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Talvez começar do zero seja a palavra que realmente clarifica toda a minha vida num passado infeliz e um futuro incerto.

Tinha eu treze anos quando vivenciei uma das minhas piores experiências de vida, a violência tinha chegado até mim e com ela trouxe dias de terror, era mais uma vítima de bulliyng no meio de outras tantas.

A dor, o medo, a solidão e a insegurança tomaram conta de mim nos últimos tempos, só queria colocar um fim a tudo mas em todas as tentativas de o fazer não obtive sucesso.

Não queria nada, nem sequer a carta de condução, só queria ir para as obras e viver um dia de cada vez, mas nem isso me deixaram fazer.

Felizmente tenho uns pais presentes na minha vida e fui “obrigado” a fazer pelo menos o 12°ano e para trás tive de deixar o sofrimento que carregava nos ombros há mais de cinco anos e tive de recomeçar.

Não, isso não implicou gostar de mim ou amar-me porque isso já o tinham tirado, mas aquele rapaz de 100kg que não tinha autoestima tinha morrido naquele dia. Emagreci, comecei a cuidar de mim e lutei pelo meu futuro.

Quando concluí o 12°ano dei por mim a começar do zero e a candidatar-me ao melhor Instituto Politécnico do país.

Apaixonei-me pela área do turismo e decidi frequentar um CTESP de Promoção Turística e Cultural, a experiência académica sem dúvida que mudou completamente  o rumo da minha vida.

Na vida académica ganhei coragem, não só de me libertar e deixar de ser aquele rapaz tímido mas também em libertar todos os textos que escrevia como desabafo, foi graças a essa coragem que comecei a participar na edição de livros com outras pessoas e passado dois anos (2020) dei por mim a colaborar com um jornal que recebe todas as crónicas que escrevo e do nada, já era autor de quatro livros e com 14 participações.

Talvez não seja o melhor exemplo para muitos de vocês mas quero ser o exemplo de que não devem desistir dos vossos sonhos.

Estamos a lidar com um vírus que nos tirou as festas académicas, a praxe, as conversas e tudo o que nos unia, mas não podemos desistir, não podemos pensar que teremos um futuro incerto e que não vale apena o esforço para ter um curso, não podemos pensar que no final foi uma perda de tempo, quando não o foi.

Nós somos o amanhã, somos o futuro e o país vai depender de nós, não o podemos deixar só.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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