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As aulas terminaram há já algumas semanas mas para muitos isso não é sinónimo de “férias”. A palavra “exames” ainda faz parte do dia-a- dia de muitos alunos de 11º e 12º ano, que esperam ansiosamente pelo dia dos resultados para “fazer contas à vida”. “Passei? Será que esta nota chega para entrar em X curso? E se as médias subirem? E se o exame me descer a média?” são algumas das perguntas que passam pela cabeça de alunos finalistas do 12º ano, principalmente.

São várias as posições apresentadas em relação aos exames. Se por um lado há quem defenda a igualdade perante todos os alunos a nível nacional, por outro há alunos frustrados e cansados de estudar para uma prova de 2h a 3h que pode definir um momento muito importante das suas vidas: a entrada no Ensino Superior.

Depois de um ano inteiro a estudar para atingir “a tal” média desejada, alunos de 11º e 12º ano são ainda confrontados com a realidade assustadora que são os Exames Nacionais. Depois de um ano de trabalho e esforço árduo, muitos se sentem injustiçados por ter de mostrar em tão pouco tempo tudo o que sabem (e muitas vezes o que não sabem) sobre a matéria que lecionaram durante 2 e 3 anos de Ensino Secundário. Será isto justo?



A meu ver, dificilmente um exame de algumas horas permite a quem quer que seja avaliar o que um aluno sabe ou não sobre determinada disciplina. Mas a verdade é que sem ser dessa forma também seria difícil igualar os conhecimentos dos alunos a nível nacional, isto é, garantir que um aluno de Ciências da Escola Secundária X tenha aprendido o mesmo que um aluno de Ciências da Escola Secundária Y. E nesse aspeto, um exame igual para todos parece justo o suficiente. Mas será?

Esta questão leva-me a um outro ponto que costuma ter uma grande relevância para os alunos. Quantas histórias de alunos que foram a exame com Classificações Internas Finais baixas e tiraram 3 ou mais valores acima no exame existirão? Quantos alunos sentem então que o o nível de exigência nacional é mais baixo do que aquele que os próprios professores lhes impuseram? Se lhes fosse dada essa hipótese, quantos escolheriam ter menor exigência por parte dos professores e maior no exame? Prefere o aluno ir com 16 a exame e ter 10 no mesmo ou vice-versa? Prefere o aluno ir melhor preparado para o exame e tirar uma nota superior à que lhe foi atribuída pelo professor ou ir no conforto de um 16 e tirar uma nota mais baixa porque o professor sempre foi brando?

O exame vale atualmente 30% da Classificação Final da Disciplina. Para disciplinas trienais, 70% da nota é construída em 3 anos e 30% em 3h, o que responde facilmente à pergunta anterior.

Como se isto não bastasse, alunos do 12º ano que pretendem prosseguir estudos no Ensino Superior têm ainda um extra a adicionar aos nervos: Provas de Ingresso a valer entre 35-50% da sua entrada. Como é que que a média, para a qual trabalham durante 3 anos, pode chegar a valer tanto quanto um exame que realizam em 3h? Quanto vale esse “pequeno” stress extra no preciso momento em que estão a fazer o exame? Terá o stress impacto na realização do exame?

É com tristeza que admito que sim. Tristeza porque vejo inúmeros casos de alunos que não conseguem “mostrar o que valem” num exame porque cedem à pressão. Tristeza porque vejo muitos alunos a abandonar sonhos de entrar em curso X porque o exame não lhes correu como esperavam, porque se deixaram consumir pelos nervos. Podem chegar a saber tanto quanto alunos a quem os nervos não dizem nada e são prejudicados por isso. E isso não é justo…

A minha resposta ao título é “Sim”. No entanto não posso é concordar com o peso que estes exames têm numa nota que se constrói durante anos. Não posso concordar com o stress com que todos os alunos têm de lidar porque uma prova de 3h pode arruinar-lhes sonhos que podem durar uma vida. Não posso concordar com o facto de serem todos avaliados de igual forma quando nem todos têm as mesmas facilidades.

Concordo com os exames, discordando de tudo o resto.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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