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Extremismos – como pode a educação ensinar a combatê-los?


No último domingo, dia 24 de janeiro, assistimos a mais um ato eleitoral, desta vez relativo à eleição do Presidente da República para os próximos cinco anos. À parte as múltiplas análises que foram e podem ser feitas por especialistas da área aos resultados finais, há um aspeto que merece uma sinalização mais vigorosa: a importante percentagem de votos que o candidato de extrema-direita, André Ventura, obteve (praticamente 12%).

Sabemos que os fenómenos radicalistas e populistas podem assumir-se como atentatórios a uma democracia sólida e na qual os argumentos são defendidos de modo justo. Neste sentido, como pode a educação compreender estes fenómenos e combatê-los com o intuito de promoção de uma cidadania ativa, inclusiva e que valoriza os direitos de todos os seres humanos?

Em primeiro lugar, há que perceber que é vasta a quantidade de pessoas que, com níveis de escolaridade reduzidos, se deixam atrair pelas ofertas de candidatos e partidos que prometem uma mudança através de um abanão do sistema ou, até, da construção de um novo sistema. Este argumento não reflete uma opinião pessoal, mas dados que vários politólogos, sociólogos e psicólogos, entre outros profissionais, têm recolhido e validado há várias décadas. Destarte, o passo n.º 1 para munir os cidadãos de um pensamento mais crítico assenta numa formação escolar que consiga chegar a um maior número de pessoas e ocorra de um modo mais completo, isto é, integrado – ao articular diferentes conteúdos das várias disciplinas – e inclusivo – não eliminando a participação de qualquer estudante nas atividades que ocorrem na sala de aula, no recreio e noutros espaços da escola.

Por outro lado, como já argumentei de modo mais implícito ou explícito noutros artigos, a educação não se resume ao contexto escolar, situando-se noutras instituições sociais e lugares de ação que vão da família às formas de associativismo. Portanto, estas oportunidades educativas não formais devem proporcionar experiências para que as crianças e os jovens consigam vivenciar a democracia, através da participação, por exemplo, em conferências que abordam desafios da contemporaneidade, em múltiplos tipos de voluntariado ou em orçamentos participativos e desenhos de políticas de educação e juventude. Tudo isto corresponde a possibilidades de a própria sociedade e o próprio estado se envolverem dinâmica e diligentemente na qualificação e formação dos mais novos, demonstrando que o paradigma societal vigente é o de diversidade e de respeito pela mesma.

Que as eleições deste domingo passado sejam um acontecimento a ter em atenção e a revisitar no sentido de compreender – e reforçar – as potencialidades da educação para a produção de visões mais alargadas e fundamentadas da política e do mundo.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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