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Um em cada cinco estudantes pensou em suicidar-se. Esta é uma das conclusões do estudo realizado pela Associação Académica de Coimbra (AAC) sobre o impacto da pandemia na situação dos alunos da academia.

Durante o confinamento, sete em cada dez estudantes da Universidade de Coimbra (UC) pensaram, pelo menos uma vez, em abandonar o ensino superior. Apenas 26% dos estudantes responderam que esse pensamento nunca lhes ocorreu.  Quarenta por cento dos alunos da UC disseram que pensaram “muitas vezes” ou “sempre” em abandonar os estudos.

Uma situação “alarmante” no que diz respeito à saúde mental leva os estudantes a pedir a atenção do Estado. João Assunção, presidente da Direção-Geral da AAC, pede um reforço do Serviço Nacional de Saúde para tornar a resposta “mais capaz” ao problema e lança a hipótese de criação de uma “linha exclusiva de apoio a estudantes”.

As dificuldades económicas são um dos principais problemas apontados pelo estudo. Um em cada três alunos tem dificuldades em pagar habitação. Os estudantes pedem a “concretização rápida” do plano nacional de residência estudantil para conseguir albergar estudantes em mobilidade.

Os custos com propinas são, também, um dos fatores de maior preocupação para a AAC. João Assunção quer que o Governo “mantenha a rota de progressiva diminuição” da propina do primeiro ciclo de estudos, com o objetivo de chegar à “propina zero”. O dirigente académico pede ainda a “fixação de um teto máximo” para o segundo ciclo do Ensino Superior.

A comunidade de estudantes internacionais é uma das mais afetadas pela pandemia. Entre os inquiridos pelo estudo, 65% revelou dificuldades em pagar as propinas. João Assunção considera fundamental haver uma “limitação legal” da propina internacional, e que esta se aproxime dos valores da propina cobrada aos estudantes portugueses.

O impacto chega também à AAC. Além de quebras na participação cultural e desportiva, o estudo estima uma perda de meio milhão de euros no último ano, com especial destaque para a impossibilidade de realização das festas académicas.

Apesar da necessidade de promover os eventos académicos, o presidente da Direção-Geral da AAC diz que a instituição apenas o vai fazer se estiverem reunidas “condições de saúde pública”. João Assunção revela ainda estar “muito preocupado” com a portaria que diminui o apoio do Instituto Português do Desporto e da Juventude às estruturas associativas.

Os estudantes vão agora pedir uma audiência às diversas bancadas parlamentares para a apresentação das conclusões do estudo e a discussão de medidas a implementar.

A recolha feita pela AAC contou com uma amostra de 1484 alunos da Universidade de Coimbra e foi realizada entre 17 e 31 de janeiro de 2021.

Linhas de Apoio e de Prevenção do Suicídio em Portugal

  • SOS Estudante (da secção cultural da Associação Académica de Coimbra): neste momento, actua via Zoom, através do ID: 86499283163, entre as 22h e 1h.​
  • SOS Voz Amiga: das 16h às 24h, 213 544 545 – 912 802 669 – 963 524 660. Linha Verde gratuita – 800 209 899 (Entre as 21h e as 24h).
  • Conversa Amiga: das 15h às 22h, 808 237 327, 210 027 159.
  • Vozes Amigas de Esperança de Portugal: das 16h às 22h, 222 030 707.
  • Telefone da Amizade: das 16h às 23h, 228 323 535.
  • Voz de Apoio: das 21h às 24h, 225 506 070.

Todas estas linhas são de duplo anonimato — garantido tanto a quem liga como a quem atende. Para encaminhamento, a linha do SNS24 (808 24 24 24) é assumida por profissionais de saúde.