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Segundo o inquérito sobre opiniões de estudantes de universidades e institutos politécnicos sobre a pandemia no sistema de ensino, que obteve 860 respostas até 8 de abril, a maioria dos alunos (59,4%) disse sentir-se prejudicada com o ensino à distância em relação ao ensino presencial que tinha até meados de março, quando o Governo mandou encerrar todos os estabelecimentos de ensino para tentar conter a disseminação do novo coronavírus, que infetou mais de 20 mil pessoas e provocou mais de 600 mortes em Portugal.

“Um grupo numeroso declara que, ponderadas questões financeiras, pedagógicas e relacionais, a situação de ensino não presencial os deixou numa situação globalmente desfavorável”, conclui o relatório do  Observatório de Políticas de Educação e Formação, que indica que apenas 14,8% veem este novo modelo de ensino como globalmente favorável.

Os resultados do inquérito são conhecidos na mesma altura em que o Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) recomendou às instituições a criação de condições para que possam recomeçar gradualmente as aulas presenciais a partir de 4 de maio.



A grande maioria dos inquiridos disse estar a viver em casas com boas ou ótimas condições para continuar a estudar e garantiu estar a cumprir as regras de confinamento: os alunos que se queixam do ensino à distância são os que menos saem de casa (73,2% contra 68,1% dos que estão satisfeitos com o atual modelo de ensino).

Quatro em cada dez alunos admitiram sentir maiores níveis de ansiedade por causa do confinamento, enquanto 18,4% não sentem alterações de comportamento.

Mais de oito em cada dez alunos (83,6%) dos que se queixam do ensino à distância acumulam sentimentos de apatia, ansiedade, isolamento e agitação, situação que é partilhada por 58,3% dos que dizem estar em situação globalmente favorável.

Há 8,1% dos estudantes em confinamento que não sentem vontade de voltar à instituição de ensino e entre estes há um pequeno grupo de 4,7%, que, “por fazerem parte do conjunto dos que se consideram em situação globalmente desfavorável, são potenciais candidatos a engrossar o abandono”, alerta o relatório do inquérito.

Entre os alunos que gostam do ensino à distância, também há um grupo (20,5%) que não tem vontade de regressar às instituições, contra 35% que querem voltar, mas não no imediato.

Já entre os que se sentem prejudicados, 78,1% “voltariam amanhã para as instituições de ensino superior”, contra 44,1% dos que constituem o grupo dos globalmente satisfeitos.

O relatório aponta diferenças entre estes dois grupos de jovens, tais como o nível de participação e presença nas aulas não presenciais, a preparação dos professores e o interesse nas aulas.

Entre os alunos que não estão satisfeitos com a atual situação de ensino nota-se uma diminuição de 44% de participação e presença nas aulas à distância, enquanto entre nos outros estudantes a diminuição foi de 15%.

Muitos alunos (60,2%) admitem que também estão agora menos interessados nas aulas, mais uma vez com destaque para aqueles que se sentem prejudicados com o ensino à distância (só 26,6% dizem que o nível de interesse se mantém).

Uma das razões para as aulas serem menos interessantes poderá estar relacionada com a sensação de falta de preparação dos professores, que é apontada por muitos alunos.