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Há uns meses atrás a palavra “pós-laboral” era assustadora para mim. Estava a terminar o 12º e como a maior parte de vocês, queria ir para a faculdade. Há muitos meses que andava de volta do mesmo curso e não demorei muito a decidir que seria a minha 1ª opção de candidatura. Acabei o secundário com uma boa média mas, tal como aconteceu a muitos outros alunos, os exames complicaram-me um pouco a vida. A hipótese de não entrar na minha 1ª opção passou a atormentar-me constantemente. No entanto, o curso que tanto queria tinha 30 vagas para pós-laboral (para quem não sabe, pós-laboral significa estudar em horário nocturno) e também não foi muito difícil decidir que essa seria a minha 2ª opção.

Segundo os dados dos últimos colocados do ano anterior eu entraria apenas em 2ª opção, mas durante todo o verão eu guardava a pequena esperança de que as médias iam descer e que talvez conseguisse entrar no diurno. Embora tivesse colocado pós-laboral em 2ª opção eu odiava a ideia e não queria estudar de noite.

No dia em que soube os resultados da candidatura achei que o meu mundo ia acabar. Tinha efetivamente entrado na minha 2ª opção, pós-laboral. E agora? Todos os meus amigos tinham entrado em diurno. A única altura em que conseguia estar com os meus pais era à noite. Como ia ser? A palavra “pós-laboral” foi um pesadelo para mim nos dias seguintes. “Será que me inscrevo? Será que não?”



Durante alguns dias divaguei muito sobre a ideia. Estava tão concentrada em estar desanimada com a colocação que me tinha esquecido que tinha efetivamente entrado no curso que realmente queria e que havia muita gente que eu mesma conhecia que não tinha sequer conseguido colocação. Acabei por me inscrever e apenas umas semanas depois tenho a certeza que foi a melhor decisão que tomei.

Comecei as aulas à cerca de 3 semanas e nunca pensei estar a gostar tanto do horário que tenho. A primeira semana foi difícil, mas muito melhor do que esperava. À hora da última aula estava a morrer de sono e só queria ir para casa dormir. Nos primeiros dias senti-me aborrecida durante o dia porque não tinha nada para fazer (tão ingénua…). Esperar até à noite para ter aulas era uma seca. Para quem não está habituado ao horário é complicado, mas felizmente o ser humano é flexível e tem a capacidade de se adaptar. E assim foi.

Quero para já desvendar alguns dos mitos do pós-laboral:

1) Há facilidades de trabalho e aprendizagem no ensino nocturno?

De um curso diurno para nocturno a única coisa que difere é o horário. Haver facilidades em termos de trabalho em horário nocturno é mito. Infelizmente para vocês, também não vão aprender menos ou ter professores menos exigentes por estarem de noite. Alguns professores são diferentes de diurno para nocturno mas os trabalhos que têm de fazer serão exatamente os mesmos e avaliados exatamente com o mesmo grau de exigência.

2) Preciso de ser trabalhador-estudante para me candidatar a pós-laboral?

Não precisam de ter um emprego para se candidatarem em pós-laboral. Cerca de metade da minha turma são alunos na mesma situação que eu, que entraram em 2ª opção e não têm um emprego. É verdade que vão ter muitos colegas que trabalham e estudam ao mesmo tempo, mas isso não é condição necessária para poderem ser alunos de pós-laboral.

3) Quero arranjar o meu 1º emprego e estudar, é muito difícil conciliar?

Eu não tenho nenhum emprego e por isso não sei, mas posso falar do caso de vários colegas meus. Muitos deles trabalham todo o dia e ao final da tarde vão para a escola ter aulas. O meu curso é exigente e temos muitos trabalhos para fazer, o que significa que o tempo é precioso. As aulas mal começaram e já tivemos apresentações de trabalhos. Tenho colegas que trabalham durante o dia e foram capazes de fazer o trabalho, e com sucesso. Tenho ainda colegas mais velhos que para além de um emprego a tempo inteiro e das aulas, têm ainda uma família em casa à espera. Acho que depende um bocado da exigência do curso e da vossa capacidade de gerir o tempo. Vai ser trabalhoso e haverá muitas coisas das quais provavelmente terão de abdicar, mas não é impossível. Têm de saber gerir o vosso tempo e ser extremamente organizados.

4) A média do ensino pós-laboral é, geralmente, mais baixa. Isso faz do curso menos bom?

Mito. É verdade que a média do último colocado dos cursos em pós-laboral é geralmente mais baixa que a média do mesmo curso em diurno. Isso é meramente informativo e apenas nos dá informação sobre o último colocado do curso. Um curso não é menos exigente ou menos bom por ter média mais baixa. No mercado de trabalho, as empresas não farão distinção entre um aluno licenciado em diurno ou em pós-laboral. O que realmente importa é que tenham sido bons durante a licenciatura, nenhuma empresa vos colocará de parte por terem entrado com uma média mais baixa num curso em regime nocturno.

Há uns meses atrás a palavra “pós-laboral” era o meu pior pesadelo. Hoje estou muito grata por estar onde estou. Estou sempre ocupada e os “dias inteiros” não parecem durar uma eternidade. Provavelmente vão desejar que o dia tivesse umas horinhas extra… Mas isso já são outras histórias 🙂

Mas não se esqueçam: é tudo uma questão de saberem gerir o vosso tempo.

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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