Um novo relatório da Secretaria de Estado do Ensino Superior detalha os motivos por trás da “fuga” de alunos no último ano. Entre os culpados estão a demografia, a volatilidade dos exames e o aumento da exigência de provas de ingresso, que o Governo já começou a reverter.
A Secretaria de Estado do Ensino Superior publicou recentemente o diagnóstico “Quebra de Ingressos no Acesso ao Ensino Superior em 2025/26”. O documento, da autoria de Hugo Marques de Sousa e Henrique Fernandes Pereira, confirma um cenário preocupante: a 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso (CNA) registou menos 6.064 colocados em relação ao ano anterior — uma quebra de 12%.
No total do sistema (público e privado), a redução de novos inscritos fixou-se nos 10%, com os valores a caírem inclusivamente abaixo dos níveis pré-pandemia (2019/20). Esta interrupção no crescimento coloca em risco a meta nacional de ter 50% de jovens diplomados até 2030.
Por que razão houve menos alunos a entrar?
O estudo identifica cinco fatores principais que, combinados, explicam este “tombo” nos números:
- Exigência de 2 Provas de Ingresso: A introdução da obrigatoriedade de duas provas de ingresso mínimas é apontada como responsável por 46% da quebra na 1.ª fase. Esta regra excluiu milhares de diplomados que apenas tinham um exame positivo.
- Volatilidade dos Exames Nacionais: A variação na dificuldade dos exames de ano para ano afeta a elegibilidade. Como a nota mínima é fixa (95 pontos), um exame mais difícil num determinado ano exclui automaticamente mais candidatos.
- Fim do “Efeito Pandemia”: O regresso à normalidade nas regras de conclusão do secundário reduziu o número de diplomados aptos a candidatar-se, após os anos de exceção da COVID-19.
- Demografia: O envelhecimento da população e a redução do número de jovens no 12.º ano continuam a pressionar o sistema.
- Ação Social Desatualizada: O custo de estudar no ensino superior (alojamento, alimentação) superou a capacidade de apoio das bolsas atuais, que o estudo considera pouco progressivas e desajustadas.
O que vai mudar para os candidatos?
Para estancar esta queda e recuperar a trajetória de crescimento, o Governo já definiu quatro eixos de intervenção imediata:
- Regresso à “Prova Única”: Através do Decreto-Lei n.º 56/2026, foi reposta a exigência mínima de apenas uma prova de ingresso a nível nacional, embora as faculdades mantenham autonomia para pedir mais, se assim entenderem.
- Normalização das Notas: Está em curso um estudo para criar um modelo estatístico que torne as notas dos exames comparáveis entre anos, evitando que os alunos sejam prejudicados por uma prova pontualmente mais difícil.
- Nova Ação Social (2026/27): O sistema de bolsas será reformado para cobrir a diferença real entre os custos de vida em cada concelho e o rendimento da família. Incluirá ainda uma Bolsa de Incentivo (2x o IAS) paga logo no início do ano aos alunos mais vulneráveis.
- Aposta em Novos Públicos: Haverá maior flexibilidade na gestão de vagas para atrair adultos (Maiores de 23) e diplomados de cursos CTeSP, incluindo a ponderação de uma nova prova de competências transversais para quem não segue o percurso tradicional.
Com estas medidas, o Executivo pretende garantir que o acesso ao ensino superior volta a ser “equitativo e previsível”, assegurando que nenhum aluno fica de fora por questões burocráticas ou financeiras.
Para mais detalhes, podes consultar o relatório completo disponível no site do Ministério da Educação, Ciência e Inovação.

