(adsbygoogle = window.adsbygoogle || []).push({});

Maria (M.): Fala-nos um pouco do teu curso, em que consiste e quais são as suas saídas profissionais.

Daniela Abreu (D. A.): “Relações Públicas e Comunicação Empresarial”, um nome pomposo para uma curso de comunicação. Relações Públicas? Isso não são aquelas pessoas que andam aí a vender pulseiras para as discotecas? Então e Comunicação Empresarial, o que é?

A verdade é que para falar sobre o meu curso é necessário esclarecer primeiro que as Relações Públicas não são aquilo que a maioria das pessoas pensa que são. São, sim, uma função estratégica de comunicação indispensável que permite às organizações serem responsivas para com os seus públicos e aos mesmos compreenderem melhor a organização. Trabalham  portanto como “mediadoras” de relações entre ambas as partes, tendo como objetivo uma adaptação mútua.

Então e a parte de Comunicação Empresarial? Em que consiste? Bem, a Comunicação Empresarial é, nada mais nada menos, que as Relações Públicas em si. As associações ao termo “RP” fizeram com que muitos profissionais de comunicação passassem a preferir outros termos para designar esta função e a profissão.

O meu curso em si consiste na aprendizagem destes mesmos conceitos e de inúmeras ferramentas utilizadas pelos profissionais de Relações Públicas para estabelecer estas relações e cooperar na resolução de problemas comunicacionais que possam surgir. O curso alia a teoria com a prática permitindo-nos não só saber mas saber fazer, aspeto muito valorizado no mercado de trabalho atualmente.

Em termos de saídas profissionais, o meu curso permite formar profissionais em Comunicação e Relações Públicas (de forma generalizada), Comunicação Institucional, Corporativa, Interna e Pública e ainda formar profissionais capazes de realizar consultoria em Social Media, Gestão de Stakeholders, Comunicação de Risco, Gestão de Crises, Comunicação Corporativa, Mediatraining e Relações com os Media.

Nuno Raimundo (N. R.): O curso de Relações Públicas e Comunicação Empresarial, na Escola Superior de Comunicação Social, apresenta uma boa variedade de ensinos para os alunos. Seja na vertente mais pura das RP ou na vertente mais ligada às questões empresariais nesse setor, acaba por conseguir levar aos alunos vastos ensinamentos. Tanto existem cadeiras apenas teóricas, como cadeiras apenas práticas, como cadeiras teórico-práticas.

Principalmente, nos laboratórios, é possível conjugar a tal parte teórica essencial para um RP (que apresenta uma grande carga de aprendizagem logo no primeiro semestre em TTRP e que, a partir daí, acabamos por levar esses conhecimentos para todos os outros semestres) à parte prática, passando por várias áreas ou setores de atividade e diferentes tipos de experiências. Os planos e as campanhas/ferramentas de comunicação de relações públicas ajudam a obter diversas respostas aos diferentes desafios propostos em aula, neste caso, em cada laboratório.

Ao contrário do que algumas pessoas possam pensar, um RP não vai só para a entrada das portas de uma qualquer discoteca… A verdade é que somos uma profissão precisa nas mais distintas empresas. Somos um elo de ligação. Somos “mediadores de relações”, em que um dos objetivos é possibilitar uma adaptação mútua. Podemos trabalhar no departamento de Relações Públicas ou nos departamentos de Comunicação (sejam eles apenas Internos, Corporativos, entre outros). Agências de Comunicação, Gestores de Stakeholders, Gestores de Crises, trabalhar na área dos Social Media (gestor de redes, por exemplo), Relações com os próprios Media, estar numa área mais ligada aos Eventos, entre outras possibilidades, são tudo atividades possíveis para um aluno licenciado em Relações Públicas e Comunicação Empresarial.



 

M.: O que te levou a escolher o teu curso e que factores tiveste em conta? Foi a tua primeira escolha?

