Ensino Secundário. Se o objetivo for ingressar no Ensino Superior, todos temos de nos cruzar com ele. Sempre fui da opinião que esta fábrica de caloiros foi concebida com a finalidade de formatar marrões, batedores de cabeças em livros para alcançarem a tão desejada nota. Afinal, o que se segue é uma competição feroz para ver quem entra primeiro no cobiçado curso. Desde o 10º ano que os professores nos falam de como será a fase seguinte das nossas vidas (e, na verdade, estávamos ainda a iniciar uma outra). Exigem-nos mais e melhor mas, se o resultado não for o pretendido, chamam-nos à parte e oferecem todo um discurso motivacional, sobre como devemos aumentar as notas.

Falo por experiência. Passei todos esses 3 anos a decorar matérias, para a seguir despejar no teste e esquecer tudo. Safei-me bem. Reconheço até que encaixava perfeitamente no estereótipo da “queridinha dos professores” ou a “aluna modelo”. Hoje, no 2º ano de um curso de Engenharia, percebo cada vez melhor que quem eu era não se assemelhava em nada ao que o mercado pretende. Eu… vou dizê-lo… era um robô. Vomitava matéria de livros, sem o mínimo de perceção real ou espírito crítico sobre o que me debitavam.



Não há lugar na sociedade para pessoas assim. Os computadores são uma ferramenta bem mais barata e eficaz, para o mesmo trabalho.

Quando entrei no meu primeiro ano de faculdade, comecei a ver as minhas notas a deslizarem por um escorrega sem fim. E eu sem meio de as agarrar. Os nervos e a ansiedade das notas baixas, ou até negativas, eram mais que muitos. Mas afinal, o que estava eu a fazer mal? Se sempre tinha funcionado, o que estava agora a falhar?

O problema era a falta de espírito crítico e pensamento livre de que falei anteriormente. Essa é a característica que faz de nós humanos e superiores às máquinas. Quando estamos a aprender, o truque é perceber do que se está a falar. Tem mais valor alguém que saiba o que faz, mesmo que não o saiba expressar corretamente num teste, do que alguém que despeja tudo o que sabe, mas que a seguir não compreende o que escreveu.

Pensemos, amigos. É aí que a Universidade nos molda e ensina.

Vejo colegas meus a, praticamente, arrancarem cabelos, para conseguirem aquela nota que fica tão bem na média, enquanto eu, calma e serena, estudo para compreender e não para mastigar. E o resultado final revela-se, quando tenho, muitas vezes, notas melhores quando parece que estudei menos.

Não se enervem com as negativas ou com as reprovações. Façam por perceber o que correu mal e como podem melhorar. Serão muito mais felizes.

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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