Estão quase a sair as colocações no ensino superior e, em poucos dias, milhares de novos alunos dirigir-se-ão à Universidade pela primeira vez. Para muitos, não é apenas o ingresso num novo ano letivo mas um role de novos acontecimentos: mudar de casa para uma nova cidade, conhecer novos colegas, escolher ingressar ou não nas praxes, nas tunas ou no associativismo universitário entre muitas outras. Contudo, nos dias de hoje, são cada vez mais os casos que a entrada na Universidade é feita aos duos ou trios – o caloiro mais os pais.

O dia da matrícula é primeiro confronto com a nova realidade. Normalmente, pede-se aos novos alunos que tratem da matrícula e burocracia sozinhos, por uma questão de logística e espaço, mas é nesse mesmo momento que se começa a ouvir o “Não posso ir com o meu filho?”. Quando sai do espaço das matrículas, qual é a surpresa dos pais que o filho tenha criado uma nova conta à ordem no banco que trata dos cartões de identificação de cada Instituição. Quantas vezes deve ser dita a frase “Devia ter entrado contigo. Se estivesse lá não criavas uma nova conta, não vai servir de nada. Mas deixa estar”.



Quando os caloiros mudam de casa, já sozinhos e sem a vigilância dos pais, e começam as aulas começa a sua nova independência. Ou assim seria de esperar. Muitas vezes a primeira escolha é se vão ou não às praxes. Alguns já vão decididos a ir ou não mas a maioria vai à descoberta. Com a nova preocupação, compreensível, dos pais relativa a esta atividade os novos caloiros veem-se a relatar as suas novas experiências diariamente. Não tarda muito até começarem a chegar e-mails e telefonemas dos pais para os praxadores, comissões de praxe e Diretores de Curso a perguntar porque é que o filho teve de fazer flexões, acordar cedo ou fingir-se de galinha num parque no meio da cidade. Com a passagem do tempo, chegam as questões de porque é que o filho não teve tempo para estudar já que, embora no fim-de-semana e tempos livres nada tenha feito, é precisamente no tempo em que é praxado que tem de estudar. O incrível é que não é raro os casos em que o caloiro não se revê nos comentários dos pais.

Passadas mais algumas semanas chega o inconcebível. Depois de o caloiro tirar negativa num teste ou exame voltam a aparecer os e-mail e telefonemas, desta vez direcionados aos docentes ou à Reitoria. Claro está, os pais querem uma explicação porque é que o filho “chumbou” aquela Unidade Curricular mas pouco sabem, porque o filho não lhes diz, quantas noites ficou bêbado, faltou às aulas ou simplesmente não estudou para o teste.

Sejamos claros, o papel dos pais e da família na vida de qualquer aluno é de extrema importância. Não só pelo apoio financeiro como pelo também no auxilio a tomar decisões e pelo apoio emocional. Contudo a entrada na Universidade significa, ou deve significar, uma certa emancipação dos caloiros, já maiores de idade. É a partir deste momento que deixa de estar sobre a contante vigilância dos pais, que começa a tomar consciência da realidade da sua área, da taxa de empregabilidade e das consequências das suas decisões.

A opinião e conselhos dos pais são valiosos mas uma constante intromissão nesta nova etapa não é benéfica. Por um lado podem não conhecer a realidade completa do que se está passar na vida do filho por outro porque, quando o caloiro, mais velho, tiver um trabalho não serão os pais a reclamar com o patrão ou quando tiver de assinar um contrato ou pedir um empréstimo não serão os pais a tratar da burocracia.

Em suma, a entrada na Universidade é uma nova etapa que deve ser seguida e aconselhada, sim, mas deve marcar o início de uma nova independência.

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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