D. A.: O interesse pelo curso surgiu já numa fase tardia, durante o 12º ano. Eu sempre adorei comunicar com as pessoas e organizar coisas e no 12º consegui conciliar ambos nas minhas funções na Associação de Estudantes da minha escola, o que me fez perceber que eu tinha de seguir algo relacionado com Comunicação. Tal como a maioria de vocês, usei o Assistente de Escolha da DGES e não foi muito difícil chegar à ESCS. Fiz o meu “trabalho de casa” e procurei muito sobre o curso e sobre a escola. Entrei em contacto com o Gabinete de Comunicação e acabei por visitar a ESCS. Não demorou muito até eu perceber que era mesmo para ali que queria ir e que RPCE seria a minha 1º opção.

Fatores que tive em conta: depois da visita, a Escola e os recursos (materiais) que esta disponibilizava. A ESCS encontra-se muito bem equipada e é uma Escola com uma aparência nova e bastante agradável. Também o prestígio e reconhecimento dado à Escola tiveram o seu peso na minha ponderação sobre a escolha do curso. O facto de o ensino ser politécnico e aliar a teoria à prática também foi um aspeto que me chamou muito à atenção. A opinião de pessoas que frequentam o curso foi crucial, uma vez que também não sabia bem o que era isto das “Relações Públicas” e da “Comunicação Empresarial”. Procurem sempre informar-se.

N. R.: Em resposta à segunda pergunta, curiosamente, foi a minha primeira escolha…no “papel”. Vindo de Ciências, do secundário, e estando bastante indeciso sobre o que iria fazer, visto gostar de algumas áreas para prosseguir os meus estudos, acabei por ter de ponderar bastante sobre esta importante decisão. Portanto, fiz o secundário em Ciências, era para ter ido para…Desporto (sim, passei inclusive em todos aqueles testes, mas há decisões a serem tomadas e algumas não são nada fáceis, podem crer) e terminei numa Universidade mais ligada às Humanidades. Curioso, de facto.

Pouco visto, mas foi mesmo o que aconteceu. Pensei melhor em todos os prós e contras e preferi escolher este curso, nesta faculdade. Tudo o que vi acerca de ambos agradou-me imenso, principalmente a variedade que o curso apresentava e apresenta em termos de ensino. O tal facto de não gostar mais de uma parte em relação a todas as outras acabou por ser decisivo nesse aspeto. Precisava de algo mais “abrangente” e encontrei isso neste curso. Além disso, tive igualmente boas recomendações sobre a ESCS (como excelente instituição, tendo um bom prestígio e reconhecimento, com muito boas condições e instalações, nos vários sentidos, imensas atividades extra – um dos pontos positivos mais fortes para mim – e praxes realmente interessantes e diferentes da maioria, com o objetivo real de integrar bem os alunos). Estar ligado a um politécnico foi igualmente outro ponto positivo (aliando, então, mais a teoria à prática).

 

 

M.: O que é que te surpreendeu pela positiva e pela negativa no curso?

D. A.: É comum em qualquer curso para onde vão descobrirem que aquela cadeira que viram no plano de estudos e que até tinha um nome “fixe” e apelativo afinal é uma seca. O contrário também acontece frequentemente. Isso foram definitivamente surpresas pela positiva e pela negativa, mas acho que faz parte.

Um aspeto que me surpreendeu muito pela positiva foi a relação de proximidade com os professores. Eu acreditava piamente naquele tipo de ensino universitário que nós todos imaginamos: grandes auditórios, turmas enormes. Professores a saber o nosso nome? Era mau sinal. Quando cheguei à ESCS percebi que nada funcionava dessa forma. A minha turma tinha, no máximo, 40 pessoas. As salas eram pequenas, parecidas às da minha escola secundária. Os professores mostraram-se muito mais próximos e disponíveis do que eu sempre esperei.

Não posso dizer que foi bem de forma negativa, mas um dos aspetos que mais me surpreendeu foi também o esforço e trabalho envolvidos no curso. Eu ia pronta e motivada para trabalhar e mesmo assim o trabalho que apareceu foi muito mais do que aquele que eu esperava. Especialmente o 1º semestre exige muita dedicação e gosto pelo curso, o que é bom pois permite-nos logo desde início perceber se é exatamente aquilo que queremos ou não.

