Exame de Português: Instituto que faz as provas garante que imagem repetida “não põe em causa a equidade” e afasta favorecimento

O Conselho Científico do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) quebrou o silêncio e emitiu, esta sexta-feira, 19 de junho, o parecer técnico que tinha sido exigido pelo Ministério da Educação. A conclusão do instituto é clara: a repetição do cartoon no Exame Nacional de Português não violou o princípio da equidade nem beneficiou os alunos que tinham o manual de apoio da editora Leya.

Os argumentos do EduQA: “Memorizar a resposta é pouco plausível”

No documento assinado pela Presidente do Conselho Científico, Ana Cristina Casimiro, o instituto rebate as acusações de injustiça e desigualdade com base em vários argumentos técnicos:

 
  • A escrita é uma competência complexa: O EduQA sublinha que a capacidade de produzir uma apreciação crítica resulta de uma aprendizagem desenvolvida ao longo de anos. Não é algo que se melhore “satisfatoriamente através da simples resolução de um item com um estímulo semelhante (ou mesmo idêntico)”.
  • A resposta do manual era diferente (e o exame omitiu pistas): O parecer revela que o livro de apoio da Leya focava a sua proposta de resposta na relação entre o título do cartoon e a imagem. No entanto, no Exame Nacional, o título foi omitido propositadamente para “abrir caminho para interpretações da imagem mais diversificadas”.
  • Improvável ter memorizado: Para o instituto, os estudantes treinam dezenas de imagens ao longo do ano. Como não sabiam o que ia sair, considera-se “muito pouco plausível” que algum aluno tenha memorizado e replicado textualmente a sugestão do livro.

Não parece aceitável considerar que um aluno que tenha utilizado o referido livro de apoio (…) tenha obtido alguma vantagem na resolução do item em causa, visto que teve de produzir obrigatoriamente um novo texto no âmbito do exame.” — Parecer do EduQA.

O que é avaliado nesta pergunta?

O instituto fez questão de recordar que o Grupo III avalia essencialmente as competências de Escrita e não o conhecimento prévio da imagem. Os critérios de classificação, que dividem a nota por parâmetros como o género textual, a coesão, a pertinência da informação e a correção linguística (ortografia, pontuação, sintaxe), provam que o suporte visual serve apenas como um “estímulo”.

Recomendação para o futuro: “Despiste razoável” para evitar polémicas

Apesar de defender que a prova foi justa, o Conselho Científico do EduQA reconhece o ruído provocado na opinião pública e deixa uma recomendação interna para as próximas provas.

O instituto pede que as equipas que elaboram os exames passem a fazer um “despiste razoável” antes de fecharem os enunciados. Embora defenda que um estudo de mercado exaustivo é “impraticável”, assume que se deve verificar se as imagens ou textos escolhidos não constam em “materiais de preparação para exame amplamente divulgados”. O objetivo é claro: “evitar leituras públicas de favorecimento ou desigualdade e preservar a confiança” no sistema de exames nacionais.

 

Com este parecer técnico a assegurar a validade do exame, a decisão final fica agora do lado do Ministério da Educação, que aguarda ainda a conclusão do relatório de auditoria da Inspeção-Geral.

E tu, concordas com os argumentos do EduQA? Achas que ter visto a imagem antes não deu mesmo nenhuma vantagem? Deixa o teu comentário!