Boa tarde Sr. Ministro, fala uma aluna universitária, uma Caloira, uma Doutora, aliás, Ilustre Doutora, uma Finalista.

Venho por este meio expressar a minha revolta com esta situação. Praxe. É o que se fala. Por todo o país, seja online, em casa ou na rua. Tantas opiniões sobre o que é a Praxe. Mas a verdade é que a Praxe é diferente de pessoa para pessoa. Sabe disso? Participou nas suas? Apesar de todas as opiniões, há um aspeto que é igual em todas, sejam elas positivas ou negativas: a Praxe é FACULTATIVA. Só lá anda quem gosta, quem quer. Ninguém é obrigado nem posto de lado só porque não participa.



Após quatro anos sou finalmente finalista, dizem que é difícil sair da Universidade, eu digo-lhe que fiquei cá porque gosto destas andanças praxísticas. É verdade Sr. Ministro, fiquei mais um ano na Universidade para poder praxar mais um ano. Infelizmente não tenho posses de andar cá mais anos, de outra forma andaria os que pudesse para poder praxar os novos caloiros. Já ouviu a versão das dezenas de milhares de estudantes que andam pela praxe? Ou apenas formou a sua opinião com base nas redes sociais e comunicação social?

Como deve saber, o último ano de universidade é sempre o mais choroso e sentimental. Nós finalistas temos um poder tremendo de conseguir ser mais sentimentais que as mulheres com o período. É verdade Sr.Ministro. Levamos muito a sério a nossa Semana do Caloiro e a nossa Semana Académica por serem as últimas, mesmo sabendo que por mais cinco anos vamos andar a visitar os nossos afilhados e a participar nas deles. E ai de quem nos ouse tirar isto de nós. Qual é o meu espanto, que na minha cidade, a minha Semana do Caloiro, foi alvo de uma tentativa de acabamento. Pois é, estamos nós os Superiores, porque o somos, os Doutores, Engenheiros e Enfermeiros, contentes da nossa vida para irmos batizar os nossos afilhados, porque são nossos e temos esse direito, e a nossa “fonte” está seca. Sequinha. Fomos batizá-los ao rio. “Que vergonha”. Ainda bem que não estava lá a CMTV pois ainda dizia que os íamos deitar ao rio. Estas bestas de negro iam deitar os pobres dos caloirinhos ao rio. Estas bestas de negro fizeram isto e aquilo aos caloiros. Mas esquecem-se que estas bestas de negro também passaram por aquilo, e têm um orgulho enorme ao poder sussurar umas palavras de apoio aos afilhados, nem que seja dizer-lhes apenas que se prepare que a água é fria. Pois digo-lhe Sr. Ministro estou extremamente chateada que as minhas afilhadas não possam ter sido batizadas onde manda a tradição, onde eu fui e a minha madrinha antes de mim.

Sabe o que é a Praxe para mim? Família. Não preciso de mais palavra nenhuma para descrever. Adquiri muitos valores a ser praxada, a encher, a levar com nhanha em cima, também lhes respondi sabe? Porque as bestas de negro que me praxaram sempre me disseram que nós também tínhamos boca para falar. E não me calei quando achei que não estavam a ser justos. Mas preparei-me que o mundo não é de justiças mas de injustiças. E que grande injustiça que vivemos neste momento. Sabe que 90% da comunidade praxística não fez, não pensa em fazer e é contra quem faz esses atos que só mancham o bom nome da praxe? Devia saber Sr. Ministro. Sabe que se aplicássemos o seu método ao terrorismo já não andava cá ninguém? Afinal, segundo o Sr. Ministro, para acabar com o terrorismo temos que impedir que o terrorista o pratique, nada melhor então que acabar com todas as pessoas do mundo, porque somos todos terroristas. É uma comparação certa.

Não me querendo alongar mais Sr. Ministro, vou acabar com um apelo. Apelo a si e a toda a comunidade portuguesa: não tentem acabar com as praxes. A Praxe é nossa. Vai sempre ser nossa. Castiguem quem desrespeita o traje, quem desrespeita o caloiro, castiguem! Só não nos castiguem a nós Sr. Ministro, a nós que gostamos disto, que vivemos disto, que queremos isto mais que o senhor ou outro qualquer.

Alguma vez viu uma terça-feira negra? De certo é o que estamos a precisar, de unir os estudantes de Norte a Sul e mostrar ao Sr. Ministro o que é uma terça-feira negra.

DURA PRAXIS SED PRAXIS.

Colabora!

Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

Gostavas de publicar um texto? Colabora connosco.