N. R.: É muito bom o facto de podermos aprender com professores peritos nas respetivas áreas, principalmente agora que, no meu caso, no terceiro ano, temos direito a escolher algumas opcionais e é sempre interessante o facto de podermos ter mais conhecimentos sobre determinado assunto com alguém experiente nessa dada área. Ainda dentro da área dos professores, também é positivo a maior “relação” que pode existir entre professor e aluno, principalmente por não ser aquela típica universidade em que as aulas são num grande auditório, mas, sim, numa sala de aulas similar às do secundário, por exemplo. Além desta parte, é bom termos uma quantidade razoável de parte prática, porque poderemos chegar melhor preparados ao mercado de trabalho, se optarmos por zonas similares.

Acho que um ponto negativo é o facto de termos algumas cadeiras, mais teóricas, em que se abordam as coisas de forma similar, por visões diferentes, e onde existe uma maior “monotonia” e uma certa “desmotivação” para esse tipo de cadeiras. É verdade que a certa altura podem fazer um mínimo de sentido no curso, mas não é menos verdade que a maioria dos alunos se pergunta o porquê de existir a cadeira X ou o porquê de termos tanto para dar ou falar na cadeira Y ou, ainda, o que é que realmente se aprendeu que possa ser útil para o futuro com a cadeira Z.



 

M.: Como tem sido a experiência de estudar nesse curso? O que é que te marcou mais?

D. A.: … E até agora tem sido. Felizmente não me enganei e fiz a escolha certa. Apesar de todo o trabalho e esforço, de todas as lágrimas e frustração, chego ao final do meu 1º ano contente com a escolha que, há 1 ano, tive de fazer.

O que mais me marcou agora não está diretamente relacionado com o curso, mas com a minha experiência global ao fim deste 1º ano. As pessoas. Ainda não tive oportunidade de referir, mas o meu curso dispõe de horário noturno (pós-laboral) e com algumas décimas de diferença da nota do último colocado no ensino diurno, foi lá onde acabei por ir parar. Para mim chegou a ser uma opção desistir da ideia e tentar no ano seguinte – estudar à noite parecia o fim do mundo para mim, mesmo sendo o curso que tanto queria. Apesar de tudo, o pós-laboral acabou por me trazer agradáveis surpresas. Podem espreitar o meu artigo de opinião sobre isso aqui:

Entrei em pós-laboral, e agora?

Numa turma de pós-laboral é muito usual existirem trabalhadores-estudantes. Também é usual existirem colegas mais velhos, e não falo de 2 ou 3 anos de diferença. Numa turma de pouco mais de 30 pessoas, havia de tudo. Não criei grandes expectativas e por isso acabou por ser uma boa surpresa ver como é que 30 pessoas com diferentes idades e diferentes ocupações iam conseguir ser uma turma mais ou menos coesa. A heterogeneidade acabou por ser uma vantagem para todos nós, pois permitiu um funcionamento de aulas muito mais dinâmico e interessante.           

N. R.: Tem sido uma experiência realmente gratificante e enriquecedora. Ter vindo para a ESCS foi a melhor decisão que poderia ter tomado, sem dúvida! É, igualmente, importante saber que posso arriscar algumas vezes, posso fazer algo inesperado, posso tentar chegar a um “expect the unexpected”, que será sempre uma aprendizagem boa. Uma vez por outra pode não correr tão bem, mas noutras vezes acaba mesmo por ser o melhor que uma pessoa poderia ter feito! Este é um dos vários aspetos positivos do curso e da própria faculdade em si.

