fazem-no sobretudo no Inverno e o pavilhão é completamente aberto. Estão cerca de 30 alunos a trabalhar com rebarbadoras e o chão, onde passam triplas, está alagado de água”, afirmou, adiantando que, no pavilhão de pintura, “os alunos tiveram de criar uma espécie de funil gigante para desviar a água” e proteger os seus materiais.

Segundo Francisca Moura, em 2019 decorreu uma “reunião geral” na qual foi apresentado o projecto de reabilitação dos edifícios à comunidade escolar, sendo que nessa reunião ficou assegurado que, durante o período de obras, as “aulas seriam transferidas para módulos colocados num terreno anexo à faculdade”.

“Na reunião alguns professores mostraram um certo descontentamento face a algumas questões do projecto e por não terem sido contactados no que toca a decisões técnicas. O mesmo com os alunos, que não foram de forma alguma consultados e são quem mais sofre com estas alterações”, salientou, afirmando que desse descontentamento dos estudantes resultou uma “carta aberta”.

“Ficou combinada uma outra reunião onde estivessem tantos alunos como professores e dirigentes para decidir a distribuição dos espaços. Até agora, não fomos contactados relativamente ao assunto e a direcção parece estar esquecida de tal. O projecto seria para iniciar agora em Janeiro, mas não são visíveis, para já, quaisquer indícios”, garantiu.

A Lusa contactou a direcção da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP), mas, até ao momento, não obteve nenhuma resposta.

Há cerca de um ano, numa entrevista à Lusa a propósito da tomada de posse enquanto directora da FBAUP, Lúcia Almeida Matos adiantava esperar “que as obras de reabilitação de um dos edifícios” ficasse “resolvida” em 2019, apesar de não acreditar que “a expansão de terrenos anexos à FBAUP” fique concluída durante o seu mandato.

“Há que definir o que é que queremos para aqueles edifícios e isso vai ser demorado. Tem de ser muito discutido, negociado, temos que estabelecer prioridades. Vai ser um processo que vai demorar e uma vez fechado isso, o chamado programa para aqueles espaços, então lançar concursos para arquitectura, etc. O que queria neste mandato era tornar o processo irreversível”, afirmou Lúcia Almeida Matos.