Como é do conhecimento de todos nós, vivemos num mundo cada vez mais marcado pela tecnologia, em que cada vez mais ela assume um papel absolutamente crucial nas nossas vidas de tantas formas que, de uma forma não despropositada, julgamos já não conseguir viver sem ela. Este boom tecnológico levou a que as Ciências Exactas fossem, claramente, muito valorizadas. Isso não é, de todo, mau! Mas será que não nos estamos a esquecer de outras áreas igualmente importantes?

Na minha óptica, estamos. Tal como alguns já têm feito, eu saio em defesa da minha área: as Ciências Sociais e Humanas e as Humanidades. Ela são importantes, sim. E assumem cada vez mais importância, dados os acontecimentos que ultimamente surgem à escala global. Encarregados de Educação e familiares exaltam-se (por vezes até agressivamente) a afirmar que “Humanidades é para burros” ou para aqueles que não têm hipótese de sucesso para seguir as áreas tecnológicas. Isto é algo que, com uma urgência cada vez maior, necessita de ser desmistificado.



As Ciências Sociais/Humanidades não dão para criar softwares nem conceber smartphones, mas dão, por exemplo, para pensar a acção humana. E cada vez é mais necessário pensar para se poder intervir, para se poder agir, para poder resolver problemas da sociedade. Enquanto a maioria de nós vive no maior conforto, há pessoas sem casa, no desemprego, ou em condições míseras de vida, e isso são coisas para que a tecnologia não oferece solução! São problemas de caráter eminentemente social, que necessitam de ser estudados, pensados, discutidos! Para tal é necessário especialistas. Pessoas que sejam capazes de relacionar o passado com o futuro (historiadores), pessoas que se dediquem ao pensamento, e à reflexão para a acção (filósofos), pessoas que estudem os movimentos populacionais (demógrafos) entre muitas outras disciplinas.

O mundo com a tecnologia, é sem dúvida um mundo melhor. Mas que essa tecnologia não nos aliene da nossa vida e convivência em sociedade. Não nos distraia que existem outras coisas para além dela que merecem igual importância, que devemos repensar, especialmente no momento conturbado em que vivemos, a nossa forma de estar e de agir com o nosso próximo. Valorizemos as áreas humanísticas e quem por elas quer enveredar e, concluindo, acabemos com o preconceito de que umas áreas são melhores que outras. O equilíbrio, neste caso, será um grande trunfo e, na minha óptica, contribuirá para um progresso muito mais sustentável, harmonioso e ético da sociedade e da humanidade.

Colabora!

Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

Gostavas de publicar um texto? Colabora connosco.