Terminou mais uma fase: o secundário. E isso fez-me refletir acerca das notas que obtive ao longo destes três anos e nas diferentes formas de avaliar com que me debati. Professores muito exigentes, pressionados pelas classificações que os alunos poderão não conseguir manter nos exames, outros com a preocupação de não nos prejudicar e ainda aqueles que preferem olhar apenas a números. Mas quanto a essa questão deixemos para depois. Julgo que estudei numa escola exigente, acima da média, não duvido. E além da exigência é um local onde se pratica um bom ensino e de onde trago boas recordações.

No entanto, e há uma questão que me intriga, acerca da qual tenho vindo a refletir; a qualidade do ensino prestado não tem de implicar um rigor excessivo na avaliação que é feita, que em muitos casos irá prejudicar os alunos na entrada na universidade.



Há dias li um artigo no Público que dizia que  “dois alunos com prestação idêntica nos exames nacionais facilmente podem ter discrepâncias de 2 (ou até 4) valores nas suas notas internas, consoante a escola escolhida”.

E isso, por estranho que possa parecer, não me faz desejar ter estudado noutro sítio, quem sabe até num daqueles colégios de topo, que todos os anos “ocupam” uma esmagadora percentagem de vagas nos cursos de média mais elevada. Até, porque, e pegando no meu caso em concreto, não me senti prejudicado em nenhuma das disciplinas a que realizei/irei realizar exame. E mesmo nas outras, houve professores que me surpreenderam e que souberam ter um lado mais humano, sem ligar tanto à aritmética. Quanto aos que não referi, penso que não vale a pena falar, apesar de saber que num outro estabelecimento de ensino teria obtido mais 1, 2 ou 3 valores nessas mesmas disciplinas.

Retomando a questão que há pouco coloquei, desejo, por outro lado, um ensino que não esteja tão canalizado para a seriação de estudantes para o ensino superior, mas antes, para a sua preparação e para a sua formação. Fará algum sentido que o poder económico de algumas elites defina quem irá desempenhar esta e aquela profissão, no futuro? Será que nós, do público, estamos pior preparados que os outros, com média mais alta (é certo), mas que muitas vezes não ganharam o calo que se ganha numa escola pública?  É pena que não sejam as próprias universidades a estabelecer os seus critérios de escolha de candidatos e até que isso aconteça muita injustiça vai continuar.

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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