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Desabrigar o corpo em nome de quem arrisca ser sem abrigo. O calendário solidário da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) está de volta e com ele fotografias de atletas da associação como vieram ao mundo. Esta edição de 2020 não tem apenas como foco angariar verbas para o Fundo Social de Emergência da academia, como também para combater os problemas de alojamento da comunidade estudantil. 

Organizado há já cinco anos pela AAUM, o “Calendário Solidário” faz-se de solidariedade e nudez, procurando juntar dinheiro para Fundo Social de Emergência da academia, que apoia estudantes com dificuldades económicas, com um produto onde os intervenientes são atletas e estão nús.

No entanto, a edição deste ano procura ir mais longe, querendo também atacar as dificuldades que os estudantes da instituição sofrem para encontrar habitação. Segundo o comunicado veiculado pela AAUM, o “conceito de desabrigo perpassa toda a iniciativa do calendário solidário“, seja ele ele económico, social ou mesmo físico. Aqui, os “retratados estão desabrigados”, tal como “os estudantes que se batem com dificuldades em encontrar casa”, lê-se no documento.



“O problema da habitação é um problema grave, que deve ser olhado com extrema preocupação”, diz Ricardo Machado, alumnus da UMinho e um dos elementos da associação Ordem Profética que fez parte da fotografia que reencenou a Última Ceia. “É uma responsabilidade de todos, garantir que os estudantes possam ter as melhores condições para ter acesso a ensino de qualidade, pois este é um factor decisivo para o desenvolvimento do nosso país”, adiantou.

Outro dos presentes neste calendário e cuja participação teve em mira o problema do alojamento é Ricardo Aido, médico da Seleção Nacional de Voleibol. “Este é um tema que tem que forçosamente que fazer parte dos problemas que urge resolver. Actualmente é sufocante para quem se vê obrigado a estudar fora da sua cidade, quer pela escassez de oportunidades quer pelos preços galopantes e que nos últimos anos não param de subir”, comenta, sublinhando a gravidade de “termos estudantes cujas famílias não têm habitação nas grandes cidades a não conseguir frequentar o ensino superior em Portugal.”

Um dos grandes destaques desta edição vai também para Diogo Branquinho, antigo aluno e atual jogador de andebol do FCPorto, que diz que com o calendário “conseguiu-se arranjar uma forma engenhosa para que desportistas de eleição fizessem arte, e com essa arte ajudassem os outros.”

Chegado à sua quinta edição, o “Calendário Solidário” tem vindo a tornar-se “uma referência da cultura de solidariedade e responsabilidade social tão caraterística das gentes da Universidade do Minho”, comenta Nuno Reis, presidente da AAUM.

As versões prévias do “Calendário” já permitiram, segundo a AAUM, depositar 20 mil euros na conta do Fundo Social de Emergência. Este é uma “prestação pecuniária” que se destina a “colmatar situações pontuais decorrentes de contingências ou dificuldades económico-sociais” dos alunos e que “não possam ser convenientemente resolvidas no âmbito dos apoios previstos pelo sistema de Ação Social para o Ensino Superior”, adianta a organização.