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Como ingressar no mundo da consultoria? Quais são os desafios e principais fatores de sucesso?


Consultoria estratégica é uma das indústrias mais procuradas pelos alunos de Economia e Gestão, mas também por talento de outras áreas, como as Engenharias e Matemáticas. Estes estudantes são atraídos pela possibilidade de contacto com quadros superiores das maiores empresas do país, resolução de problemas e perspetivas de evolução bastante cedo na carreira. Pessoalmente, um outro fator que me atraiu para esta área foi a sua abrangência, uma vez que possibilita uma interação direta com diversos setores de atividade.

Apesar de consultoria ser extremamente apelativa para os recém-graduados, os processos de recrutamento são difíceis e bastante competitivos. As maiores consultoras estratégicas, como a BCG, a McKinsey&Co. e a Bain & Company incluem diversas fases de seleção, nomeadamente análise de CVs e Cartas de Apresentação, testes ou jogos, culminando, para um número restrito de candidatos, em entrevistas realizadas pelos consultores e sócios da empresa.

A maioria das consultoras procura candidatos polivalentes, isto é, pessoas com uma capacidade intelectual elevada, aliada a uma grande inteligência emocional. Assim sendo, soft skills como resolução de problemas, liderança, trabalho de equipa e criatividade são altamente apreciadas, não só pelas equipas de recrutamento, como também pelos consultores e sócios que participam nos processos de seleção.

Na minha opinião, a principal dificuldade centra-se nas entrevistas. Estas são normalmente divididas em duas partes:

i) A parte pessoal, onde todas as soft skills anteriormente mencionadas, as atividades extracurriculares e outras experiências são avaliadas – é nesta fase que as consultoras testam se o candidato se enquadra ou não na realidade da empresa.

ii) A parte do case study, normalmente uma versão simplificada de um projeto em que o consultor esteve envolvido. Nesta fase, as capacidades em observação serão as competências analíticas, nomeadamente cálculo mental, sentido de negócio, organização e estruturação do problema.

O meu primeiro contacto com consultoria estratégica foi durante o segundo ano da minha Licenciatura em Economia, através da Nova Junior Consulting (NJC), a júnior empresa da Nova SBE. A NJC presta serviços de consultoria estratégica, financeira e de gestão a vários tipos de clientes, incluindo grandes instituições, start-ups e ONGs. Desde o meu ingresso, tive a oportunidade de participar em cerca de 7 projetos, interagindo com múltiplas indústrias e clientes.

Estou convicta que a Nova Junior Consulting foi uma enorme ajuda na minha preparação para os processos de recrutamento. Para além da experiência em projetos de consultoria, é também na NJC que é possível desenvolver muitas das soft skills mais procuradas pelas consultoras. Adicionalmente, acaba por ser mais fácil encontrar um parceiro para treinar e receber feedback na preparação para as diferentes fases das entrevistas, uma vez que a maioria dos membros da NJC partilha o mesmo gosto por esta área e é usual encontrar, a todo o momento, quem esteja a participar no processo de seleção.

Concluindo, acredito que a melhor forma de entrar no mundo de consultoria recai em dois grandes fatores, para além da necessária motivação e paixão pela indústria. O primeiro são as experiências e características únicas que definem cada consultor e que acabam por trazer perspetivas e conhecimentos diferentes, melhorando o resultado de determinado projeto. Estamos perante as competências sociais e de soft skills que podem ser desenvolvidas através de atividades extracurriculares. O segundo, são as capacidades analíticas e conhecimento sobre várias indústrias – uma mais-valia, tanto no processo de recrutamento, como no trabalho diário de um consultor. Também neste caso a experiência adquirida nas atividades extracurriculares se releva como um precioso auxílio. Já vimos que a NJC se enquadra perfeitamente no contexto descrito, mas qualquer outra experiência semelhante, contribuirá certamente, em maior ou menor grau, para complementar a formação adquirida nas universidades.