O que mais tem marcado, não referindo, agora, aspetos do curso em si, é realmente a disponibilidade de recursos que temos à nossa disposição e a variedade de núcleos que encontrei assim que entrei na ESCS (neste momento, estou no número f, núcleo de fotografia, mas, se o tempo permitir, pretendo tentar mais algo para além disso). Por decisão pessoal, decidi organizar-me bem no primeiro ano e, no fim desse ano, “atacar” essas vertentes e fazer algumas coisas para além do curso – algo essencial! Além disto, um dos aspetos que mais e melhor diferencia a ESCS das outras universidades são as praxes, claramente. Se há algo que me marcou e me continua a marcar são as próprias praxes e o envolvimento que existe nelas. E, em relação a isto, por favor, não venham com ideias pré concebidas. Experimentem, mesmo que acabem por não gostar, tentem primeiro e só depois tomem uma decisão baseada em tudo o que viveram naquele dia ou naquela semana. Para mim (e para muitos) foi e é excelente a maneira como a praxe é feita na ESCS. Até neste aspeto cumprimos com o (nosso) lema “se formos apenas mais uma escola, seremos uma escola a mais”.

 

 

M.: Como descreverias a tua adaptação ao ensino superior? Quais foram os teus principais desafios?

D. A.: Creio que posso dizer que a minha adaptação ao ensino superior foi tranquila. A nível “social”, digamos, foi particularmente fácil para mim sentir-me integrada. Nesse aspeto, mais uma vez não posso deixar de referir a praxe como um “bom condutor” para esta integração. Aconselho o que aconselhei a todas as pessoas que tinham “medo” da praxe no último ano: experimentem. Nem que seja para poderem dizer que não gostam ou que não se identificam, mas não o poderão fazer sem experimentar. Formem uma opinião vossa, baseada na vossa experiência e não naquilo que ouvem por aí dizer. E desfrutem como eu desfrutei, certamente não se arrependerão.

Para aqueles que não têm de todo interesse em participar por isto ou por aquilo, não se assustem. Como já expliquei, a ESCS é um meio pequeno onde é fácil integrarem-se e começarem a conhecer pessoas. Creio que a vossa adaptação não será mais difícil por isso; talvez mais lenta, diria eu.

Já da minha adaptação ao ensino em si, tenho uma história diferente para contar. A entrada no Ensino Superior já parece assustadora o suficiente, mas eu tive um fator extra – a adaptação ao horário noturno. E posso dizer que ainda assim, não tive grandes dificuldades em entrar no ritmo. O ritmo do Ensino Superior é, de facto, um pouco mais acelerado do que o ritmo do Ensino Secundário, mas acho que a maior diferença que pode ser sentida é ao nível da autonomia. Na faculdade têm mesmo de ser autónomos, isto é, não podem esperar que algum professor corra atrás de vocês e vos obrigue a trabalhar porque posso garantir que eles não o farão.

Um aspeto que considero muito importante nesta fase de adaptação ao ritmo universitário é o vosso gosto pelo curso. Têm realmente de gostar daquilo em que se inscreveram porque caso contrário não vão estar motivados e consequentemente vai-vos ser mais difícil ganhar hábito a esse ritmo que nos é imposto. Se, pelo contrário, o curso vos assentar “que nem uma luva” certamente que o ritmo não será um problema. Terão sempre pessoas com quem poderão contar para vos dar algumas dicas.

N. R.: Tendo em conta que vim de Ciências, do secundário, já vinha com um bom ritmo de trabalho. Ainda assim, existe sempre o tal aumento de nível, algo normal quando se aumenta um patamar no ensino. O primeiro semestre foi importante para me organizar nesse aspeto e não só. Foi um semestre de várias ilações tiradas, fosse na forma como estudava, fazia os trabalhos ou me organizava em grupo (num primeiro semestre é difícil, mas é importante que saibam arranjar boas pessoas para trabalhar, senão acontece como me aconteceu, que tive de fazer, nesse primeiro semestre, numa cadeira, um trabalho de grupo – exigente, para aquela altura – quase sozinho).

Gerir o tempo livre é outro dos problemas que as pessoas podem ter, principalmente quando começam a ter mais atividades extra, seja ou não devido aos núcleos. Foi algo que me aconteceu a partir do fim do 1.º ano. Entrei para a equipa do Bola na Rede (site desportivo em grande ascensão, que começou como um programa de rádio na ESCS) e, ao princípio, com a simultaneidade entre isso e o final do primeiro ano, no curso, acabou por não ser tão fácil de gerir quanto isso. Mas, com o tempo e a experiência, acabamos por nos adaptar bem.

