Engenharia Física vs Física: semelhanças, diferenças e o que podes encontrar na Universidade de Aveiro

Foto do Departamento de Física da Universidade de Aveiro

Entre as dúvidas mais comuns de qualquer estudante que se interesse por física estão as questões: Qual o curso mais apropriado? Será que deves optar por uma Engenharia? Que oportunidades te aguardam com uma Licenciatura em Física?

Sabemos que as respostas a estas perguntas nem sempre são claras e com a ajuda do Departamento de Física da Universidade de Aveiro (DFis) e de dois estudantes destas licenciaturas, elaborámos este artigo para te ajudar a fazer as melhores escolhas para o teu futuro.      

O que é o Departamento de Física da Universidade de Aveiro?

Este Departamento faz parte dos 20 departamentos e escolas que compõem a Universidade de Aveiro, tendo sido dos primeiros a serem criados.

Atualmente, o DFis distingue-se pela investigação de relevo que efetua em 20 subáreas da física incluídas no Web of Science, com uma elevada probabilidade de ser o único departamento a nível nacional que possui 3 programas doutorais financiados pela FCT e ainda 3 laboratórios classificados como excelente.

Neste momento, o DFis tem uma vasta oferta formativa para os diversos ciclos de estudo contando com 7 Licenciaturas, 6 Mestrados e 5 Doutoramentos.

Em relação às licenciaturas em Engenharia Física e Física oferecidas pela Universidade de Aveiro, conversámos com a Inês Venâncio (estudante da Licenciatura em Engenharia Física) e com o Telmo Monteiro (estudante da Licenciatura em Física) a quem desde já agradecemos muito pela amabilidade e disponibilidade para nos falarem um pouco sobre os seus percursos enquanto estudantes e o que podes esperar dos seus cursos e da própria Universidade de Aveiro.

“A Universidade de Aveiro era uma das minhas opções, devido ao seu campus acolhedor, ao bom ambiente académico e à beleza da cidade.”

Telmo Monteiro, aluno de Física na Universidade de Aveiro

Fala-nos um pouco do teu percurso académico e do que te levou a optar por este curso.

I.V.: A escolha de que curso superior seguir para mim não foi algo particularmente difícil. Desde que comecei a ter físico-química no 10º ano que percebi que queria seguir algo nessa área. Ao longo do secundário fui percebendo que era a física que realmente me interessava e a partir daí comecei a pesquisar cursos que se enquadrassem no estudo da física. Acabei por optar por Engenharia Física porque queria um curso que se focasse não só no estudo da física teórica, mas que a aplicasse em contextos reais na indústria. A questão de ser um curso bastante abrangente, na medida em que nos dá a possibilidade de seguir diversas áreas bastante diferentes entre si, também foi uma das coisas que mais me apelou ao curso. Embora já estivesse decidida do que queria seguir e fazer, saber que ia ter ainda várias vertentes por onde escolher foi algo que, na altura da escolha, me aliviou um pouco a pressão de estar a decidir naquele momento grande parte do meu futuro.

T.M.: Fiz o meu ensino básico e secundário no concelho de Gondomar e sempre tive fascínio pela área das ciências, como a biologia, a física e principalmente a astronomia. Por esta razão, desde cedo que tracei o meu futuro como cientista. O meu gosto pela física e astronomia aumentou no secundário e então decidi ingressar na Licenciatura em Física. A Universidade de Aveiro era uma das minhas opções, devido ao seu campus acolhedor, ao bom ambiente académico e à beleza da cidade.

Na tua opinião, quais as principais vantagens de estudar na Universidade de Aveiro?

I.V: Depois de saber que engenharia física era de facto o curso que queria seguir, a escolha de universidade não foi uma decisão fácil. Havendo a possibilidade de ir para diferentes universidades, a decisão de vir para Aveiro foi talvez a parte mais difícil do processo de escolha.  Um dos fatores que me ajudou nessa decisão foi o facto do curso em Aveiro ser creditado com o rótulo EUR-ACE, que é um certificado europeu de qualidade atribuído a cursos de engenharia. Daí, diria que uma das vantagens do curso na UA é o facto do curso ter esse rótulo de estatuto europeu, que assegura não só aos estudantes, mas também a futuros empregadores a qualidade do curso.

