Filosofia: aquela disciplina que, regra geral, passamos a ter no 10º e 11º anos (isto para quem segue um dos cursos científico-humanísticos) e que, para muitos, é algo novo, algo com que nos deparamos assim que passamos para o ensino secundário.

Quando ainda estava no 9º ano, já questionava do que se podia tratar a disciplina. Como conhecia pessoas do secundário perguntei-lhes como era aquilo tudo, segundo o ponto de vista que tinham. Grande parte dos comentários que ouvi não eram muito positivos – ouvia-se um “é uma seca”, um “é bastante chato”, ou “uma perda de tempo”, mas mais principalmente um “não serve para nada”! – e no meio desta onda de opiniões, só encontrei uma que era distinta das outras; mas tinha um ar muito pouco convincente, já que a pessoa achava aquilo “interessante, mas o/a professor(a) não ajudava”.

Fiquei intrigada e refleti se a Filosofia seria mesmo assim, tão má como aparentava ser segundo os meus amigos e restantes conhecidos, fiquei com um certo receio. Todavia, sabia que não devia estar a preocupar sobre o assunto precocemente, então simplesmente aguardei que o 10º ano viesse.



Quando comecei a dar a matéria, senti-me perdida. Não conseguia perceber muito bem o que se falava e, aí sim, o receio começou – o receio daquele sentimento de que parecia tão comum e trivial do desgosto à Filosofia. Felizmente, esse sentimento nunca me bateu à porta, pois rapidamente comecei a entender aquilo tudo – podia-se descrever esta fantástica sensação com a expressão “fez-se luz!” – e eis que a minha chama filosófica acabou por se acender… Lembro-me de quão feliz eu fiquei devido a isso. Mas, confesso que, por momentos de grande impaciência e desespero, ao estudar para o primeiro teste que iria ter, senti aquele “Bem, mas eu irei precisar da Filosofia para quê?” em tom impaciente e ligeiramente agressivo a aparecer na minha mente. Pensei que pudesse ser a frustração permanente de uma simples opinião sobre esta disciplina, porém foi somente o nervosismo a falar por si no momento. A pessoa que sou hoje em dia não combinaria muito com essa pergunta.

Em suma, sabia que de qualquer maneira aquela pergunta teria uma resposta por descobrir, se bem que ainda era muito cedo para que pudesse ter a resposta a esta pergunta; afinal, como aprendi, as perguntas não são mais importantes que as respostas? Já que é graças a elas que temos as respostas (mesmo que nem todas as perguntas tenham ainda respostas)! Pois bem, decidi respeitar isso e não fugir à regra. Afinal, quem sabe se eu iria aprender algo que valesse a pena ao longo destes 2 anos! Decidi que iria descobrir a resposta por mim mesma.

Ao fim de um primeiro ano, quanto à Filosofia, pude superar todas as expectativas que aguardava à disciplina. Mesmo com os inúmeros altos e baixos que possa ter tido, apesar de tudo, encontrei-me minimamente satisfeita com os resultados que obtive. Pude sentir que até que tenho uma certa afinidade com a Filosofia.

Para mim, a Filosofia, fora uma coisinha ou outra, é algo bastante fascinante, porém, ignorado. E assim o digo, (feliz e) infelizmente, pois, com o gosto filosófico que ganhei até agora, sinto-me às vezes como se fosse a “gaja fora da caixa”: Vejo uma considerável desvalorização por parte das pessoas à volta. Pessoas que não têm aquele mesmo gosto pela Filosofia, tal como eu tenho. Pessoas que não vêm a disciplina da mesma maneira que eu vejo.

Apenas gostaria de saber se era algo que a própria disciplina tem, algo objetivista que esta tenha e que faça com que o pessoal tenha esta opinião negativa? Ou é apenas algo bastante subjetivo e coincidentemente há muita gente com a mesma opinião? Pois, não sei. Será que é pelo facto de que, em certos assuntos, a Filosofia nos faz pensar mais do que o habitual e nos faz muitas vezes mudar de opiniões? Será que é porque, quando nos deparamos com uma teoria um bocado fora do comum, pensamos logo que é um absurdo? Será que a sua subvalorização se deve ao facto de nos termos de refletir de um modo diferente? Ou será que tem haver com o facto de que certas ideologias nos podem atingir, independentemente de serem verdadeiras ou não, e que não as queremos aceitar? Será o medo da diferença, ou até mesmo da aceitação de certas questões (ou até mesmo, de certas respostas)? Serei a única a pensar nisto?

Acho que as pessoas que têm uma certa antipatia com a Filosofia deviam saber que talvez estejam a perder algo que possa valer a pena (ou então não, não sei) … Bom, não o posso dizer com a maior das certezas, apenas falo por experiência própria, mas eu senti que a minha pessoa mudou ao longo deste tempo. Uma mudança positiva, neste caso.

Graças à Filosofia, pude notar que criei novas opiniões e reformulei as antigas, abri horizontes, ando mais consciente de certas coisas, comecei a perceber melhor determinados temas, assuntos, o que quer que fosse, que não entendia…. Enfim, tornei-me numa pessoa diferente, em alguém novo. Cresci. A minha curiosidade cresceu assim como a minha paciência e a minha compreensão.

Portanto, voltando à pergunta “Bem, mas eu irei precisar da Filosofia para quê?”, só sei que posso no mínimo responder: Serve para nos dar a consciência de que nada sabemos. Serve para nos mostrar que há certas coisas que devíamos entender… E que, se calhar, não cometeríamos tantos erros… Ainda não posso responder de forma confiante.

Com isto quis fazer um pequeno desabafo, dando juntamente a minha opinião e questionando o porquê de isto tudo parecer ser assim. Quero deixar esta questão do gosto pela Filosofia em stand-by, e, se possível, talvez, obter respostas…

Termino este texto com uma frase que pensei hoje numa atividade na aula de Filosofia:

“A Arte do Conhecimento deveria ser a Música tocada por todos os Homens.”

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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