Enquanto alguém que já passou por um estágio curricular no passado, sobre o qual tive de escrever um relatório, talvez a minha experiência possa servir de ajuda a quem se prepara para entrar nessa nova etapa da sua vida académica. Um relatório não é um quebra-cabeças – desde que comecemos a trabalhar nele cedo e não deixemos para o final.

 

1. Começa no dia 1 do estágio

A maioria dos estudantes cometem o erro de deixar para o relatório para o final do estágio, quando poupariam mais de metade do tempo se o fossem desenvolvendo desde o primeiro dia. E com isso eu não quero dizer que tens de te sentar, depois de oito horas de trabalho, e começar a redigir o relatório. Não! O que eu quero dizer é: se na primeira semana estiveste a trabalhar num projeto, então vai tomando nota dos pontos fundamentais desse projeto conforme ele for sendo desenvolvido. Pode ser sob a forma de pequenos textos ou de tópicos; o importante é não permitir que esses aspetos importantes sejam esquecidos no futuro (porque acredita: vais esquecer!).



2. Não deixes a bibliografia para o fim

Investiga quais os livros que mais se adequam ao trabalho que fazes no teu estágio (e isso provavelmente só conseguiras definir depois de uma ou duas semanas) e faz uma seleção daqueles que podes ir lendo ao longo do estágio. Quando fizeres algum projeto mais específico, não te esqueças de procurar bibliografia igualmente específica. Para saberes como pesquisar, organizar e referenciar a tua bibliografia, podes consultar o meu artigo anterior: Como pesquisar e organizar para um artigo académico. Os princípios são essencialmente os mesmos.

 

3. Deixa a estrutura pronta

É mais fácil começar quando já tens um documento pronto para ser trabalhado. Por isso, antes mesmo de começares a escrever, deixa reservadas as páginas dedicadas a secções especificas. A estrutura habitual de um relatório de estágio (mas não é absoluta e definitivamente não é aplicável em todas as áreas) é:

  • Capa
  • Agradecimentos
  • Resumo/Abstract (português e inglês)
  • Índice de Conteúdos
  • Índice de Figuras
  • Introdução
  • Projetos Desenvolvidos (normalmente com descrições bastante exaustivas destes)
  • Conclusão
  • Referências
  • Recursos Utilizados

Tendo a estrutura pronta, é só começar a encaixar a informação em cada secção. Mas atenção: deixa a Introdução e a Conclusão para o fim. É muito mais fácil.

 

4. Tens de fundamentar tudo

É nesta parte, essencialmente, que entra a parte da bibliografia e da investigação. Eu, por exemplo, estagiei na área do design gráfico – uma área que, apesar de ser necessária técnica e conhecimentos teóricos, funciona muito à base de intuição e preferências estéticas. Mas eu não podia simplesmente colocar no meu relatório “Escolheu-se vermelho por uma questão de preferências pessoais”. Não: é preciso justificar melhor que isso. Daí a bibliografia; algures, nalgum livro ou artigo, temos de encontrar alguma teoria que justifique o uso daquele vermelho naquele projeto. Daí que, lá em cima, eu tenha referido que não se deve deixar a bibliografia nem a descrição dos projetos para o fim; para encontrar informações específicas, é preciso tempo.

 

5. “Tu” não existes num relatório

Já mencionei isto noutros artigos, mas é uma questão que nunca me canso de referir: relatórios não se escrevem na primeira pessoa. “Nós” não existimos num relatório; ele deve ser escrito de forma impessoal. Ou seja: em vez de “eu escolhi o vermelho devido ao seu tom quente e energético”, escreve-se “escolheu-se o vermelho devido ao seu tom quente e energético”. Para quem não está habituado, pode ser estranho ao início, mas ao fim de algumas páginas ganha-se o jeito.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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