Aparte das questões mais técnicas, de um ponto de vista pessoal uma das grandes vantagens de estudar em Aveiro é o acolhimento por parte dos restantes estudantes. Particularmente no Departamento de Física, onde naturalmente não conhecia ninguém quando ingressei, rapidamente me apercebi do sentido de comunidade que existe entre todo o departamento, a facilidade de integração e a disponibilidade para ajudar por parte dos alunos mais velhos. Esse apoio foi algo que me ajudou imenso no primeiro ano e continua a ser para mim dos melhores aspetos de estudar na UA.

T.M.: Na minha opinião, estudar na UA é vantajoso, no sentido em que dificilmente se encontra um campus tão aberto e acolhedor, no qual há contacto entre todas as diferentes áreas e os seus alunos devido à proximidade entre os departamentos. Isto também facilita o trabalho conjunto entre os investigadores e os seus centros de investigação, o que é uma mais-valia. Focando na Física, o DFis possui unidades de investigação de excelência associadas, como o i3N (nanoestruturas, nanomodelação e nanofabricação), o Gr@v (gravitação e física das altas energias) e o CICECO (materiais). Desta maneira, enquanto aluno consigo ter contacto com estas áreas e várias outras, nomeadamente devido ao projeto de licenciatura que me permite ganhar experiência de investigação.

“Acho que qualquer aluno que decida vir para a Universidade de Aveiro e mais particularmente para o Departamento de Física pode esperar sem dúvida ser bem recebido por toda a comunidade departamental e principalmente pelos estudantes.”

Inês Venâncio, aluna de Engenharia Física na Universidade de Aveiro

Quais dirias serem as principais semelhanças e diferenças entre Engenharia Física e Física?

I.V.: Ambos os cursos se baseiam no estudo da física logo têm naturalmente bastante em comum. Os dois cursos têm uma base forte de matemática, principalmente no primeiro ano das licenciaturas, e focam-se consideravelmente na física teórica. No entanto, a principal diferença entre os cursos é que, enquanto na Licenciatura em Física, o estudo da física teórica é bastante mais aprofundado e o foco principal, na Engenharia Física utilizam-se esses conhecimentos da física teórica e aplicam-se a diferentes contextos. A Engenharia tem uma vertente de eletrónica (inexistente em Física), cadeiras sobre as diferentes áreas de aplicação (ótica e materiais por exemplo) e ao longo do curso existe uma parte prática laboratorial mais presente do que em Física.

T.M.: Física e Engenharia Física são cursos “irmãos”, pois partilham a mesma base de formação, a física. A maior diferença consiste em Física possuir unidades curriculares de opção (que permitem ao aluno personalizar o seu percurso), bem como mais UCs de física teórica, enquanto Engenharia Física foca em UCs de engenharia (como Desenho Técnico), de eletrónica e laboratórios de física. No entanto, estas diferenças não impedem os alunos de ambos os cursos de ingressarem em mestrados ou empregos semelhantes.

Acho que qualquer aluno que decida vir para a Universidade de Aveiro e mais particularmente para o Departamento de Física pode esperar sem dúvida ser bem recebido por toda a comunidade departamental e principalmente pelos estudantes.

Quais as três palavras que escolherias para definir o teu curso e porquê?

I.V.: Penso que a palavra que melhor define o curso é abrangente, porque não se foca apenas numa área específica, mas dá-nos valências em vários tópicos de base como matemática, programação, eletrónica e em várias áreas da física, o que nos dá a possibilidade de seguir diversas áreas na indústria ou na investigação (ótica, materiais avançados, dispositivos médicos, computação quântica, etc).

Diria também que uma das palavras que tem de estar inevitavelmente presentes é exigente. Pessoalmente, acho que é um curso que tem uma dificuldade acima da média, muito por força da área que se insere, mas também pelo rigor que propõe e exige muitas vezes dos seus alunos.

Finalmente, diria que é promissor. É um curso que tem um grande potencial, fornece competências e formação para projetos futuros e tem boas oportunidades futuras de bolsas de investigação ou emprego na indústria.

