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Quer dizer, está um pouco, porque estou a escrever isto a um fim de semana e nós, estudantes, gostamos de ir para a terrinha. Temos tendência a ficar cá durante a semana porque aparentemente temos aulas ou lá o que é. E a chuva também não favorece nada a vontade de ir para a rua. Mas deixemo-nos de temporalidades e intempéries, porque afinal de contas o literal nada nos serve- é certo afirmar que esta cidade já não está deserta.

“Mas qual cidade”?- perguntam os leitores. Não façam perguntas estranhas, pois isso não interessa para nada, estejas a estudar na grande Lisboa, ou em Évora (penso que têm para lá uma universidade), para nós, pessoas que às vezes estudam, as cidades começam a revelar-se. Parece que com o vento os grãos de areia desaparecem e nascem novos sítios: sítios, rotinas memórias.



Há dois meses andavas perdido, sem rumo. Provavelmente não sabias em que sala era a tua primeira aula ou quando era a tua primeira frequência e para acrescentar ao problema nem sabias onde ficava a tua faculdade. Decerto que não estavas habituado a apanhar um autocarro à hora de ponta e com toda a certeza que não esperavas que lá dentro fosses tocado com mais frequência do que se estivesses a trabalhar nos bastidores de “House of Cards”. Mas agora sabes que a vida é assim. E está tudo bem.

Caras que outrora vias num horizonte longínquo estão agora perto de ti. Fizeste a caminhada e os teus pés enterraram-se na areia. Não sabias que lado de ti revelar- “Digo esta piada?”, “Será que posso gozar com a Joacine? Não sei se aqui alguém vovovottou no lilililivVre”. Mas a pouco e pouco foste calçando os chinelos e de repente andar não era tão difícil: apercebeste-te que nada disso interessa e não podes agradar o mundo inteiro, e por isso tiras a máscara e começas a ser tu mesmo. E aparentemente consegues fazer amigos. Está tudo bem.

É giro como a vida é arbitrária. Candidataste-te a uma universidade porque é o mandato da vida. Alugaste um quarto porque era o mais barato. Mas não interessa de onde vens e para onde vais: nós temos esta capacidade de pegar num simples sítio e chamá-lo de “casa”, com as nossas rotinas, as caras que vemos todos os dias e os livros que às vezes abrimos. A cidade já não está deserta.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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