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No contexto atual, vivem-se tempos bastante conturbados, quer para aqueles que em breve farão parte do ensino superior, quer para aqueles que dele já fazem parte.

Basta uma breve pesquisa em qualquer rede social, para observar que os relatos dos estudantes são os de desalento, confusão, e de que este ano letivo se trata de um ano letivo perdido.

Muitos, por dificuldades financeiras adjacentes à atual conjuntura económica, irão deixar os estudos para segundo plano, outros continuarão a estudar, no entanto, esses agora fá-lo-ão com uma perspetiva de futuro não tão otimista. Inúmeras empresas não conseguirão continuar a sua atividade económica e a criação de emprego nos próximos anos vai ser bastante difícil de sustentar.



E por isso, este é o momento ideal para se fazerem as reformas no ensino, quer seja na reformulação dos métodos de ensino para métodos de ensino que permitam mais liberdade de aprendizagem, e não apenas e só o que está nos manuais escolares, permitindo assim os alunos não serem avaliados apenas por testes e exames que só avaliam a sua capacidade de memorização, quer seja também na liberdade de escolha dos exames que os alunos do secundário têm para o acesso ao ensino superior, sim, porque o modelo atual, convém não esquecer o que acontece sem uma pandemia, não permite que estudantes que se queiram candidatar ao ensino superior possam decidir não fazer alguns exames, basta observar os casos em que muitos estudantes do ensino secundário sabem no 12o ano que cursos querem, sabem que esses cursos não necessitam de Português como prova de ingresso, por exemplo, no entanto o nosso sistema educativo obriga esses estudantes a terem que fazer esse exame, e quando perguntam porquê? do outro lado respondem, porque sim.

A reforma do ensino não se faz isoladamente

Mas a par destas reformas no ensino, tem que haver uma profunda reforma a nível económico em Portugal, o país necessita de fomentar a criação de novas empresas, e sobretudo colocar o ensino mais próximo do mundo empresarial, não é só com parcerias para os estudantes irem visitar as instalações de empresas ou fazerem mini-estágios e depois irem embora, nada disso, o que é necessário é inverter o paradigma atual na relação entre ensino e economia, isto porque atualmente a maioria dos estudantes termina o ensino secundário e vai imediatamente para o ensino superior, fazem-no porque a alternativa atual, em Portugal, em não ir para o ensino superior, é na sua grande maioria, trabalhar precariamente, em más condições, e sem perspectiva de subida no elevador social, e portanto ir para o ensino superior acaba por ser a solução, não propriamente para enriquecer culturalmente mas apenas para enriquecer monetariamente.

Inverter o paradigma?

Quando falo em inverter o paradigma atual entre ensino e economia, refiro-me a que é necessário criar as condições de forma a que ir para o ensino superior não seja a única via para subir no elevador social, é necessário fortalecer e aumentar drasticamente a qualidade do nosso ensino profissional sobretudo para aumentar a sua credibilidade junto das empresas e junto dos estudantes, se isso acontecesse, haveria muitos estudantes que não necessitariam de ir para o ensino superior, muitas vezes fazendo sacrifícios pessoais e financeiros, ou estarem em cursos que nem sequer gostam mas em que estão simplesmente pelo bom nível de empregabilidade que têm, e assim poderiam numa primeira fase encontrar emprego em algo que gostassem ou até se adequasse à formação prévia do ensino secundário ou profissional que tivessem, e depois disso, dependendo das ambições de cada um, poderiam ir para o ensino superior, isto não só resolveria o problema da falta de vagas no ensino superior como também aumentaria o número de população jovem ativa em Portugal. Até porque se assim não for, podem ter a certeza que vai continuar a haver muitas pessoas que vão estudar durante mais de 12 anos e depois mais 3 anos e mesmo assim ainda não vai ser suficiente para arranjarem um emprego em que lhe paguem um pouco mais do que o salário mínimo. Eu não quero isso para o sistema educativo nem para a economia do nosso país, não o quero agora, nem nunca irei querer.

Tal como dizia Agostinho da Silva: “O que é necessário num país é haver os 3 s’s, sustento, saber e saúde”. No que toca ao sustento, este vai ser dizimado, no que toca ao saber, este vai ser perdido, no que toca à saúde, esta vai ser danificada, resta apenas esperar que pelo menos esta crise sirva para que se façam as reformas estruturais necessárias, no sustento, no saber e na saúde, não só para resolver esta crise, como também para nos preparar melhor para as próximas, sim, vai sempre haver uma próxima.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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