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Agora que cada um seguirá o seu caminho e a separação é um monstro para quem não sabe lidar com ela.

Cada vez me custa mais despedir-me, cada vez me custa mais ir embora. Era só mais uma vez que se multiplica a cada mês e a cada dia. O tempo passa e encontramo-nos de novo. Já não sei o que sentir. Dói-me que seja o último verão, que tenha sido o último ano. O ponto de viragem, a rutura. Em breve acordaremos e não teremos de nos enfrentar; tanto dentro das quatro paredes esverdeadas como nos corredores sinuosos.



Não teremos de enfrentar horas infinitas juntos nem o forte odor a urina nas intermináveis filas para a casa de banho. Não sinto um vazio por o que aí vem mas sinto tristeza por todos nós. Ao início tinha medo de enfrentar o interior das grades azuis mas, com o tempo ajudaram-me a chamar-lhe de minha e de nossa. Os pronomes começaram a ganhar significado mas só resulta se lá estivermos. Quando de manhã me levantava já sem vontade de enfrentar mais um dia devido ao desgaste pensava que passaria rápido porque estariam ali mas e agora? Todos os dias me levantarei a pensar que estão longe, que estão nas vossas cidades, nas vossas universidades, nas vossas festas. Que estão a começar a chamar de vosso a outro instituto e eu, aqui. A seguir o meu sonho, é verdade, mas sem vocês. Quando voltar não se lembrarão de mim e talvez não nos reuniremos. Se o fizermos estaremos irreconhecíveis. Não vou mais acordar a pensar que daqui a 1h estaremos a enfrentar mais um desafio juntos e a rir e trocar olhares comprometedores enquanto tentamos aguentar até ao intervalo ou enquanto absorvemos o mais possível do que nos é apresentado. Cada vez me custa mais despedir-me porque foi bom e devia ser mais e devia ser assim para sempre. As coisas mudavam mas nós éramos uma constante, mas não vamos ser. E agora cada reencontro é mais um passo na direção da dor, da incerteza e cada vez mais da certeza da perda. Para quem vou agora olhar? Para quem vão olhar vocês? Para mim não será que andarei noutros voos. Mas acreditem, de vez em quando vou olhar à volta e tentar encontrar os vossos rostos, os vossos toques, os vossos cheiros e peculiaridades. Vai ser tão estranho… Não quero dizer adeus a ninguém porque assim ainda posso manter a ilusão de acordar em setembro e seguir o mesmo caminho, de nos encontrarmos no mesmo sítio e trocarmos os nossos olhares. Posso manter a ilusão de que as nossas brincadeiras e parvoíces voltarão a acontecer. E por isso me custa cada vez mais. Se não me despedir parece que digo um até já. Mas não. O que verdadeiramente deveríamos dizer era um adeus carinhoso com lágrimas nos olhos que viria da parte dos com lágrima fácil e até dos com lágrima difícil. Mais um capítulo encerrado. Em vez de um adeus consigo pronunciar um até sempre na esperança que esse sempre seja muito pequeno ou que os até um dia durem apenas até amanhã. Espero que entendam nas minhas palavras frias e distantes o carinho que guardo neste enorme nó na garganta. Espero que entendam o meu enorme agradecimento a vocês e a todos os nossos momentos. Acima de tudo, espero que em breve também procurem o meu rosto entre imensos desconhecidos e olhem à volta na esperança de me apanharem voltada na vossa direção para que troquemos sorrisos, olhares e dois dedos de conversa em surdina enquanto pensamos que ninguém nos ouvirá.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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