O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) anunciou esta quinta-feira, 18 de junho, uma mudança radical de posição face à polémica no Exame Nacional de Português. Depois de inicialmente ter desvalorizado o caso, a tutela veio agora admitir publicamente que existiu uma “falha objetiva” por parte da equipa que elaborou a prova e ordenou uma auditoria urgente.
Afinal, o manual saiu primeiro: Ministério assume erro de informação
Ao contrário do que tinha sido avançado no primeiro esclarecimento oficial (onde se dizia que o exame tinha sido feito antes da publicação do livro), o Ministério confirmou que o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) lhe transmitiu informações erradas.
Desta vez, o comunicado clarifica o seguinte:
- Agosto de 2025: O caderno de exercícios da editora foi disponibilizado no mercado.
- Início de 2026: O Exame Nacional de Português foi efetivamente elaborado.
O MECI assume, de forma clara, que a utilização do cartoon do artista Javad Takjoo “deveria ter sido evitada” e que a equipa do exame falhou no processo de controlo e “verificação exaustiva” de materiais já publicados pelas editoras.
Auditoria e avaliação do impacto na equidade dos alunos
Perante a gravidade da situação, o Ministro da Educação avançou com duas medidas imediatas:
- Auditoria Geral: Determinou à Inspeção Geral da Educação e Ciência (IGEC) a realização de uma auditoria aos procedimentos internos do EduQA na elaboração de exames nacionais, de forma a garantir que estas falhas não se repitam. O Ministério garante que “tirará as devidas consequências” após o relatório final.
- Parecer Técnico sobre a Equidade: Foi solicitado ao EduQA um parecer técnico para avaliar formalmente se houve, ou não, quebra de equidade e desvantagem para os alunos que não tinham estudado por aquele manual específico.
Existiu assim uma falha objetiva da equipa responsável pela elaboração do exame na verificação de questões/itens já disponibilizados por editoras.” — Comunicado do MECI.
Como funciona o Grupo III do Exame de Português?
Para contextualizar, o Ministério relembrou que a estrutura do Grupo III da Prova 639 tem sido rigorosamente idêntica nos últimos anos (desde pelo menos 2020). O formato exige sempre uma produção de texto com base num suporte de análise, variando apenas se o objeto é uma frase, um texto ou, como aconteceu este ano, uma imagem/cartoon.
Com esta admissão de culpa por parte do Governo, ganham ainda mais força as contestações de professores e especialistas, restando agora saber se o parecer técnico do EduQA poderá ditar a anulação ou uma alteração nos critérios de correção da pergunta que está a marcar o arranque da época de exames de 2026.
E agora que o Ministério confirmou a falha, o que achas que deve acontecer? A pergunta deve ser anulada para todos os alunos? Deixa a tua opinião na caixa de comentários.

