Nunca ninguém se esqueceu de me dizer como o ensino superior é diferente do secundário. Nunca se esqueceram de me dizer que iria stressar muito e que teria de estudar mais ainda (apesar de já ser agarrada aos livros). Também nunca se esqueceram de me dizer que a vida mudaria, só não disseram o quanto.

Houve muitas coisas das quais nunca se esqueceram de me dizer. Umas melhores, outras piores. Avisaram-me das festas, daquelas quintas-feiras académicas, dos jantares de curso, da Queima das Fitas, das bebedeiras. Falaram-me do traje, da praxe, de noites sem dormir. Mas esqueceram-se de me dizer muitas outras, mesmo estas sendo reais.



Esqueceram-se de me dizer que a Universidade do Porto não é, de maneira alguma, a minha escola secundária. Assim como se esqueceram de me dizer que o Porto não é aquela cidade medieval num canto pacato do país. Esqueceram-se de me dizer que a calmia da vida, ficaria um tornado sem fim. Disseram-me, sim, e eu vi nas fotografias, nos postais, nas notícias, que a Invicta era uma cidade linda e cheia de coisas para descobrir. Mas não me disseram que seria esta mesma a trazer a saudade infinita daquele cantinho. Esqueceram-se de me dizer que os meus pais passariam a ser aqueles a quem eu primeiramente enviaria um sms de “Bom Dia” ou a dizer “Já cheguei”. Esqueceram-se de me dizer que a Universidade nem sempre traz a família que o secundário traz. Esqueceram-se de me dizer que os professores conseguem ser tudo menos isso. Esqueceram-se de me dizer que eu desejaria milhões de vezes voltar a ter aulas naquelas salas em tons de verde e branco, com pessoas que não eram só professores, mas amigos. Esqueceram-se de me dizer que o “Nelinho” era único e, que ele sim, tinha criado em nós o aço para os anos seguintes.

Nunca me disseram que a Universidade poderia trazer tantos desgostos, e ao mesmo tempo algumas felicidades. Também não me disseram que, por vezes, não estar em qualquer tipo de grupo académico praticamente me exclui de tudo. Não porque seja “ilegal” participar, mas porque sentir-me-ei um peixe fora de água. Efetivamente, esse sentimento é-me constante. Nada é igual, e nem por isso parece ser melhor!

O secundário, aquele que todos desejam tumultosamente terminar, é um casa que a universidade não é. Afirmo-o, porque mais uma vez, ninguém me avisou que, afinal, aqueles três anos já findados havíam sido os melhores da minha vida. Ninguém me avisou que era ali que estavam os meus amigos para a vida. Ninguém me avisou que a Balada da Despedida traria recordações desse passado e a ansiedade de um futuro mais leve.

Hoje, ao ouvir mais uma vez a Balada da Despedida, e (quase) terminado o primeiro ano, sinto que na verdade, é do canto pacado medieval que levo todas as histórias, todas as saudades. Não é de todo errado afirmar que não há Porto, Lisboa, Coimbra, Aveiro ou Braga que se possa comparar à nossa cidade. E agora, ao ver aqueles que ficaram para trás, recordo como a vida era tão cheia há um ano atrás e, como, simultaneamente, trazia uma esperança desta academia. Levarei sempre a Invicta comigo, mas nunca como o meu eterno cantinho medieval.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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