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Shots em troca de atos sexuais. Foi esta proposta de um grupo de estudantes de Direito (da Tertúlia Capas & Kopos) dirigida às mulheres que estivessem presentes num convívio ocorrido na semana passada, na Alta universitária. Num panfleto que circulou pela academia, a mensagem era clara: num convite apenas dirigido a “meninas”, os organizadores do evento (todos do sexo masculino) garantiam bebidas grátis para as mulheres que se atrevessem a cumprir os desafios. O número de shots ia aumentando consoante a “fasquia” das propostas: uma bebida caso a mulher deixasse “que alguém lhe mordesse o rabo”; duas, se fizesse “sexy strip no balcão” ou beijasse algum elemento do grupo; três, se beijasse uma amiga; quatro, se fizesse “strip no palco” ou se “mostrasse as mamas”.

O cartaz que foi publicado no Facebook e afixado no local da festa

O caso mereceu, de imediato, uma nota de “profundo repúdio” da Secção de Defesa dos Direitos Humanos da Associação Académica de Coimbra (SDDH/AAC).

A atitude do grupo mereceu também a crítica do dux veteranorum da Universidade de Coimbra. Aliás, de acordo com Matias Correia, antes deste episódio, os “Capas & Kopos” já tinham sido sinalizados como sendo “um grupo de risco”.



Grupo recusa pedir desculpa

Entretanto, na segunda-feira, o grupo decidiu responder às críticas. Num vídeo publicado na página de Facebook , elementos da “Capas & Kopos” leem uma nota de “anti repúdio”, mas deixam “claro” que não se trata de um pedido de desculpas.

Na mensagem, onde se assumem como estudantes de Direito, lembram que “uma pessoa só poderá ser considerada inimputável em razão da sua idade ou por anomalia psíquica, mas nunca pelo seu género sexual”.

“Seja homem ou mulher, qualquer género é imputável. Então, se a mulher é imputável, é capaz de pensar e de se autodeterminar. Como é que uma secção da AAC se acha na legitimidade e na obrigação de determinar o que uma mulher pode ou não fazer? Como é que nós somos atentadores da liberdade sexual da mulher ou dos seus direitos, mas vós é que constroem um pensamento fascista e universal em que impõem ao vosso género, um só pensamento?”, questionam.