Imagem da Comissão de Praxe de Engenharia Biomédica do IST

Caloiro: (re)aprender a caminhar!

O ano de caloiro… sem dúvida um dos anos em que mais coisas mudam na nossa vida. Realidade diferente, local novo, pessoas desconhecidas e todo um mundo de novas oportunidades e uma montanha de desafios a conquistar. Num ápice, no momento em que entramos pela primeira vez enquanto alunos na instituição que será a nossa casa nos anos seguintes, tudo muda. Deixamos de ser os maiores e passamos a ser os mais pequenos, deixamos de ser os mais velhos da nossa (agora) antiga escola e passamos a ser os mais novos dentro desta nova “moradia”…deixamos de estar no topo da cadeia alimentar e passamos a estar na base da hierarquia. A partir deste momento cabe-nos a nós, e só a nós, começar a subir os degraus da enorme escada que é a praxe.

De repente deixamos de ser diferentes entre iguais e passamos a ser iguais entre iguais. Tudo muda e é agora tempo de ir à luta nesta nova etapa. Conhecemos novas pessoas, fazem-se novas amizades, é-nos incutido um amor à casa e às cores que (indo ao encontro do que se espera) iremos envergar com orgulho, criam-se laços, reforçam-se valores e quando damos por nós já temos dentro de nós alguma coisa que, por muito que não se consiga explicar, nos faz voltar a cada dia, a cada concentração, a cada atividade. No entanto, nem tudo nos é dado a conhecer logo à partida. Tudo vai sendo conquistado a cada dia que passa, cada peça deste enorme puzzle que é o ano de caloiro vai sendo adquirida à medida que o tempo passa…e a verdade é que no final as peças encaixam todas, mas a isso já lá iremos.



Recordo-me perfeitamente da pergunta dos meus pais quando eu lhes disse que queria fazer parte da praxe da minha faculdade: “Mas o que vais lá fazer? Para que é que tu vais submeter-te a isso?”, diziam eles. A minha resposta foi simples, se calhar a mesma que continuo a dar hoje quando vêm outras pessoas fazer-me a mesma pergunta: “Vou viver, eu quero viver.” E assim foi. Vivi momentos intensos, fiz grandes amizades, estive presente em momentos que agora dão boas histórias para contar, ri, brinquei, cantei, berrei, chorei muito, saí exausto, rouco, cansado e suado…mas sempre que fazia isto eu saía feliz!

Lembro-me de umas palavras de um membro da minha Comissão de Praxe que nos dizia: “Este é o ano em que vocês vão aprender a gatinhar. Daqui para a frente cabe-vos a vocês aprender a andar e depois a correr.” Sim, estas palavras continuam a fazer todo o sentido. O ano de caloiro é aquele em que as pessoas que nos recebem e nos acolhem nos dão todas as bases que precisamos de ter para fazer um percurso de enorme sucesso. Tal como um pai auxilia os seus filhos a dar os seus primeiros passos, também os doutores (Caros Colegas agora, mas na altura Excelentíssimos Senhores Doutores) nos auxiliam nestes primeiros momentos desta grande caminhada. Também eles estão lá para nos levantar quando caímos, para garantir que continuamos a tentar andar mesmo quando parece difícil prosseguir, para garantir que por maior que seja a queda nada nos poderá magoar.

Sim, o ano de caloiro é um enorme puzzle que vai sendo montado à medida que o tempo passa. Sim, chegamos ao final e as peças encaixam umas nas outras na perfeição. Sim, chega ao final e parece que se sente um enorme vazio no coração por “tudo” ter chegado ao fim. No entanto, o final do ano de caloiro não é o fim de nada, é apenas o começo de um percurso que pode ser muito bonito. É normal acabar-se este ano e pensar que não voltaremos a ter um ano tão bom como este. Mas isso não corresponde à verdade…cabe a cada um de nós fazer do seu percurso uma melhoria constante, com momentos cada vez melhores à medida que o vamos percorrendo. Cabe a cada um de nós decidir se depois de deixar de ser caloiro quer continuar a “viver”.

Sim, tal como tudo na vida, o ano de caloiro também teve um fim. Estava então na altura de deixar de gatinhar e aprender a andar…o objetivo esse é muito claro: conseguir correr!

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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