T.M.: Desafiante, enriquecedor e complexo. Desafiante e complexo, uma vez que física é uma área muito extensa e rica, ao ser descrever o universo tal como o conhecemos. Enriquecedor, uma vez que no final do curso um aluno sai dele com uma formação base em matemática, física e programação, sendo estas ferramentas muito úteis na ciência.

O que é que um futuro aluno pode esperar do teu curso e da Universidade de Aveiro?

I.V.: Acho que qualquer aluno que decida vir para a Universidade de Aveiro e mais particularmente para o Departamento de Física pode esperar sem dúvida ser bem recebido por toda a comunidade departamental e principalmente pelos estudantes. Pela minha experiência pessoal, haverá sempre alguém disposto a ajudar não só com assuntos relacionados com os estudos e com o curso, mas também com assuntos extracurriculares. Para além disso, tanto o núcleo de estudantes como várias associações ligadas ao departamento e a associação académica da UA fazem regularmente atividades de integração, informação, sessões de dúvidas entre estudantes, convívios, etc. que ajudam bastante para questões do curso em si mas também para a experiência académica para além dos estudos.

T.M.: A nível de atividades extracurriculares, um futuro aluno pode encontrar no DFis diversas associações e participar em atividades organizadas por elas, como a EPS Young Minds e a FISUA, os núcleos de estudantes (o NEEF, o NECM e NEMOG) ou fazer parte de outras associações fora do DFis. Pode praticar desporto através de treinos disponibilizados pela AAUAv ou representar o seu curso na Taça UA, a competição da universidade. Numa vertente mais científica, um futuro aluno pode participar em projetos de investigação, quer através do projeto de licenciatura, de bolsas de investigação ou outros. A relação professor-aluno é próxima, uma vez que a maior parte dos gabinetes dos professores é no DFis, portanto é relativamente fácil encontrar os professores no departamento. No meu curso em específico, existe um grande sentimento de camaradagem entre a maioria dos estudantes dos vários anos, havendo uma grande entre-ajuda. Além disto, o DFis tem várias conquistas, como ter três unidades de investigação classificadas como excelentes pela Avaliação de Unidades I&D 2017/2018 da FCT (i3N, CESAM e CICECO), um dos seus investigadores ser presidente da Sociedade de Sistemas Complexos, bem como diversos alunos do DFis premiados em competições de pósteres, e muito mais.

Por último quais os conselhos que gostarias de dar a esse futuro aluno para que tire o maior proveito de tudo o que o curso e a Universidade de Aveiro têm para lhe oferecer?

I.V.: Primeiramente, que não tenham receio de participar nas atividades de integração, acho que são sempre experiências que ficam connosco e onde se tem sempre a oportunidade de conhecer pessoas novas, do nosso e de outros cursos. Falando mais sobre o departamento de física, que se sintam sempre à vontade para falar com outros estudantes mais velhos sobre qualquer questão, seja para pedir ajuda em qualquer cadeira ou por outro assunto, nem terem receio de abordar professores. E talvez o mais importante de tudo, que não se foquem exclusivamente no curso, embora seja importante e o motivo por que lá estão, não é tudo na vida, foquem-se também na saúde mental (a UA e o Departamento de Física têm alguns serviços de apoio à saúde mental), façam pausas, estejam com os vossos amigos, divirtam-se e o curso faz-se em paralelo.

T.M.: O meu maior conselho é: aproveita o que a academia te oferece. Participa na vida académica, em associações, em projetos, atividades, estágios. A maioria destas possibilidades são exclusivas do meio académico e, portanto, devem ser aproveitadas. Outro conselho que dou é não ter medo de pedir ajuda, nem sempre é possível desenrascarmo-nos sozinhos e pedir ajuda ou conselhos a colegas, mais velhos ou não, ou a professores é sempre uma mais-valia.


Se gostaste do testemunho da Inês e sentes que o teu lugar é em Engenharia Física, podes encontrar aqui o Plano de Estudos do curso.

Por outro lado, se a experiência do Telmo te cativou, consulta o Plano de Estudos de Física.

Por fim e enquanto não fazes a tua candidatura, aventura-te numa visita virtual 360º da UA, onde poderás ficar a conhecer a tua futura Universidade nos próximos 3 anos.

Artigo elaborado em parceria com o Departamento de Física da Universidade de Aveiro.