Greve estudantil mundial está marcada para o dia 15 de março. Jovens querem exigir aos governos que tomem medidas urgentes para combater as alterações climáticas.

Um grupo de estudantes portugueses está a congeminar um acto de rebeldia — com uma causa. A 15 de Março, uma sexta-feira, vão fazer greve escolar: em vez de irem às aulas, decidiram manifestar-se contra a inércia do Governo face às alterações climáticas. “O nosso futuro é mais importante do que um dia de aulas”, acreditam. E, por isso, há concentrações marcadas para as 10h30 em frente às câmaras do Porto e Coimbra e uma marcha em Lisboa, as cidades e distritos dos 15 universitários e alunos do ensino secundário que estão a planear a iniciativa, através de um grupo no Whatsapp. 

A data não é por acaso: nesse mesmo dia, o movimento estudantil #SchoolStrike4Climate convocou uma greve global, depois de em Novembro ter levado milhares de estudantes a sair às ruas de várias cidades australianas. Na Alemanha, mais de 30 mil jovens juntaram-se à luta: “Para quê aprender se não há um futuro?” O mesmo se gritou na Bélgica e na Suíça. E, desta vez, os cartazes também vão ter palavras de ordem escritas em português, garante ao P3 Bárbara Pereira, de 17 anos, uma das organizadoras dos protestos em Portugal. 



Mesmo antes de ver o discurso “inspirador” de Greta Thunberg na Cimeira do Clima das Nações Unidas — a activista sueca de 16 anos que todas as sextas-feiras falta às aulas para exigir aos governantes medidas urgentes que combatam as alterações climáticas — já a estudante de Línguas e Relações Empresariais do Colégio Internato dos Carvalhos, em Vila Nova de Gaia, partilhava a mesma frustração. “O que nos tem vindo a preocupar cada vez mais é que o problema é tão óbvio e ninguém o trata como se fosse real”, diz. “Nós queremos chamar a atenção do Governo para a urgência que enfrentamos. Queremos medidas sérias.” Ou nas palavras de Greta dirigidas aos líderes mundiais reunidos em Davos: “Eu quero que vocês entrem em pânico.”

A estudante sueca foi “uma inspiração”, diz. “Nós revemo-nos nela e ela teve um impacto enorme. Fez-nos perceber que uma pessoa pode fazer a diferença.” Pelo Twitter, Bárbara recebeu uma mensagem de Matilde Alvim, uma outra jovem da Escola Secundária de Palmela, em Lisboa, com quem partilhava notícias e reflexões sobre “as mesmas preocupações sociais e ambientais” na rede social. Foram estas ideias que os organizadores da iniciativa espelharam no manifesto: “O esforço que os governos e as organizações internacionais estão a fazer para solucionar esta enorme crise, em que cada minuto conta, é mínimo. Protocolos, acordos e metas ambientais são deliberadamente desrespeitados e ignorados.”

Agora, há que incentivar outros a aderirem à greve — estudantes ou não. “É uma preocupação que devia ser partilhada por todos e temos mais do que o dever de chamar a atenção para as nossas causas”, acredita.

Bárbara não sabe se os pais a “levaram a sério” quando lhes disse o que ela e os colegas estavam a planear. Mas não hesita: “Isto é a sério. Vai mesmo acontecer. Queremos ser ouvidos.” Acha que do lado deles vão ter os professores, “que falam muitas vezes do tema nas aulas”. Só ainda não sabem se vão ter falta. Mas isso não passa de um detalhe técnico: “A nossa prioridade nessa sexta-feira vai ser o clima e as alterações climáticas”, responde. Até já têm uma hashtag#FazPeloClima.