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Sou finalista. Uma finalista feliz. E achei que este era o momento de poder ajudar alguém com a minha história. Não a contei anteriormente talvez por medo de opiniões ou de julgamentos dos quais fui alvo durante demasiado tempo. Mas perante cenários que me são próximos, achei por bem colocar os alunos do secundário a pensar sobre aquilo que querem, e não sobre aquilo que terceiros querem ou aquilo que os fará ganhar mais dinheiro…é que sabem, a profissão deve ser escolhida com base no amor que se tem pelo que se vai fazer. E tenho pena, tenho muita pena, de ver crianças a apresentarem comportamentos de competitividade não saudável porque dizem quererem ser médicos, sem muitos não saberem sequer o que isso é. Estou farta das típicas frases que me irritam profundamente: “com essa média, é óbvio que tens que ir para medicina”. Futuros estudantes do ensino superior, olhem bem para aquilo que são e aquilo que vos vai colocar um sorriso na cara de cada vez que chegarem a casa exaustos por trabalhar naquilo que gostam! E, então, se medicina for o vosso caminho, entreguem-se de alma e coração, e nada menos! Mas não o escolham porque sim, até porque não são mais nem menos que nenhum outro colega que tenham e que vá para outro curso.



Sempre fui boa aluna, sempre adorei todas as disciplinas sem nenhuma me cativar particularmente, e sempre não soube o que queria ser até ao último minuto da candidatura à universidade (a indecisão e uma característica minha)! Sempre me disseram “quem dera a muitos estarem no teu lugar, não desperdices a oportunidade e vai para medicina” e, acreditem, estas frases não vinham de casa, nem de pessoas próximas, vinham de indivíduos que não conheciam a Filipa nem a história dela! O que é certo é que lá no último mês dizia que queria gestão. Contudo, a medicina andava sempre a sussurrar-me ao ouvido como se fosse o grilinho da consciência e mudei as opções de inscrição, coloquei as três primeiras opções com medicina e as três últimas com gestão. Acreditem, rapidamente percebi o erro, e só rezava para que a média de medicina subisse e eu não conseguisse entrar em nenhuma faculdade do país e fosse para gestão. O dia chegou, a média não subiu assim tanto e eu entrei em medicina. Chorei de tristeza nesse dia, lembro-me como se fosse hoje. Podem achar que sou ingrata com a vida, que sou egocêntrica, mas eu sabia que aquilo não era para mim. Porém, por enquanto, não havia nada a fazer e ficar em casa não era opção. Tinha que ir, nem que fosse pela experiência. E fui, adorei as pessoas, adorei a praxe! Mas sabem aquela sensação de “não vestir a camisola”? Era mesmo isso que eu sentia. Aquelas pessoas queriam mesmo aquilo e eu dizia “Allez medicina, allez!” sem sentimento. Desisti passado pouco tempo. Já tinha passado a segunda fase. Fiquei em casa e se vocês soubessem as lágrimas que chorei naquele tempo em que observava todos os meus amigos contentes nos seus cursos e eu com uma média superior em casa sem curso. É uma sensação sufocante. Fiquei dias sem sair da cama, ouvi críticas e julgamentos à minha decisão sem sequer tentarem perceber o que levou a tal desistência. Perdi amigos que com o tempo percebi que afinal nunca o foram. Foi uma época dura. Até hoje me dói o coração em relembrar estes momentos. E digo-vos, se não fossem os meus pais, a quem devo tudo, talvez teria ficado um ano parada. A minha mãe ergueu-me e em dois dias tive que escolher o curso a que queria candidatar-me na terceira fase. Escolhi Ciências da Comunicação, sem saber muito bem porquê, mas segui o meu coração, e ele disse-me para percorrer este caminho. E entrei. O começo também não foi fácil, toda a gente já se conhecia e eu tinha caído lá de paraquedas. Porém, pouco tempo depois, os meus olhos começaram a brilhar, comecei a querer estar em mil projetos e percebi que Deus escreve mesmo direito por linhas tortas. E hoje? Hoje sou uma finalista realizada e orgulhosa do meu caminho.

Errar é humano sabem? E se o erro vos servir de ensinamento e vos ajudar a crescer então é porque valeu a pena. Por isso, independentemente do que vos digam, sigam o vosso coração, por vezes poderá ser difícil, mas acreditem, ele sabe sempre guiar-vos para o final feliz.

Sabem, eu desisti de medicina e não foi o fim do mundo, foi o começo do meu paraíso! E quem sempre me conheceu apoia-me, hoje e sempre, e reconhece que nasci para a comunicação. A vida já me tinha dado pistas no secundário, mas se fecharmos os olhos às oportunidades, elas não podem surgir.

Não estou arrependida nem por um momento no meu percurso. Obrigada colegas de medicina, obrigada pais e obrigada atuais colegas. A minha história ficava incompleta sem qualquer um de vocês. Nem todas as histórias precisam de ser perfeitas para valerem a pena.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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