Por fim, felizmente, sempre tive as escolas para onde ia a uns 5/10 minutos a pé de distância. Mas, para ir para a ESCS, a história é diferente. Como decidi não tirar a carta até terminar estes 3 anos (quem tiver a possibilidade de tomar esta decisão, como eu, que tente tirar a carta ainda antes da entrada para a universidade), tenho de me sujeitar aos transportes públicos e aos seus possíveis atrasos. Apesar de “só” demorar cerca de 20 minutos de autocarro e uns 30 de metro, é realmente complicado quando existem esses tais atrasos (que acontecem várias vezes, infelizmente). Ainda assim, acaba por ser um dos poucos “menos” no meio de tantos “mais”.



 

M.: Achas que o teu curso te prepara para o exercício da profissão, isto é, que adquires as principais competências que um profissional dessa área deve ter?

D. A.: Sem dúvida. Nesse aspeto acho que o Ensino Politécnico ganha muitos pontos em relação ao Ensino Universitário “comum”, pois a vertente teórico-prática fornecida por uma Escola como a ESCS vai permitir-vos criar uma boa base de teoria e, ao mesmo tempo, aliar essa base teórica à vertente prática e tornar-vos consistentes. Com isto quero dizer que é bom aprender na teoria mas essa teoria necessita sem dúvida de poder ser aplicada. Fazer os alunos “engolir” conhecimento não serve de nada se eles não puderem experimentar sozinhos. Aprende-se por tentativa e erro e acreditem que dessa forma se aprende muito melhor!

Por isso sim, sem dúvida que RPCE vos permite adquirir as competências que necessitarão para exercer (com sucesso) qualquer profissão desta área.

N. R.: Sim, acho que sim. Temos professores bastante experientes, quer dentro da área das próprias Relações Públicas, quer dentro de outras áreas relacionadas com a Comunicação. Isso é realmente importante para qualquer aluno e uma mais-valia para a nossa aprendizagem. Principalmente, com os laboratórios, podemos adquirir bases excelentes para o que poderá ser o nosso futuro. Além disso, uma das vantagens do ensino politécnico é, tal como já referir, o aliar a vertente teórica à prática da melhor forma e isso também nos prepara melhor para o futuro.

 

 

M.: Consideras o teu curso difícil? Porquê?

D. A.: Sim. É sempre subjetivo porque acho que nenhum universitário vos vai dizer que o seu curso é fácil. Na verdade até tentarão fazê-lo parecer o inferno, mesmo que não seja. Não quero com isto dizer que alguns cursos não tenham um bocadinho de “inferno” neles… RPCE é capaz de ser um desses casos.

Vão sentir-se muitas vezes a desesperar, frustrados, cansados (exaustos, diria), com vontade de partir coisas, entre outros. Vão sentir falta de dormir 8h por noite, da vossa mãe (porque durante as fases mais complicadas quase não vão ter tempo para a ver) e até de casa porque vão passar na ESCS muito mais tempo do que imaginariam.

RPCE é um curso que exige dedicação, acima de tudo. E quando falo em dedicação, nem sempre me refiro a estudo árduo; falo principalmente em trabalho, salientando mais uma vez a vertente prática do curso. Não vos bastará decorar as coisas para um teste para fazerem o curso todo. Em muitas cadeiras terão de mostrar que são bons tanto na parte teórica como na parte em que aplicam essa teoria à prática, e para isso estudo não basta.

Mas o que é facto é que em nenhum curso vocês poderão dar-se ao luxo de não fazer nada e o nível de dificuldade dependerá do vosso nível de empenho e de trabalho.

