Daqui a uns tempos toda a gente irá falar da universidade, dos cursos e das faculdades; das médias dos últimos colocados, dos colocados que entraram na primeira opção, dos que ficaram por entrar, dos que querem mudar, dos que querem transferências para universidades mais perto de casa… E, no geral, de todos os alunos que estão, neste momento em que escrevo este texto, a preparar a sua candidatura ao ensino superior.

Como qualquer transição da vida, há quem se adapte melhor e há quem se adapte pior e há quem não se adapte praticamente nada à entrada no ensino superior.

Em alturas de mudanças podemos querer, de facto, mudar mas não sabemos bem para onde, nem sabemos o que vai implicar uma mudança. Vamos para longe de casa? Viver onde e com quem? Vamos ser colocados no nosso “curso de sonho”? Temos receio de ter escolhido o “curso errado”? Será que vamos afinal gostar da nossa escolha? Vamos dar-nos bem com os colegas?



Parece que a dúvida e a incerteza estão sempre presentes, por muita certeza que alguém possa ter no momento da elaboração da candidatura.

Entretanto, eis que chegam as matrículas e os primeiros dias. Alguns bem mais difíceis do que imaginávamos. As dificuldades não serão iguais para todos, certamente. Cada um enfrenta as mudanças da maneira que consegue, e vive maiores ou menores desafios.

Para esses momentos mais difíceis e de maiores desafios, gostaria de (re)lembrar vários aspetos que eventualmente poderão ajudar:

As dificuldades de um são, muitas vezes, as dificuldades de mais colegas e amigos, ainda que possa não parecer assim. Sejam dificuldades académicas e/ou sociais, não existem casos isolados.

Podem haver dias mais difíceis, complicados, revoltantes… aqueles dias em que a tristeza se abate, a solidão parece maior, as saudades apertam mais, a frustração é mais crítica. E esses dias não fazem de um aluno alguém menos capaz, menos competente ou menos importante.

Pode não parecer, mas há sempre uma escolha ou opção que podemos tomar. Desde aguardar para ver como corre o semestre, participar num evento, pedir transferências, equivalências, repetir exames, arranjar recursos para enfrentar as coisas com outra perspetiva. Explorar opções e escolhas.

Podemos sempre pedir ajuda. Podemos sempre pesquisar recursos da faculdade ou universidade, sejam mentorias, tutorias, sistemas de apoio ao aluno, sistemas de apoio financeiro, ou outros. Podemos começar por reconhecer que há algo que podemos e queremos melhorar. Podemos tratar de cuidar de nós, fisicamente e mentalmente.

Resumidamente, em momentos de mudança, de novas vivências e experiências, como a passagem do secundário para aquela fase que todos dizem que “é a sério”, podemos sempre e devemos sempre tentar combater as incertezas, dúvidas, dificuldades ou desafios que nos vão surgindo.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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