Exame de Matemática A: Prova incluirá matéria que não foi dada mas é opcional

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Uma mudança de regras nos exames está a gerar polémica. O Ministério da Educação confirmou que a prova de Matemática A deste ano terá conteúdos que a maioria dos alunos não aprendeu nas aulas, mas garante que ninguém será prejudicado graças a um novo sistema de escolha.

A medida surge para acomodar as dez turmas-piloto que já testam o novo programa (Aprendizagens Essenciais de 2023), enquanto a esmagadora maioria do país continua a seguir o programa de 2018. Para resolver o impasse de ter dois programas diferentes no mesmo exame, o Ministério criou um modelo de “questões em espelho”.

 

Como vai funcionar na prática?

Para que não tenhas de responder ao que não sabes, a prova terá uma estrutura flexível:

  • Itens em alternativa: Em certas partes do exame, verás dois exercícios sobre temas diferentes. Tu escolhes o que corresponde à matéria que deste.
  • A regra dos “Melhores Itens”: Tal como tem acontecido nos últimos anos, a nota final será calculada com base nos itens obrigatórios e nos itens opcionais onde tiveres melhor pontuação.

SPM critica “mudança de regras” e falta de equidade

A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) é a voz mais crítica desta solução. Em declarações, a sociedade levanta dúvidas sobre a legalidade e a justiça deste modelo:

  • Desequilíbrio na avaliação: A SPM defende que os conteúdos opcionais podem não ter o mesmo nível de dificuldade. “Isto cria objetivamente um desequilíbrio na avaliação relativa dos alunos”, afirma a sociedade, sugerindo que um aluno pode ter uma pergunta mais fácil do que outro apenas por ter seguido um programa diferente.
  • Pressão psicológica: A inclusão de temas “desconhecidos” na folha de exame pode aumentar a ansiedade dos alunos num momento já por si stressante.
  • Opacidade: A SPM afirma desconhecer a legislação que suporta esta experiência piloto com as novas Aprendizagens Essenciais.

APM defende solução de transição

Já a Associação de Professores de Matemática (APM) tem uma visão oposta e mais tranquila. Joaquim Pinto, presidente da associação, considera que a solução encontrada é “muito boa”.

 

A APM sublinha que este modelo foi trabalhado em conjunto com o Ministério e as sociedades científicas para evitar que as dez turmas que anteciparam o novo programa ficassem sem forma de ser avaliadas. Para a associação, a coexistência de dois referenciais é um passo necessário para a modernização do currículo e o sistema de opções garante que “não vai confundir nenhum aluno muito menos prejudicar”.

O veredito do Ministério

O Ministério reforça a mensagem de calma: os estudantes não são obrigados a responder a questões de matéria que não deram. O objetivo é que o exame seja universal, independentemente de estares numa turma “piloto” ou no regime geral.

 

No ano passado, a média nacional de Matemática A caiu para os 10,5 valores (tinha sido de 12,1 no ano anterior). Com estas novas regras e a possibilidade de escolha entre itens, resta saber se a média irá recuperar ou se a confusão entre programas terá impacto nos resultados.