N. R.: Na ESCS, é comum à maioria dos alunos o facto de o curso de RPCE ser o “mais difícil” dos quatro cursos existentes ou, pelo menos, o que mais trabalho e tempo requer. Agora, se estivermos com a “mindset” correta, é possível fazermos este curso sem complicações exageradas. Como tudo na vida, é preciso trabalhar bem e distribuir bem o tempo. Todos são diferentes e alguns podem ter dificuldades nalgumas partes onde outros estão à vontade, é algo que acontece igualmente em todo o lado. Mas se existir um esforço/trabalho proporcional à aprendizagem que temos na maioria das cadeiras, podemos fazer este curso sem complexidades (alguns com menos horas de sono por dia, outros com mais cafés em cima, depende de cada um).

Resumindo…dá trabalho? Dá. Requer tirar tempo a algumas outras partes da nossa vida? Talvez, algumas vezes. Se é muito difícil? Não. Mas também não é fácil, nem algo similar. No meu caso, felizmente, até agora, tenho dois anos completos, sem nada deixado para trás, sem recursos feitos e com uma média que posso considerar boa, tendo em conta as mais variadas circunstâncias (algumas delas já mencionadas, anteriormente). Portanto, trabalhem, “lutem” pelas coisas e serão recompensados. Acreditem que esses esforços valerão a pena.

 

 

M.: Quais são as tuas expectativas no que toca à entrada no mercado de trabalho? Que perspectivas tens?

D. A.: É um facto que a empregabilidade é um fator importante a ter em conta quando se fala da escolha de uma licenciatura, mas a minha opinião é que esse tipo de oportunidades são feitas por nós mesmos. Com isto quero dizer que as probabilidades de saírem do curso com propostas de emprego são tanto maiores quanto mais vocês próprios tenham feito por isso, muito para além do que qualquer percentagem de empregabilidade possa dizer (no entanto, a ESCS não tem taxas de desemprego altas).

Por isso não tenho grandes expectativas ainda no que toca à entrada no mercado de trabalho. Não que esteja despreocupada em relação a isso, simplesmente tenho estado mais preocupada em criar as tais oportunidades de que vos falo. De que adianta terminar a licenciatura com boa média se não temos mais nada que nos valorize enquanto possíveis bons profissionais? Trata-se de procurar as oportunidades e não esperar que elas apareçam.

N. R.: Pelas experiências de outras pessoas, não posso ter más expetativas, sinceramente. Ao princípio, provavelmente não teremos a vida nada facilitada, mas isso é “normal”. De qualquer das formas, há que continuar a trabalhar bem no curso, a fazer coisas para além do próprio curso e, assim, a própria pessoa é que poderá tornar, provavelmente, as expetativas maiores e as perspetivas melhores para o seu lado. Muito depende do que fazemos ao longo destes 3 anos (ou mais, para quem fizer Mestrado). Não é tudo, mas tem um peso significativo.



 

M.: Pensas em continuar a estudar para um mestrados/doutoramentos ou pós-graduações?

D. A.: Eventualmente sim, faz parte dos meus planos. Ainda assim, tudo depende de outro tipo de oportunidades que possam surgir no fim da licenciatura: projetos, uma oportunidade de emprego, entre outros. No entanto sim, considero importante o prosseguimento de estudos depois da licenciatura.

N. R.: O prosseguimento de estudos após a licenciatura é algo que ainda não decidi por completo, mas que sei que é algo importante a definir. Terei de esperar para ver que oportunidades me serão dadas no fim da licenciatura e como as aproveitarei ou agarrarei. Se não fizer um mestrado ou uma pós-graduação, talvez possa fazer algum outro tipo de formação mais especializada. Mas as opções ainda estão em aberto, por agora.

 

 

M.: Se soubesses o que sabes hoje, candidatavas-te para o mesmo curso novamente? Porque?

D. A.: Sem dúvida. Como já referi, RPCE acabou por ser a melhor escolha que podia ter feito. Nenhum outro curso em Lisboa me “preenchia as medidas” da maneira que RPCE parecia preencher, e ao final de 1 ano posso afirmar com convicção que faria exatamente a mesma escolha. Apesar de todas as surpresas que possa ter tido ao longo do ano, continuo a achar que o Plano de Estudos vai ao encontro daquilo que eu realmente queria. E mesmo indo um bocado “às cegas” no que tocava à parte das Relações Públicas, acabou por se mostrar uma área pela qual tenho vindo a ganhar um gosto enorme.

