A minha história não é nem de certo vai ser (se ainda te vais aventurar no Ensino Superior) muito diferente da vossa. Sou a Micaela, tenho 19 anos e sou de Aveiro.

A minha aventura começou há cerca de 2 anos quando me candidatei a Universidade. Desde pequena que tencionava ser veterinária devido à minha grande paixão que tinha por animais e podia dizer mesmo que era mesmo assim, tudo o que houvesse para saber, eu certamente sabia. Já na adolescência por volta dos 13 anos, o meu destino começou a traçar-se outro e cada vez me interessava mais pelo inglês e por viajar. Desde então, sempre me foquei no que queria realmente, tirar uma licenciatura em turismo ou ser hospedeira de bordo. E eis a grande questão: o que será melhor para nós aos 18 anos? Partir numa aventura de 3 anos de licenciatura no nosso curso eleito ou partir para entrevistas de trabalho, neste caso o mencionado, fazer um curso de cerca de 3 a 6 meses num país selecionado e começar a exercer a função?



Enquanto os resultados não saiam, a minha cabeça andava a mil: pesquisava por tudo onde era site acerca das hospedeiras, dos cursos, cheguei até a ligar para lá a perguntar informações (que na altura não podia ir às entrevistas e à seleção por ainda não ter o diploma do 12º ano, entre outras coisas). No geral, tinha muitas desconfianças das minhas capacidades e não me sentia pronta para o que vinha a seguir.

Chegou o dia das colocações. O refresh no e-mail era constante. E quando finalmente vi onde tinha sido colocada… bem, não era o que estava à espera.

Todo aquele impacto inicial das tuas amigas estarem a dizer todas entusiasmadas onde foram colocadas… e eu bem, tinha a esperança de ficar no Porto ou em Coimbra, tinha amigas em Viseu e tinha sido colocada em Peniche. Todo aquele impacto deixou-me a chorar a noite toda. Tanto tinha esperado por aquele momento e agora chorava. Foi assim que então, apesar de ter feito a inscrição e ter ido até à escola, concorri à segunda fase. Devo dizer que aqueles 15 dias que se seguiram foram uma completa tortura mas tudo acabou por melhorar e entrei em Viseu.

Acho que todos temos aquela visão de ir para longe e começar do zero mas, na verdade não é bem assim: eu vi-me sozinha em Peniche e a minha reação não foi tão boa como pensava e não estava pronta. Em Viseu já tinha amigas de infância e outras que me acompanharam durante o meu ano de caloira.

Continuei sempre com o receio de ser incapaz e de só estar a gastar dinheiro aos meus pais mas bem, acabei agora o segundo ano e não podia estar mais contente por estar onde estou. Ao longo dos últimos dois anos, sinto que ganhei muito mais confiança nas minhas capacidades e independência.

Aquela “coisa” de te perguntarem onde estudas e dizes “Viseu”, e as pessoas muitas vezes parece que olham como se estudar só no Porto, Coimbra ou Lisboa fosse bom, é tudo mentira. Toda a cidade tem o seu encanto e eu agora não trocaria Viseu nem as amizades que fiz por nenhum Porto ou Lisboa. Eu sei porque eu inicialmente pensava igual mas afinal… vamos deixar-nos dessas tretas.

Não sei se existe alguém na mesma situação em que eu estive mas pensem bem: no meu caso eu queria ser hospedeira mas vamos pensar. Se tivesse seguido diretamente esse caminho, faria esse curso mas como já sabem as hospedeiras não podem ter mais de 35 anos. Que fariam depois apenas com o 12º ano? Preferi ir pelo seguro e tomar a licenciatura por garantia e quem sabe, quando a acabar não sigo na mesma essa carreira. Pensem sempre no que é melhor para vocês e sigam sempre o que gostarem, que acreditem é gratificante.

Acerca do meu ano de caloira? Com experiência nestes dois últimos anos, o primeiro ano foi sem dúvida alguma o melhor, mas isso só vos conto depois, é outra história.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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