Tudo começou em jeito de verso e linhas breves derramadas sobre cadernos de papel que se foram acumulando desde nova. Eventualmente o papel fez-se tela, a escrita deu lugar à pintura, depois as palavras regressaram em força, primeiro em prosa e de seguida novamente em verso, mas, entretanto, tinha escolhido estudar Ciências e Tecnologia no Secundário porque era boa aluna e era «o melhor para mim». Por isso, não foi tarefa fácil escolher o que fazer depois. Seguir uma paixão e mudar de área? Não arriscar e continuar em Ciências? Fazer uma pausa? Gostava de Ciências, mas adorava História, Literatura e Artes. Cheguei a ponderar estudar Matemática, mas as minhas aulas favoritas eram de longe Filosofia e Português. E por mais que tentasse encontrar um caminho na área que tinha escolhido estudar (por influência das pessoas que me rodeavam e que apelavam sempre mais à empregabilidade), regressava sempre forçosamente às palavras, às pessoas, às histórias.



O que me guiou nesta difícil decisão foi a consciência da minha finitude. Pensar que existe uma imensidão de vazio antes e depois de nós (pelo menos numa visão não teísta) e contar pelos dedos das mãos as décadas de que dispomos para viver o mundo, pode ser muito útil em casos de desempate. Por isso, a não ser que o teu principal objetivo seja enriquecer (e para esse eu não tenho claramente os melhores conselhos), a autenticidade será sempre a melhor resposta. É certo que sinto um receio e uma responsabilidade maiores, e a eles juntam-se os olhares de desilusão ou expressões de desdém dos que me perguntam qual o curso que escolhi, desde professores, familiares ou conhecidos. Mas a satisfação de estar a viver de forma mais plena quem sou e a trilhar o caminho que verdadeiramente escolhi, vem a dobrar.

Assim, se há coisa que aprendi nesta já longa viagem, é que não podemos enfaixar-nos em caixinhas e rótulos. Se este é o século em que teremos inúmeros empregos, todos eles multifacetados, também tem de ser o momento em que assumimos essa complexidade e variedade de vidas dentro da nossa, nos interesses, nas paixões, nas experiências e nos sonhos. Se no futuro seremos bem mais que trabalhadores, hoje somos mais que estudantes. E atrás de uma estudante de Jornalismo, neste caso, pode estar alguém que se interessa por Ciência, compreende matemática e é apaixonado por Arte, ou vice-versa. E principalmente, no momento de escolher o curso, ou até se queres tirar um curso e quando, jamais oiças uma voz que não a tua, porque serão teus o corpo e a vida gastos, ou ganhos nesse caminho.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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