N. R.: Sem qualquer tipo de dúvida. Existem situações bastante caricatas e que realmente nos levam a momentos incríveis. Esta parte da minha vida foi uma dessas “histórias” assim. Se antes de encontrar RPCE e a ESCS provavelmente não me imaginaria aqui, agora nunca me imaginaria a nunca ter escolhido isto! A área é muito boa, vai de encontro à tal maior abrangência que procurava e o plano de estudos é muito interessante, entre outros aspetos igualmente importantes.

 

 

M.: Que recomendações deixas aos candidatos ao ensino superior deste ano?

D. A.: Esforcem-se enquanto podem. Não deixem que uma 2ªfase vos assuste, mesmo que seja chato “estragar-vos” as férias. Estamos a falar do vosso futuro e nesta fase do campeonato, todos os esforços contam. Não queiram arrepender-se de não ter tentado melhorar, nem de não terem pedido revisão da prova se acharem que o vosso exame valia mais. Arrisquem! Não façam previsões; as médias são sempre imprevisíveis e poderão sempre surpreender-vos. Ponderem bem a ordem das vossas escolhas e as escolhas em si. Informem-se. Se estão a ler isto provavelmente conhecem o Uniarea: perguntem, tirem todas as dúvidas que possam sobre tudo e mais alguma coisa. Procurem as pessoas certas para vos ajudar.       

N. R.: Caro candidato, futuro caloiro (espero), futuro aluno do Ensino Superior, trabalhem ao máximo para conseguir aquilo que realmente pretendem. Deixem qualquer tipo de receio para trás, tragam uma atitude renovada e estejam prontos para progredirem ainda mais nos mais variados aspetos das vossas vidas. Arrisquem quando precisarem de arriscar. Peçam ajuda quando precisam de qualquer tipo de auxílio. Não se acanhem e procurem, igualmente, as pessoas certas.

Deixo-vos com uma das frases que me motiva: “Mais vale nos arrependermos daquilo que fizemos do que daquilo que deixámos por fazer”. É isto, pessoal.

 

M.: O que dizem… as tuas notas?

D. A.: Ainda não tenho disponíveis todas as notas do meu 2º semestre (habituem-se, é mesmo assim que funciona) mas conto passar a tudo. O meu 1º semestre correu de longe muito melhor do que este (embora o 1º também fosse muito mais trabalhoso) mas tendo em conta todo o trabalho que temos, não acabo o 1º ano nada descontente (até agora, a média está a rondar os 13,7). Mas lembrem-se que as notas não são tudo. O que é realmente importante é que aprendam e que saibam aplicar esse conhecimento nas alturas certas. Isso a somar com a vossa envolvência em atividades/projetos extra-faculdade deverá ser-vos suficiente para um futuro cheio de oportunidades de trabalho.

N. R.: As minhas notas, até agora, mostram que o trabalho, quando bem feito e motivado, acaba por sempre compensar. Estou com uma média próxima dos 15 valores, neste momento, mas digo-vos para que não se preocupem tanto com as notas como se preocupavam em anos anteriores. Foi algo difícil para mim encaixar, acreditem. Ainda hoje continuo sem conseguir ter isso completamente na minha mente. É normal lutarem pelo melhor possível, mas não fiquem a achar que por terem uma nota mais baixa ou abaixo das vossas expetativas que não vos valeu de nada. Tem de existir sempre algo de positivo a retirar de qualquer situação, nem que seja aprender com os aspetos negativos e voltar a tentar não cometê-los.

Tenham em conta que as notas não são tudo. São uma parcela importante, mas não decisiva. Compreendam, aprendam, ganhem conhecimento. E, acima de tudo, saibam aplicá-lo. Tudo isto, mais a junção com qualquer atividade/projeto extra que possam (devam) fazer será extremamente importante para o vosso futuro como profissionais.

 

 

Daniela Abreu e Nuno Raimundo frequentam a Escola Superior de Comunicação Social do Instituto Politécnico de Lisboa.