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Sem esperarmos o Mundo parou, sentimo-nos a estagnar como quem circula a 200 numa auto estrada infinita e trava a fundo para não embater num carro que segue descontrolado. A travagem brusca forçou-nos a parar, parou-nos no tempo e nos dias. E de repente vemo-nos a refletir sobre a imensidão de coisas que tivemos ao nosso dispor e que agora nem podemos prever quando voltarão a estar. É difícil não nos deixarmos inquietar por não encontrar resposta a todas as questões que por nós pairam, é tudo demasiado incerto.

E no meio de todas essas  perguntas, ansiedades e incertezas… sobram as saudades da rotina a que a faculdade nos habituou , dos dias de festa, das pessoas… no fundo de todas as memórias bonitas que nos distanciam destas paredes onde nos sentimos presos há meses.

É de facto, difícil traduzir o impacto que esta paragem forçada teve na vida de cada um de nós. Não houve tempo de nos despedirmos nem de nos prepararmos para nos manter distantes por um período tão longo de todos os lugares e pessoas que nos fizeram felizes nestes anos e, como que deixámos a nossa vida académica em stand-by.



E por mais que saibamos que a causa que nos leva a ficar impossibilitados de viver tudo isto é bastante nobre, é difícil convencermo-nos a aceitar todos os momentos que estamos a perder, porquê a nós?

Para todos os que, como eu, escolheram adotar e ser adotados pela Praxe, é agora que aquela ideia que nos é incutida lá logo a partir dos primeiros dias, ganha TODO o sentido. A de viver o agora, sem pressas, sem arrependimentos, sem angústias, sem medos, permitirmo-nos só a vivê-lo e a crescer com ele.

E de facto, ter tido a sorte de alguém um dia me ter dito isso, e por isso eu hoje poder ter a certeza de ter vivido intensamente estes 2 anos e meio, é das poucas coisas que acalmam um coração cheio de vontade de viver uma e outra vez aquela tardada na esplanada, aquela noitada em Santos ou até o nascer do sol no Cais.

Porque de facto esta fase das nossas vidas jamais se repetirá, e no fim só fica o arrependimento por tudo o que não vivemos em cada ano, que é marcante a níveis diferentes, e é por isso que custa tanto que ainda fique muito por viver.

Fica muito por viver num percurso que já vai a mais de meio, e isto de ser do terceiro ano, numa faculdade onde os cursos têm uma duração de 4, e em que o último decorre fora da faculdade, leva a que ainda custe mais aceitar esta interrupção agora, sem sequer um aviso prévio.

Ser do 3º ano, já por si é, tempo de nostalgia. É chorar no fim de uma semana de integração, e num batismo já com saudades de um tempo que ainda não chegou, mas em que a disponibilidade para estar presente será incerta. É passar a fazer uma contagem decrescente a cada etapa e no fundo, prepararmo-nos para nos despedirmos aos poucos e para ganhar a certeza de ter deixado o melhor de nós em cada memória que construímos.

Porém, para nós este ano, as certezas ficarão exatamente onde as deixámos ao longo deste percurso e não haverá tempo de continuar esta tarefa de preparar a despedida e o fim destes que foram os anos mais felizes das nossas vidas.

Mas de certo que, tanto os que se depararam com esta realidade como todos os outros que ainda têm um longo caminho pela frente nesta etapa, levam agora ainda mais presente para as suas vidas a lição mais bonitas que daqui podemos tirar, o facto de não termos controlo absolutamente algum nas circunstâncias e a importância de nos entregarmos ao agora.

Que a Covid nos tire momentos, nos traga saudades, mas nunca nos tire a esperança num amanhã em que voltaremos a cantar bem alto o hino do nosso curso e a abraçar todos aqueles que deram um sentido especial a esta jornada!

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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